« Que feio, hein Vex? (II) | Home | Quase pronto »
abril 18, 2006
Era da informação
Creio estar havendo um equívoco generalizado a respeito da "era da informação" em que estamos.
Para começar, seria absurdo não admitir que nunca foi tão fácil adquirir qualquer tipo de informação. Temos TV e internet nos informando em tempo real tudo o que acontece no mundo. E mesmo com nossos bundões longe da cadeira, existem PDAs e smartphones provendo informação onde quer que se vá.
A pergunta que fica é: para que nós precisamos de tudo isso? Será que é realmente necessário saber tudo o que occore ao nosso redor, independente da relevância?
Na web, para cada informação específica que você busca, você é obrigado a engolir dez que não servem para nada. E na TV, boa parte da informação que "cai" em nossos ouvidos acidentalmente, é tão descartável quanto aquilo que deixamos de saber no dia-a-dia por puro desinteresse.
Fica aí a grande ironia da web: seu ponto forte é ao mesmo tempo seu grande ponto fraco. Precisa-se saber (muito bem) como selecionar o que se quer que venha até você. Mas ninguém está preparado para isso. Ninguém sabe o que fazer com tanta informação. Pior, ninguém sabe como buscar o que se deseja sem se perder num redemoinho de bits.
É por isso que os jovens, mesmo com tanta informação à disposição, continuam numa espécie de alheiamento ao mundo em que vivem. O Google, para ficar num exemplo bem genérico, deveria ser uma espécie de "oráculo" para todos os cidadãos da aldeia global. O que acontece é que as pessoas ainda não estão prontas para conviver com isso. É como uma criança que entra numa imensa sala de brinquedos. O que pegar primeiro?
O que fazer então?
Informação sob demanda.
Eu não vejo mais TV. Se eu inventar de assistir TV, passo meia hora zapeando e não vejo nada. Tempo perdido.
As séries e programas que eu gosto de ver são agendados, gravados e eu assisto na hora que eu quiser. Fora isso, me divirto muito com DVDs, DivX e congêneres.
Eu não ouço mais rádio. Não quero ouvir jabá, tampouco uma única música boa entre duzentas mil chatas. Ouço minha coleção de MP3, que me acompanham onde vou.
E ainda assino vários podcasts: ouço o que EU quero ouvir, e não o que uma emissora me impõe. Ouço programas sobre rock clássico, sobre tecnologia, sobre mobilidade, e até sobre odontologia e as séries favoritas de TV que eu assisto. ONDE eu encontraria isso no rádio?
Eu não navego mais na web. Mantenho-me atualizada lendo apenas os sites ou editorias que me interessam, via RSS. E raramente faço isso na frente do computador.
Leio os jornais do dia no PDA ao tomar meu café da manhã, exatamente como muitos fazem com seus jornais de papel. Felizmente tenho a vantagem de pular editorias que não me interessam ("marido ciumento mata a esposa, 2 filhos e se suicida em seguida") e não ser bombardeada de propaganda das Casas Bahia.
Fora isso, quando tenho um intervalo ocioso, ou quando preciso pegar uma fila no correio, leio meus sites favoritos via RSS. Ou leio um e-book.
É engraçado, embora não tenha mudado meus hábitos tradicionais de leitura, de 2003 para cá o número de livros que leio por ano aumenta sempre.
Não me considero desinformada. Mas acho que estou aprendendo a ignorar aquilo que não me acrescenta nada. Não tenho o menor interesse em saber quem ganhou o Big Brother. Ou qual é a próxima novela das oito. Ou onde o Jack Johnson vai tocar. Ou como anda a venda de ovos de Páscoa. ]Mas gosto de acompanhar a política nacional, o mundo dos palms e pockets, o tricolor na libertadores.
E talvez por gostar de fazer tantas coisas diferentes (odontologia, tecnologia, jornalismo) creio que aprendi meio "na marra" a aproveitar melhor o tempo que disponho, sem deixar de comer, dormir, namorar, ir no cinema, pedalar, jogar conversa fora com os amigos...
postado via wi-fi
Escrito por Bia Kunze em Cybercultura em abril 18, 2006 05:06 PM
IMPORTANTE: escrevam nos comentários somente o que estiver dentro do assunto do post. Dúvidas genéricas sobre outros assuntos, mandem-nas para: bia arroba garotasemfio.com.br. Obrigada!
Complicado, nos mantemos informados do que gostamos, mas nos excluímos de coisas que podemos vir a gostar por apenas selecionar o que queremos ver, tem 2 lados da moeda ai.
Escrito por Walter Jr. em abril 19, 2006 10:44 PM
Muito pertinente Bia!! Dê uma olhada nisso: http://www.desligueatv.org.br/ achei FANTÁSTICO!!!! ...como diz o cabeça-de-alho do mesmo programa!
Escrito por Fabio "Lobo" em abril 20, 2006 01:10 AM
Bia,
estou plenamente de acordo!
Muito oportuna sua abordagem, mas o preocupante é que a grande maioria ainda não acordou para isso. (uma tv nova ou maior continua a ser o grande sonho de consumo da maioria). E para ver o quê?
O que as tvs nos impõem, na hora que elas querem...
E para manter toda essa demanda ocupada e cada vez mais alheia, toma-lhe: BBB, Orkut etc
Acho importante alguém falar sobre esse assunto, para se refletir e mostrar que a era é sim da informação (que agrege conhecimento que antes não se tinha acesso) e não do aprisionamento ao lixo tecnológico em abundância, sem raciocinar, somente por modismo.
Escrito por Antonio Luiz em abril 23, 2006 09:30 PM
Um problema importante também é que com tanta informação, as vezes procuramos coisas simples e somos bombardeados de outras coisas irrelevantes, e com tantas opções de "buscadores de conteúdo" fica dificil de saber em qual confiar. Eu ouvi uma vez, acho que no podcast do Gui Leite, naum me lembro qual que atualmente um ser humano "informatizado" se imprimi-se todo conteúdo produzido, agora naum sei se por um ano ou pela vida, daria 10 caminhões baú lotados. Ai me pergunto e pergunto a você: usamos a nosso favor toda essa informação? ou isso naum passa de um monte scraps inúteis do orkut?.
Escrito por Heitor em abril 23, 2006 11:21 PM
Nao consigo mais ficar sem o computador.Ele na minha vida e indispensavel.Sem televisao,sem todas essas tecnologias de hoje em dia.
Escrito por Suusuuh. em outubro 22, 2007 12:42 PM
