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junho 20, 2006
Mudança e filosofia (I)
Separando meus livros, DVDs e CDs na mudança para minha casa nova, encontrei 'preciosidades' que estavam esquecidas no fundo das gavetas. Mais que suor e estresse, fazer essa mudança trouxe momentos de filosofia, revivendo o passado.
Comparando minha atual faculdade de jornalismo com a primeira, de odonto, que cursei de 1993 a 1997, concluí que a disponibilidade e o acesso à informação hoje, comparando-se àquela época, chega a assustar. E não se trata só de internet e Google, como vocês devem estar pensando!
Naquela época eu já sofria de arroubos de ecletismo (fui modelo, fiz teatro, dei aulas de inglês, estudei francês e alemão e dedicava as horas livres ao cartunismo), vanguardismo 'mobile' (gravava aulas em fitas K7, ouvia no walkman e transcrevia no ônibus) e ensaiava os primeiros passos na vida digital.
Entre as 'preciosidades' resgatadas entre traças e aranhas estão fitas K7 de música e aulas, pilhas de xerox, VHS gravados da TV à cabo com filmes do Gene Kelly, cadernos escritos com canetas perfumadas, agendas repletas de caricaturas de colegas e professores (e adesivos do Garfield), transparências para retroprojetor (!), carrosséis de slides (!!), disquetões com trabalhos feitos no saudoso WordStar e disquetinhos com trabalhos em WordPerfect. Caramba!
Mas o que me chamou a atenção mesmo foram cadernos com listas dos livros e filmes que eu lia ou via a cada ano, além dos invantários de discos, fitas e, posteriormente, CDs.
Descontando-se os livros técnicos e acadêmicos, nesse período eu lia cerca de 17 livros por ano. Na lista de livros do ano passado (a planilha eletrônica do PDA substituiu o caderno pautado) estão listados 43 livros! Destes, apenas 1/3 são e-books. Com os filmes, hoje junto em um ano o que naquela época precisei de 20 anos. Com música é mais espantoso ainda, pois não tenho nem parâmetros de comparação. Naquela época elas ocupavam espaço físico no meu quarto. Hoje, ocupam setores lógicos de discos. Como faço para transformar isso em estatística? Calculando por baixo, entre CDs e DVDs lotados de MP3, tenho 100 GB de música. Isso daria quantos LPs, K7s ou CDs?
Afinal, o que mudou de lá para cá, se a vida está ainda mais corrida hoje, com mais trabalho e responsabilidades? Como consigo ler tanto, ouvir tanta música, ver tantos filmes? Seria apenas reflexo da revolução digital?
Se eu me transportasse no tempo de volta àquela época, conseguiria ouvir a variedade de música que necessito ouvir hoje? Conseguiria assistir a quantidade de filmes que necessito ver hoje?
Será que a vida digital mudou o mundo ou mudou minha forma de me relacionar com a informação?
Será que a 'Era da Informação', ao invés de estar no ar que respiramos, não está escondidinha dentro da gente?
postado via gprs
Escrito por Bia Kunze em Cybercultura em junho 20, 2006 12:02 PM
IMPORTANTE: escrevam nos comentários somente o que estiver dentro do assunto do post. Dúvidas genéricas sobre outros assuntos, mandem-nas para: bia arroba garotasemfio.com.br. Obrigada!
Será que o nosso cérebro evoluiu junto?
Será que apenas aumentamos o "clock" dos nossos relógios internos e vivemos mais intensamente e, paralelamente nos desgastamos mais rápido e consequentemente envelhecemos mais rápido.
São questionamentos interessantes, pois além disso o alimento que ingerimos é diferente, o ar que respiramos é diferente, o nosso modo de pensar, a moral e por aí vai.
Escrito por Fernando em junho 20, 2006 05:49 PM
Será que não estamos exagerando hoje em dia? e os momentos de relax sem música, leitura, filmes e, principalmente, sem PDAs e internet?
Escrito por Gustavo em junho 20, 2006 06:35 PM
100GB de música? Tu não tá exagerando um pouco não ein guria?
Escrito por João em junho 20, 2006 07:42 PM
Cheguei a ter no máximo 10 GB de músicas. Mais ou menos 6.500 músicas. Isso antes do meu HD antigo para de vez e eu perder tudo.
Caramba. 65.000 músicas? Uau.
Escrito por Joel Orbit em junho 20, 2006 11:46 PM
Bom seria mesmo se o nosso cérebro acompanhasse... hehehe...
MAs... voltando a polêmica... 100gb de música... é muita coisa!
Escrito por Joares em junho 21, 2006 11:56 AM
A vida digital mudou o mundo e consequentemente a forma de se relacionar com ele.
Quem aqui não gostaria que o dia tivesse pelo menos algumas horas a mais? 24 horas, é muito pouco!
A quantidade de imformação é tão "violenta" que não consiguimos assimilar tudo o que queremos.
Essa velocidade toda, as vezes nos dá muita quantidade e pouca qualidade. Infelizmente, temos que a aprender a filtrar as informações relavantes a nossa vida!
Escrito por Raphael Grassi em junho 21, 2006 12:05 PM
É isto mesmo Bia, gostei deste momento retrô, isto reflete muito o nosso passado de início na era da informática, o seu então nem se fala, seu contato com o mundo digital/virtual/ e real foi um pouco mais precoce que o meu é claro, que tive o meu primeiro contado com um PC em 1996, estes momentos são muito importante para reflexão de quanto a tecnologia evolui, e ainda acredito que absorvemos apenas uma pequena parte da imensidão que é "ela".
Escrito por Ricardo Sena em junho 22, 2006 12:44 AM
