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setembro 03, 2006
O DOPS da música (II)
Antes de ler esse artigo, recomendo que se leia a primeira parte: O DOPS da música (I). Agora falo um pouco de DRM e da minha experiência com sites de venda de música online.
Foi o maior fuzuê na web quando o Fairuse4wm, que crackeia a tecnologia DRM (Digital Rights Management) da Microsoft, caiu na rede. Agora a Apple foi vítima de um software que faz o mesmo com sua tecnologia, o QTFairUse6, que apareceu em redes de BitTorrent. Os dois aplicativos eliminam as proteções, permitindo o livre uso e compartilhamento dos arquivos de áudio protegidos.
Minha experiência com esse tipo de proteção faz com que eu seja terminantemente contra tal política. Que saudades dos tempos em que se comprava vinis e se fazia o que bem entendesse com eles! Ouvia em qualquer aparelho, emprestava... depois vieram as fitas K7 e todo mundo começou a copiar seus discos para ouvir no walkman. Lembram disso?
Pois hoje, na era digital, onde se trocam arquivos de músicas com uma facilidade imensa, as gravadoras entraram em desepero e colocaram em prática bloqueios absurdos. Não sou nenhuma santa, uso muito a rede BitTorrent, mas gosto de pagar pelo trabalho de um artista que admiro. Desde que eu possa fazer o que eu bem entender com as músicas que compro!
Há cerca de 2 anos comprei algumas músicas raras em sites internacionais de música online. Todas em WMA com a proteção da Microsoft, com 2 licenças de uso, ou seja, podia-se ouvi-las em 2 aparelhos distintos. Ouvia numa boa no WMP no PC e no Dell Axim x30. Depois troquei de PDA e perdi a licença, depois me desfiz do PC por um notebook e perdi a outra licença. Achei desaforo ter que pagar pelas músicas de novo e não o fiz. Não conseguia nem criar CDs de áudio. Logo depois entrei para o mundo maravilhoso do iPod, que sequer aceitaria WMA e o DRM da Microsoft... aí que desisti de uma vez. Minhas músicas ficaram sem ter como serem ouvidas e entraram num ostracismo digital. E como a Apple só vende via iTunes Music Store, indisponível no país, não tenho como adquirir música legalmente.
Então começaram a surgir alternativas.
Caçando músicas para o LostCast, eu e o Gui Leite encontramos faixas raras no www.allofmp3.com, disponíveis em uma grande variedade de formatos e sem proteção alguma. E com preços muito convidativos. Há faixas por 8, 15, 20 centavos de dólar, e álbuns inteiros por 3 dólares. Discutimos o receio de se comprar num site russo. Mas ele resolveu arriscar e se deu bem. Logo depois embarquei nessa também e posso dizer hoje que estou bem satisfeita com o serviço.
Em busca de mais opções de músicas brasileiras, fui conferir o UOL Megastore. O que me chamou a atenção foi o fato deles anunciarem com destaque que é possível ouvir em iPod as músicas lá vendidas. Checando a história, vi que não há nenhum segredo: eles recomendam que se grave as faixas adquiridas num CD de áudio e depois o ripe de volta no iTunes. Dá um pouco de trabalho, mas já é uma opção.
Comprei alguns créditos para experimentar o serviço. Cada música adquirida dá direito a 5 licenças e você deve obrigatoriamente ouvi-las no Windows Media Player. Transferi-as para o WMP do Pocket PC e rodaram direitinho. Só me frustrei com o acervo. Não encontrei os últimos álbuns de bandas como Paralamas e Titãs. Outra coisa estranha é o critério de tarifação das músicas e álbuns. Há faixas de diversos preços, mas não há desconto na compra do álbum inteiro. Graças a isso, o Acústico MTV do Ultraje a Rigor sai por absurdos R$ 79,60, pois cada faixa sai por R$ 1,99 - seja separada ou no álbum todo.
E para finalizar esse post, quero agradecer ao Edinho, leitor desse blog, que se ofereceu para "dar um jeito" nas minhas músicas antigas que não consegui mais ouvir por causa do maldito bloqueio. A história é mais ou menos a seguinte: há cerca de 2 anos comprei várias músicas em sites por aí, todas em WMA, com o DRM da Microsoft. No início tudo bem, mesmo achando um saco ouvi-las no WMP obrigatoriamente. Logo em seguida comprei um Dell Axim x30 e me decepcionei. Várias músicas não aceitavam o dispositivo, pois só tinham permissão para tocar em um dispositivo. Algumas não deixavam nem queimar um CD de áudio! Fiquei uma arara e nunca mais comprei música online. Uma pena que muitos desses álbuns adquiridos não existiam em lugar algum à venda, e nem em redes de bitorrent eu encontrei. São álbuns do Bing Crosby da década de 40 e de metal de bandas européias praticamente desconhecidas do lado de cá do Atlântico.
O Edinho copiou minhas músicas e depois as entregou para mim de volta, aqui em casa, em MP3, limpinhas. Maravilhada, perguntei qual o segredo. E ele disse que no Linux, o DRM da Microsoft é simplesmente ignorado. Bastou um programa de conversão. Simples assim. Sou uma criminosa? Digam o que quiser, gravadoras, mas as músicas são minhas, paguei por elas e tudo o que eu quero é ouvi-las. E basta.
É por isso que as redes de BitTorrent fazem um tremendo sucesso: vai além, muito além de simplesmente serem de graça.
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Escrito por Bia Kunze em Cybercultura | Música Móvel em setembro 3, 2006 10:59 PM
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Bia, querida,
Concordo com tudo que você disse! Aliás, acho que esses bloqueios são tiro no próprio pé. Ora, bolas, afinal de contas que sentido fazem os bloqueios, se as pessoas ouvem música no som do carro (cujos aparelhos cada vez mais aceitam mp3), no iPod (que não aceita as restrições da Microsoft), no computador, no som da sala, etc. Ora, se os locais são múltiplos, sistemas proprietários não fazem sentido algum! E sistemas que privam o usuário de ouvir suas músicas onde quiserem são ainda piores!
Escrito por oculos em setembro 4, 2006 08:45 AM
A sugestão do UOL é, no mínimo estranha, pois a perda de qualidade de vc converter para CDA e depois para MP3 deve ser enorme...
Escrito por Marcelo Rosa em setembro 4, 2006 10:25 AM
Marcelo, creio que não há perda alguma, é tudo formato digital, não existe possibilidade de haver distorções no som, nem qualquer tipo de interferência externa. Mas o trabalho de ter que fazer isso para mim já não compensa, a preguiça fala mais alto. :)
Escrito por @le em setembro 4, 2006 02:26 PM
Complementando o comentário anterior, creio eu que as empresas poderiam se empenhar em implantar o Paypal para realizar as cobranças, seria interessante, não?
Escrito por @le em setembro 4, 2006 02:30 PM
"Digam o que quiser, gravadoras, mas as músicas são minhas, paguei por elas e tudo o que eu quero é ouvi-las. E basta."
Bia para presidente! ;)
Na busca pela proteção perdida (ou como você deixou claro, pelo dinheiro perdido! Ja que FK7 ja copiavam vinis a vários anos atrás) os interessados em pagar para ouvir o trabalho de um artista saem prejudicados. Devemos ter o direito ouvir uma música que COMPRAMOS onde quisermos, da forma que quisermos. Não é pirataria, é liberdade de escolha da mídia.
Escrito por R. Anjo em setembro 4, 2006 05:08 PM
