janeiro 15, 2008
O que CES e MacWorld têm em comum?
A MacWorld Expo está rolando em São Francisco e logo mais teremos o agurdado keynote do tio Istive. Nesse meio tempo, podemos avaliar as semelhanças e diferenças entre o que a CES mostrou e o que deve bombar na MacWorld.
Além das TVs de alta definição, a CES mostrou que o futuro é móvel e sem fio, mas curiosamente, não tivemos quase nada de novidades entre os smartphones. As grandes "vedetes" móveis da feira de Las Vegas foram os UMPCs - Ultra Mobile PCs.
A fronteira entre notebooks esbeltos e UMPCs parece bem tênue. Mas qual a real diferença entre um e outro? Um mini-notebook com menos de 1 kg e poderosérrimo pode ser considerado UMPC? Ou um UMPC é um dispositivo intermediário entre PDA e notebook? O UMPC deve reproduzir o ambiente de um desktop? Ou deve fornecer uma interface mais simplificada para priorizar atividades que seriam uma extensão de um desktop? Um UMPC substitui um notebook? Um UMPC é a mesma coisa que um sub-notebook?
Infelizmente, não posso fornecer respostas. Não sei bem a quem os UMPCs realmente se destinam, acho que falta definir muita coisa e os usuários leigos estão perdidos. Falta até mesmo uma definição para o que é, afinal, um UMPC. Por enquanto, tudo é um oba-oba financiado pela Intel, que quer-porque-quer que os UMPCs decolem.
Na MacWorld, a expectativa é grande em cima de um novo MacBook. O povo viaja na maionese dizendo que ele será multi-touch, terá o formato de um Tablet, terá WiMax, entre outras coisas. Bobagem. Mas quando se trata do mundo dos MacRumores, a criatividade dos geeks não tem limites.
Também se fala de um iPhone com um pouco mais de memória e 3G. Mas mais do que isso, acho difícil no momento. O que veremos com certeza é o catálogo da iTunes engordar e novas parcerias entre empresas para fornecimento de conteúdo. Ah, e alguns demos do SDK e de programinhas oficiais para iPhone e iPod Touch seriam bem-vindos também.
Mas não vou ficar palpitando aqui, não sou boa nisso e Apple adora surpreender.
Estarei acompanhando a MacWorld online, entre um paciente e outro, e tentarei ouvir o áudio da apresentação por streaming. Postarei no Twitter minhas impressões e comentários, mas vocês também poderão acompanhar as opiniões de alguns outros MacTarados, como o Gui, o Rafael e o Marcelo.
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escrito por Bia Kunze em Gadgets às 03:15 PM | Comentários (2) | Citações
janeiro 09, 2008
Como foi 2007 e como será 2008 no mundo mobile
Olá, pessoal! Como foram de virada? Dei uma sumida do blog para descansar e repor as energias, já que 2008 será um ano agitado. Aliás, o agito já começou segunda, quando voltei a atender. Eu pretendia voltar a postar no blog nesse dia mesmo, mas o telefone não parava de tocar. A prova que esse ano será agitado começou bem cedo, com fluxo atípico de clientes para essa época do ano.
Para mim, a primeira semana do ano é fundamental para definir como será meu ano como um todo. Faço um planejamento, estipulo metas, defino prioridades, dou um purge no meu Outlook... tudo com a finalidade de manter foco no que realmente importa. Monto mind-maps e refaço minhas categorias de tarefas e projetos no Outlook e no Pocket Informant. E calculo o grau de sucesso que atingi, analisando o cumprimento das metas estipuladas para o ano antecessor. Acho que esse tipo de planejamento é fundamental para todo profissional que quer ver sua carreira sempre crescendo. E comigo tem dado super certo. Minhas grandes referências nesse campo são David Allen (do célebre guia "Getting Things Done"), Stephen Covey (aquele dos "7 Hábitos das Pessoas Eficazes") e Bruce Keener, consultor da PC Magazine, que usa a tecnologia em prol da produtividade de maneira exemplar.
Mas vamos ao que interessa. É hora de, enfim, eu fazer um balanço, não?
O ano de 2007 foi o ano do smartphone. Logo de cara o mundo voltou suas atenções para o Jesusphone, ops, iPhone, e desde então parece que todo mundo descobriu que smartphones existem. Mais que isso, fãs do celular da Apple recém-aderidos ao mundo mobile se admiram de ver Treos e Pocket PCs com tela sensível ao toque. Pode? Tudo isso mostra o poder que a Apple tem em atender necessidades dos leigos e criar novas para todos...
Para quem já é do meio, a grande tetéia foi o Nokia N95, hoje disponível em muitos "sabores", com um número grande de fãs aqui no Brasil também. No exterior, um aparelho Windows Mobile também fez um grande sucesso por trazer ao mesmo tempo beleza, leveza e uma interface mais amigável, o HTC Touch. Porém, o aparelho que virou o queridinho dos heavy-users e fãs mais exigentes foi o TyTN II, também da HTC. Ambos estão chegando agora nas lojas brazucas.
Saindo do mundo dos smartphones, tivemos muito oba-oba em cima do Kindle, da Amazon, um leitor de ebooks que quer ser "o iPod dos livros" (mas não será, e em breve farei um post aqui no blog explicando meus motivos) e dos UMPCs, que estão cada vez mais legais, mas ainda têm muito chão para cair no gosto do usuário comum. E tivemos o fiasco do Palm Foleo, que para muitos, foi simplesmente "o mico do ano". Aliás, na última semana de 2007, a Folha de São Paulo reuniu um time de especialistas em tecnologia para eleger o melhor e o pior de 2007 na área e o Foleo foi bastante citado. Sobre essa eleição da Folha de São Paulo, da qual tive oportunidade de participar do júri, vocês encontram as informações completas aqui.
Já 2008, não resta dúvida, será o ano da internet móvel. Agora com os serviços 3G despontando no Brasil, podemos esperar uma avalanche de produtos e serviços. Muita gente tem me questionado se o ágio altíssimo que as operadoras pagaram no último leilão de frequências 3G, em dezembro, não vai puxar os preços lá para cima. Bem, é claro que o investimento das empresas será todo repassado aos consumidores, mas a concorrência está tão grande que, sinceramente, acho que isso não vai acontecer.
Além da internet móvel, temos os UMPCs e a convergência. Nunca vi tantos PCs ultra-portáteis surgindo no mercado como agora. Alguns caríssimos e superpoderosos, outros espartanos e baratos, como o popularíssimo EEE da Asus, que deve ganhar um sucessor em breve. O público-alvo desses ultra-mobiles não está bem definido, mas de uma maneira geral, o que eu noto, pelo menos no Brasil, é que há um grande número de pessoas com desktop em casa, ou mesmo notebook, querendo uma máquina simples e barata para levar na rua e em viagens, para tarefas básicas. A grande verdade é que boa parte dos internautas hoje faz qualquer coisa apenas com uma conexão móvel e um browser, não é? Uma máquina simples, leve, versátil em termos de conectividade e rodando software livre tem tudo para ser aceita no nosso país. Mas vamos ver se a idéia vai vingar e se os impostos não vão atrapalhar.
TV Digital? Sei não... não dá para dizer, lógico, que a TV Digital em 2007 foi um fiasco, porque a introdução da novidade foi no fim do ano e praticamente simbólica, já que conversores, set-top boxes e TVs prontas para o sistema ainda são cabeça de bacalhau. Mas eu acho que 2008 ainda não será o ano da TV Digital. Creio que o negócio esquente mesmo em 2009, quando tivermos um grande número de capitais cobertas e o sinal começar a funcionar no interior. TV Digital no celular? Xiiii... há uma série de complicações que não deixarão a gente desfrutar disso tão cedo, mas isso é assunto para outro post.
Por fim, não podemos esquecer de algo que, para mim, será um dos acontecimentos mais importantes do ano: o início da portabilidade numérica na telefonia fixa e celular. Obviamente vocês não verão as operadoras falarem nisso por aí, porém a Anatel já definiu um calendário de implementação e cabe a nós, consumidores, ficarmos de olho e cobrarmos o cumprimento dessas datas. Aqui vocês têm o calendário e mais detalhes sobre portabilidade numérica.
Por que eu acho a portabilidade numérica tão importante? Bem, um dos motivos das operadoras de telefonia tratarem tão mal os clientes é o poder que eles têm de nos escravizar a partir de um número. Para boa parte das pessoas, o seu número de telefone é mais que um cartão de visitas, e, para muitos profissionais, é a alma do seu negócio. Portanto, as políticas de fidelização inexistem, já que somos reféns da operadora que é dona de nosso número. Tornar-se cliente deles é muito fácil, os preços são atraentes, há promoções incríveis a inscrição nos serviços é rápida. Uma vez dentro da teia, começa aquele pesadelo que todos conhecemos bem. Quando formos donos de nossos números, as operadoras terão que nos tratar direito se quiserem nos manter clientes...
Mais uma vez, um ótimo (e móvel!) 2008 a todos, e vamos que vamos, que a CES tá rolando e tenho muita coisa para falar a respeito!
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 01:09 PM | Comentários (9) | Citações
novembro 07, 2007
Análise do Nokia Nseries (r)evolution
Eu já havia comentado aqui no blog que, assim como a Apple virou uma empresa de entretenimento audiovisual, a Nokia está se firmando como uma empresa de internet móvel colaborativa.
No Nokia Nseries (r)evolution, recém-ocorrido em Buenos Aires, a empresa mostrou para a América Latina que ela já alcança consideráveis índices de penetração de internet com relação ao resto do mundo. Preços acessíveis têm um papel importante na sustentação desse crescimento.
E o que os latino-americanos mais gostam de fazer na internet? Conversar, compartilhar fotos e participar de redes sociais, mostram os números. É o público ideal para o Ovi, que, mais que meramente um portal, a Nokia anuncia como um ambiente. Um ambiente onde pessoas vivem a nova realidade da música, video, podcast, jogos e relações sociais.
O novo N-Gage
Desde os tempos dos primeiros jogos Snake em celulares, os games sempre estiveram dentro do contexto de entretenimento da Nokia. Depois vieram os celulares N-Gage, que arrebanharam fãs pelo mundo. Para quem achava que o N-Gage estava morto, ou pelo menos esquecido, os novos NSeries ressuscitam-no como plataforma, e, desta vez, com fortíssimo caráter participativo - algo que só foi possível com a popularização da internet móvel.
Jogos móveis são mais passíveis de sucesso que os consoles porque as pessoas gostam de jogar nos momentos de tédio, quando aguardam alguma coisa, e nem sempre há opções de passatempo por perto. Os jogos portáteis são simples, práticos, e o melhor, nessa era da convergência, estão sempre disponíveis na palma da mão.
Agora o N-Gage deixou de ser um aparelho e passou a ser uma plataforma de diversão. Depois de instalado no Nokia N81, ou qualquer outro Nserie mais recente, o usuário poderá escolher e baixar jogos de uma loja online móvel. Segundo a Nokia, todos os jogos poderão ser testados por alguns dias antes de serem ou não comprados. Mas o mais divertido é o caráter social do ambiente: pode-se travar competições online com outros usuários do serviço, trocar mensagens com eles, compartilhar conteúdo e participar de rankings e comunidades de gamers. Tudo da telinha do celular.
Nokia Search
Um outro serviço legal que a Nokia está trazendo aos seus usuários é o Search. Os serviços de busca estão se tornando cada vez mais inteligentes: a partir do celular, o usuário pode pesquisar conteúdo relevante não só na internet, mas também dentro do próprio dispositivo. Ficou bem mais fácil procurar contatos, mensagens, música ou qualquer outro tipo de dado.
Uma parceria com serviços locais, no caso do Brasil, com a a ListaOnline, trará para os dispositivos móveis o mesmo mecanismo de busca da consagrada versão da Lista Online presente na internet. Desde restaurantes até médicos cardiologistas, praticamente qualquer produto ou serviço pode ser encontrado em poucos segundos, e em seguida, pode-se traçar uma rota para se chegar lá usando o Nokia Maps. Isso faz toda a diferença do mundo para quem está na rua. É como se as páginas amarelas das listas telefônicas estivessem dentro do celular. A parceria já está em ação e disponível para download aos usuários brasileiros. (falarei a respeito no próximo post)
Nokia Music Store
A indústria da música é bilionária, mas que não está crescendo mais. O perfil do consumidor de música mudou. O futuro sugere que esse tipo de conteúdo não será mais distribuído através de mídias físicas, pois ele deixou de ser produto para se tornar um serviço de internet. E com os filmes, a transformação não será diferente. Ao contrário do que a indústria tradicional enxerga, a crise do audivisual não é um problema, mas uma oportunidade de novos negócios.
A iTunes Store, da Apple, provou que esse modelo de negócios é viável. Basta que se forneça o que o usuário quer a preços competitivos. É fundamental também a simplicidade de gerencimaneto de conteúdo músical entre celulares e computadores.
Nem tudo são flores
Todos esses aparelhos e serviços móveis à nossa disposição são uma maravilha. Porém, com a tecnologia que temos em nossas mãos hoje, poderíamos estar fazendo muito mais. Infelizmente, as gravadoras e as operadoras de telefonia celular ainda são o maior impedimento para a prosperidade desse mundo novo. As políticas de bloqueio de aparelhos e restrições de acesso a serviços colocam em xeque toda essa liberdade que a tecnologia móvel promove em teoria.
O próprio Ovi está sofrendo desse mal, tendo seu acesso bloqueado por certas operadoras européias. Mas o mundo da música é que mais sofre com essas políticas restritivas.
Embora os adolescentes de hoje conheçam bandas alternativas de lugares longínquos, algo que as gerações passadas sequer sonhariam, as gravadoras relutam em ceder seu conteúdo de forma globalizada, estipulando o que deve ser acessado em cada país do mundo. A iTunes Store até hoje não tem versão brasileira. A Apple, as gravadoras e os artistas não entraram num consenso sobre o repertório a ser disponibilizado e as porcentagens de cada parte nos lucros.
A Nokia Music Store já funciona a todo vapor na Europa e está confirmada para estrear no Brasil em breve. Mas ainda não sabemos o quanto a indústria musical vai ajudar ou atrapalhar nesse processo. A (r)evolução está, infelizmente, em modo stand-by.
Essas políticas de bloqueios são mesmo necessárias nesse novo modelo de negócio? Anssi Vanjoki, vice-presidente executivo e gerente geral de multimídia da Nokia, descoversa e diz que isso não está nas mãos de empresas como a sua. Tudo depende de um bom relacionamento entre os diversos setores envolvidos no segmento da telefonia móvel.
E pelo que tenho notado ultimamente, as Telecoms não gostam de discutir seus modelos de negócios com os usuários. Uma pena. Tudo isso prova que evoluímos muito em tecnologia, mas nas políticas administrativas, continuamos na idade da pedra.
* * *
Nos próximos posts, falarei do Nokia N81, de GPS, do Nokia Saerch, da loja e de música e outros produtos e serviços legais.
Galeria de fotos, aqui.
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escrito por Bia Kunze em Symbian às 09:33 AM | Comentários (10) | Citações
junho 18, 2007
Semana da mobilidade
Em 2003, o nome "Garota Sem Fio" parecia uma coisa tão futurística e fora da realidade que eu era sempre obrigada a explicar o que significava. Tecnologia já era algo meio de birutas e nerds. Móvel, então, era quase ficção científica.
E hoje, 2007, temos até uma “Semana da Mobilidade” - essa, promovida pela Intel, e que começou hoje. O tema do evento é “leve o mundo em suas mãos” e haverá várias atividades sobre os benefícios da computação sem fio. Hoje foi o dia do lançamento da nova geração da plataforma Intel Centrino Duo no Brasil. Essa semana será repleta de atividades ligadas à mobilidade, desde demonstrações de produtos até palestras sobre tecnologia wireless na FAAP. A programação vai até domingo, com cada dia dedicado a um tema. A programação completa está aqui. Uma pena que não poderei participar in loco, já que acabei de chegar de São Paulo e estou em semana de provas na faculdade. Eu sou móvel, mas ainda sou só uma... :-)
Irriquieta, cheia de planos e já multitarefa, comecei a usar celular em 1997. Eles ainda eram vistos como um luxo dispendioso. Eu já via como investimento: recém-formada, servindo o exército e cursando especialização, podia estar em vários lugares e ainda montar um consultório incipiente e estar disponível para meu "princípio de clientela" onde eu estivesse. Deu certo.
Em 2001, quando entrei no mundo móvel com meu primeiro Palm, talvez eu já tenha vislumbrado o futuro que eu desejava em termos de administração pessoal, tempo e produtividade. As fichas clínicas morreram, o DEF ficou esquecido na gaveta e a agenda de papel deixou de ser solicitada em eventos de amigo-secreto no fim do ano.
Em 2003, quando comecei a blogar, as pessoas achavam esquisito quando eu falava que era "sem fio" ou "móvel". Como assim, sem fio? Fio dental? Como assim, móvel? Você anda? Se desloca?
Estranho? Hoje obviamente não. Não é à toa que me apaixonei por portáteis: eles significam liberdade. Nada pode ser mais nauseante do que passar o dia numa sala fechada, grudada numa cadeira e com o olho numa tela. Não, para alguém inquieta como eu, isso seria o fim.
Em 2005 abandonei o desktop de uma vez por todas e minha vida digital passou a girar apenas em meu notebook, meu smartphone e meu plano de dados GPRS ilimitado.
Mais que uma paixão, a mobilidade virou meu cartão de visitas. Me transformei numa uma dentista móvel, itinerante; vou até onde os meus pacientes, impossibilitados de freqüentar um consultório convencional, estão. Graças à tecnologia móvel, os prontuários deles vão comigo no meu bolso, junto com meus livros, guias farmacêuticos e referências em geral. Leio meus e-mails e RSS onde eu quiser. Escrevo meus textos em qualquer lugar, falo pelo Skype no meu próprio smartphone e ainda ouço música e rádios online. O PC de mesa, que para muitos ainda é uma pequena "caixa de maravilhas", ainda mais num país que engatinha na inclusão digital, para mim é acessório. Mesmo o notebook, uso bem menos que o smartphone.
Minha vida mudou bastante depois que descobri o mundo wireless. Além de dentista, fui cursar comunicação, virei blogueira, podcaster, palestrante. Mas jamais abri mão da minha vida pessoal, do meu tempo de lazer. Otimizei meu tempo, e hoje me divirto tanto - ou até mais - que na época pré-mobilidade. A diferença é que trabalho menos, mas o tempo rende mais!
Como é que eu conseguiria fazer tanta coisa se eu não fosse... móvel?

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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 11:58 PM | Comentários (12) | Citações
maio 29, 2007
Novos tempos, velhos estigmas
Em 2003, o jornal O Globo publicou uma matéria falando dos blogueiros móveis, que sacavam seus palms, os conectavam aos celulares por bluetooth e abasteciam seus blogs com conteúdo. Toda a meia dúzia de blogueiros móveis do país que fazia isso estava lá...
Os tempos mudaram. Agora, o Estadão levanta o mesmo assunto mas com uma abordagem completamente diferente: todo mundo tem blog e todo mundo tem celular, então, todo mundo pode blogar. Que bom, assim nós, fãs de mobilidade, passamos a não ser mais vistos como ETs.
Tá bom, vai. Forcei demais. Passamos a ser menos vistos como ETs então... ;)
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 11:14 AM | Comentários (11) | Citações
maio 16, 2007
Ilhados na multidão
Engraçado como estamos, em nossas rotinas, nos tornando cada vez mais fechados em nossos próprios mundinhos, entregues à atividades individualistas.
Somado à isso, a computação pessoal e os meios de comunicacão de massa nos isolam de nossos convivas, paradoxalmente nos atirando numa aldeia global.
Você sai para o trabalho cedo, de ônibus ou carro, sozinho. Rádio e MP3 player ajudam a aplacar o tédio e a tensão do trânsito, ouvindo suas músicas favoritas ou as primeiras notícias do dia.
Você está por dentro do que acontece em outros continentes, conhece bandas e ícones da cultura pop de outros países, mas às vezes não sabe nem o nome do seu vizinho, que toca violão. Sim, é ele, não é TV no volume alto!
Você não conhece a feira de comidas típicas que tem todo sábado no seu bairro, mas sabe que o Papa adora foie gras.
Você não é um motorista gentil, poda os demais veículos e ainda xinga o ente que não ligou a seta antes de virar a esquina. As palavras menos grosseiras costumam ser 'tinha que ser mulher'.
No trabalho, você até cumprimenta os colegas, por praxe, mas logo se isola em seu cubículo.
Você percebe que aquele office-boy mala quer puxar papo, mas finge estar no telefone para ele desistir e ir embora logo. Com certeza ela vinha falar o quanto o time dele é bom e chamar você de bambi.
Pelo computador, você vê como ficou a Britney Spears depois de raspar os cabelos - entenda nisso o cabelo que quiser - ou descobre que aquele comediante sem-graça da TV está internado com apendicite. Mas não percebe que a colega do cubículo ao lado está resfriada. Aliás, ela estava de cama ontem e faltou ao trabalho, mas você nem notou.
No meu trabalho, lido direto com pessoas, mas nos falamos pouco. No máximo, antes da consulta, falamos de amenidades - o tempo, o trabalho, a última do Clodovil. Não sou daquelas dentistas que desfia monólogos intermináveis enquanto o paciente, coitado, não tem a mínima condição de responder. Acho esquisito. Durante a consulta, prefiro colocar uma música boa, aumentar o som, apagar a luz da sala e só deixar o refletor aceso. Para os mais nervosos, headphone e new age ajudam a camuflar o ziiiiiiiiiiimmmm do 'motorzinho'. Que, felizmente, quase não uso.
Na pausa para o café, seu chefe se aproxima de você. Nem é para perguntar como vai a colega resfriada ou. É para dar mais serviço. Bem, pelo menos ele não o chamou de bambi.
Depois do almoço, em geral corrido, vem mais trabalho: leitura, escrita, e-mails, atividades manuais, telefonemas. Para muitos, os foninhos e sua seleção musical ajudam na concentração. Mas lá está você, de novo, ausente do mundo real.
Fim de expediente. O chefe, além de sair meia hora, avisa: 'quero o relatório para amanhã, bambi'.
Na rua, mais foninhos, mais rádio, mais barbeiragens no trânsito - pombas, de novo mulher? Só podia!
E em casa? Você perguntou a seu cônjuge ontem de noite como foi o dia dele? Ou só quis saber se ele pagou a conta de luz e levou o poodle para passear?
E seus filhos? Perguntou o que eles aprenderam ontem na escola? Ou eles se trancaram no quarto para navegar no Orkut?
Ah, ok, você até estava a fim de conversar, mas a esposa queria ver a comentadíssima cena da novela em que duas atrizes se pegariam no tapa. Depois, quando ela estava a fim de perguntar sobre o seu dia, foi sua vez de trocar de canal - dia de estréia do seu time no brasileirão, oras! Justo contra o time do office-boy mala!
Aí vem banho e cama. Você lembra da foto da Britney raspadinha - epa! - e se aconchega na esposa... mas ela já está roncando alto.
O ser humano não é uma ilha. Evoluimos e viramos arquipélago.
Agora de manhã você está aí, no computador, no PDA, no celular - na internet, enfim - lendo este blog. E eu, no smartphone, aproveitei e escrevi esse post rápido enquanto esperava a água do meu banho aquecer e a cafeteira passar o café.
Você já deu bom-dia para algum amigo hoje? Por MSN não vale!
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 09:20 AM | Comentários (26) | Citações
maio 14, 2007
Nem 8, nem 80
Eu sou contra qualquer tipo de imposição. Ainda que seja para um *suposto* bem comum. Afinal, nenhuma ideologia que é imposta sem ser discutida pode resultar em bem comum.
Não sou eu quem digo isso. É a História. Por causa de um regime de governo que queria o bem comum, meus avós passaram a juventude esfregando batatas em queijos embolorados, para pegar o cheirinho, pois uma fatia de queijo não dava para alimentar a família toda.
Onde eu quero chegar com isso?
Situação 1.
A Câmara dos Deputados levanta a bola: proclamar o dia 11 de maio feriado nacional, por causa do Frei Galvão, agora santo.
A bancada evangélica chia: não reconhece os santos católicos. Dia 11 de maio não pode ser feriado nacional, afinal, vivemos num estado laico. Onde fica a liberdade de religião de cada um?
Ok, ok. A Câmara propõe uma votação popular. Santifica o dia 11 de maio ou não? A bancada evangélica protesta de volta. Não, não pode haver votação. Não pode santificar e ponto final.
Uai, quem foi que falou em liberdade?
Situação 2.
Preocupados com os índices de mortalidade no país por causa de abortos clandestinos, o governo propõe legalizá-lo.
A CNBB bate o pé. Não pode. É pecado.
O governo rebate. É pecado para quem é católico. Não estamos preocupados com a consciência religiosa de cada um. A questão é de saúde pública. E aborto continuará sendo sempre uma opção, e não uma imposição.
Os católicos não aceitam a justificativa.
O Ministério da Saúde tenta uma solução democrática. Vamos abrir um canal de discussão, fazer uma votação popular?
A CNBB protesta de volta. Não, não e não. Não pode haver votação nem discussão. Não pode legalizar e ponto final.
Então tá. Vamos deixar a mocinha que tentou aborto com agulha de tricô sangrar até morrer. Afinal, é a vontade de Deus e ela é uma pecadora.
Situação 3.
O governo Lula vai privilegiar o sistema Linux e não dará espaço para que softwares como o Windows entrem na competição nos projetos de inclusão digital nas escolas.
Que maravilha, dizem os petistas. Vamos parar de gastar milhões com licenças de software proprietário!
Alguns professores acham esquisito. Afinal, 90% do mercado de trabalho exige conhecimentos em Windows para as colocações de emprego mais básicas. Mas tudo bem, pensam eles, sobrará mais dinheiro para nosso salário e capacitação profissional.
Se o problema é dinheiro, diz a Microsoft, ofereceremos Windows de graça.
Não, não, diz o assessor da Presidência, José de Aquino. Essa possibilidade não existe. Só usaremos software livre.
Ok, então. Vamos deixar nossos jovens desempregados. O guri que recém-acabou o 2º grau não conseguirá aquela vaga de recepcionista num laboratório de análises clínicas porque não tem a qualificação básica "Windows-Word-Excel" exigida no currículo. E que 90% do mercado usa.
Ah, quer saber? Azar do laboratório, que é do mal, pois usa software proprietário. Os jovens serão livres, é o que importa! Livres inclusive para ficarem desempregados.
Duvidam? Leiam aqui.
Gente, estamos falando de educação. Inclusão digital. Eu sou radicalmente a favor que repartições públicas e entidades governamentais usem software livre, afinal, trata-se de milhões economizados dos NOSSOS bolsos em licenças.
Mas na educação não. A escola tem que preparar a meninada para tudo. Vamos ensinar Linux, Ubuntu, Windows, vamos ensinar tudo aos jovens, principalmente a serem formadores de opinião e escolherem o que querem. É errado impor só Windows, tão errado quanto impor só Linux. Imposição não funciona. Conhecendo os dois sistemas, os jovens poderão até mudar a mentalidade dos mais velhos, mostrando as vantagens do software livre em contraposição ao software proprietário. Ah, sim, mesmo que eles queiram ser advogados no futuro, sinto muito, terão que aprender matemática também.
Podem falar que Linux é a única salvação contra os altos índices de pirataria que grassam no país. Mas a meu ver, até pirataria é opção. Assim como furar sinal vermelho, bater carteira na rua, jogar água na bomba de gasolina, ou qualquer outra contravenção. Pelo menos a pirataria deixaria de ser desculpa para a falta de conhecimento.
E quem acha que, ao expor as situações 1, 2 e 3, eu exagerei ao comparar sistema operacional com religião, está muito enganado.
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 08:37 PM | Comentários (81) | Citações
maio 03, 2007
Vícios modernos
Semana passada foi noticiado em tudo quanto é lugar o sufoco que milhões de usuários de Blackberry nos EUA passaram depois que o sistema de e-mail móvel mais famoso do mundo entrou em pane. O sistema parou de funcionar durante a noite e os assinantes do serviço de e-mail push da empresa ficaram sem acesso ao seu correio eletrônico.
Sabemos que há muita gente viciada em e-mail. Só que, mais do que puro vício, para executivos que dependem da rapidez para tomada de decisões ou fechamento de negócios, a pane (apelidada de "Crackberry") pode significar perda de dinheiro. Até aí tudo bem. Ninguém gosta de perder dinheiro.
Mas muita gente anda tão viciada em e-mail móvel que passa a ter sintomas físicos de abstinência. Até que ponto uma pane dessas sai do mero prejuízo financeiro para doença psiquiátrica? Pesquisadores descobriram no ano passado que um terço dos usuários de Blackberry mostraram alguns sintomas parecidos com os observados em vícios por álcool ou drogas. Sabemos que isso também acontece com viciados em games, ou em celular, ou em banda larga. Conheço uma meia dúzia que tem verdadeiros faniquitos quando o link de casa ou do escritório cai. Aliás, já presenciei um desses faniquitos e ainda tive que prestar socorro, fornecendo um providencial copo de água com açúcar...
Eu sou uma tech addict confessa. Mas nunca estrapolei, e já passei por situações as quais provaram que minha saúde mental é plena quando se fala em internet. Estou sem banda larga há quase 3 meses e não morri por isso. Abri mão de algumas coisas, é verdade, como downloads de filmes e seriados, mas nada que me fizesse ter crises de raiva. Raiva mesmo só passei pendurada no tele-atendimento de certos prestadores de serviço...
Se eu ficar sem minha conexão móvel e sinal de celular, aliás, isso aconteceu umas duas vezes de semana passada para cá, o máximo que vai acontecer é eu deixar de ler meus e-mails e feeds. Deixarei de postar no meu blog. Deixarei de trocar mensagens instantâneas com colegas e amigos. Mas se eu precisar falar com alguém com urgência, felizmente sempre haverá o orelhão da esquina. Eu ainda tenho um cartão telefônico na carteira, afinal de contas, moro sozinha e tenho alguns problemas de saúde crônicos que podem, eventualmente, necessitar de pronto-atendimento, como a asma.
Os depoimentos dos usuários de Blackberry, contudo, são bem peculiares. Colhi alguns divulgados pela Reuters:
No Capitólio dos EUA, em Washington, onde parlamentares e assistentes dependem do BlackBerry para se manterem atentos sobre mudanças legislativas e batalhas políticas, a interrupção temporária foi severa. "Senti como se meu braço esquerdo tivesse sido amputado", disse Joe Shoemaker, diretor de comunicações do senador democrata Dick Durbin, de Illinois. Charles Ross, advogado de defesa em Nova York, relatou que o corte nas comunicações o deixaram se sentindo "vulnerável e desconfortável", e o fez perder um compromisso com um colega. "Isso só me mostra como somos dependentes destes aparelhos móveis", disse Ross.
Na entrevista que dei para o Hoje Em Dia, da TV Record (que segundo a produção, vai ao ar na próxima terça-feira), assumi que sou dependente da tecnologia móvel na execução do meu trabalho. Sem meus apatrechos, me sentirei prejudicada por não poder trabalhar, já que sou profissional liberal e, se não trabalho, não ganho. Mas só. Se meu celular deu pane, não arranco meus cabelos - levanto e vou tomar um café. Se o computador deu pau, não atiro o monitor pela janela - vou ler um livro ou ouvir uma música. Também aprendi a ter vida pessoal separada da profissional. Quem vive imerso em tecnologia, todos os dias, precisa ser muito altruísta. Dominar o botão on/off, parece bobagem, é um desafio imenso para muitos! Nós temos que dominar a tecnologia. Mas nunca a tecnologia deve dominar a gente.
E você? Já parou para pensar o quanto a dependência tecnológica o afeta? Você sobreviveria sem seu console de videogame? Sem seu celular? Sem seu iPod? Sem sua cachacinha, seu cigarrinho digital? Ou, numa concepção mais simples: se você ficasse alguns dias sem sua conexão de banda larga, o que você faria? O que mudaria em sua rotina diária?
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 03:41 PM | Comentários (10) | Citações
abril 23, 2007
Notebook educacional? Passo.
Eventualmente me perguntam sobre a "disputa" entre os notebooks educacionais. Qual é melhor? O XO do Negroponte ou o Classmate da Intel?
Bem. Serei curta e grossa. Não defendo notebook educacional p* nenhuma - desculpem o termo asteriscado. Acho que, no nosso país, eles são pura retórica.
Boa parte das escolas públicas não têm PCs, nem sequer conexão de internet! Que diabo de rede esses notebooks iriam usar? E as escolas no interiorzão, onde não chegam nem linhas de telefone, porque telecom nenhuma quer saber, como ficam? E por que governo atrás de governo, nenhum mexe uma palha para mudar isso? É porque não 'aparece', portanto, não dá voto?
ISSO é o retrato do Brasil, e não o eixo Rio-São Paulo. A maior parte da população está no interior. Querem dar notebooks para crianças em escolas que nunca viram linha telefônica.
Por isso eu acredito no WiMax como a única tecnologia realmente capaz de promover a integração nacional. Quando a informação chegar nesses lugares, onde não chegam livros ou linha telefônica, mas apenas o sinal da Globo e o Bolsa-Família, aí sim, o país vai pra frente. Nossas crianças são capazes de andar com as próprias pernas quando bem educadas. E em pouquíssimo tempo, não precisariam mais de assistencialismo.
Nos grandes centros vale o mesmo raciocínio. As medidas federais envolvendo renúncia fiscal na compra de equipamentos são um excelente começo. Agora é preciso conectar esses milhões de PCs populares na internet. Nesse sentido, as mudanças tarifárias de pulso para minuto não refrescaram nada. Que tal uma renúncia fiscal também nas tarifas para conexões discadas?
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 02:25 PM | Comentários (34) | Citações
abril 04, 2007
Convergência onde, cara pálida?
Ontem, durante um papo com um amigo, filosofamos a respeito da "era da convergência". O Newton é analista financeiro e adora tecnologia móvel. Ele fez um longo e inflamado discurso enaltecendo as maravilhas da convergência digital, onde você pode levar sua vida no bolso.
O centralizador de sua vida é o PDA, um Dell x51v. O celular é um Nokia 6111, e, para navegar na internet, ele ainda prefere ter os dois dispositivos separados, conectando-se por bluetooth. Para ele, enquanto tiver problemas de visão, a tela VGA grandona é indispensável.
Mas ele odeia a câmera do Nokia 6111, então, sempre leva junto sua Sony CyberShot. Há 6 meses com o celular, ele só fez duas ou três fotos e desistiu depois de passá-las para o PC e constatar que mal dava para notar as feições seu filho. E, numa outra imagem, um jantar com amigos, o que se via era alguns vultos escuros. É, ele tem razão em carregar a CyberShot em sua pasta.
Mas não acaba aí. Ele também gosta de ver seriados baixados da web e gosta muito de ouvir música no carro, então comprou um iPod vídeo de 80 GB para isso. Qual o problema de ver vídeos no x51v, com aquela telona maravilhosa? "No Dell não cabe nada, mesmo com os 2 slots, fico muito limitado." Como ele sequer cogita não passar o dia com a discografia do Black Sabbath junto, todos os álbuns da banda "moram" em seu iPod vídeo de 80 GB, além dos últimos episódios de Battlestar Galactica, Lost e muito, mas muito Bob Esponja e uns desenhos japoneses. "É do meu filho." Ah, tá.
E aí fizemos um inventário. PDA, celular, câmera digital e iPod. E não termina aí. Ainda tem o teclado bluetooth, um porta cartões de memória eclético (lá tem CF, SD e MS) e vários cabos e carregadores. Aquele monte de cabos realmente ocupam um espaço considerável na pasta...
E para minha surpresa, ele sacou um notebook Vaio, daqueles bem pequenininhos, uma graça. Calma lá, com tanto gadget assim, ainda precisa levar o notebook? Não tem coisa subutilizada no meio de toda essa parafernália digital? Com o notebook na pasta, ainda precisa do Dell? Ah, sim, todos os contatos e a agenda dele estão lá, não tem como ficar consultando isso no notebook o tempo todo. Mas se for por causa da agenda, o Nokia 6111 já cuidaria disso, afinal, ele sincroniza com o Outlook. "Ah, não, a tela é muito pequena, não enxergo nada."
Então não daria para fazer o contrário, direcionar mais as atividades do notebook para o PDA, muito mais leve e prático de se carregar por aí? "Estou tentando usá-lo menos quando estou em trânsito" diz ele, com a mesma cara de resignação de quem diz "vou parar de fumar".
Ele carrega um mochilão enorme e pesado; eu estava com uma bolsinha à tiracolo. Nela, meu Qtek S200, o teclado bluetooth, o Sony Ericsson Z600, o MotoVô, o fone bluetooth, o iPod nano e seu fone de ouvido, minha carteira e meia dúzia de girl-stuff.
E agora, deixo a pergunta no ar: cadê a convergência que você tanto ama, cara pálida?
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 09:47 AM | Comentários (35) | Citações
dezembro 13, 2006
Acorda, tio!
O Cardoso me mandou o texto abaixo e eu demorei alguns minutos para me recuperar do susto.
Chama-se "A PRAGA DOS MOJOS" e foi escrito pelo André Machado, do jornal "O Globo".
Link original aqui.
Recebi um recorte digital do “Washington Post” muito preocupante. O recorte conta as novidades inventadas por uma cadeia americana de jornais para fazer face ao crescimento avassalador da internet. A mídia impressa, de fato, está tendo de se adaptar aos novos tempos em que o ciberespaço elevou à enésima potência as conseqüências da “aldeia global” prevista por Marshall McLuhan. Entretanto, as mudanças promovidas por um jornal da mencionada cadeia, no estado da Flórida, merecem reflexão.
O site do jornal passou a ser o principal receptáculo das notícias apuradas. E os repórteres que as escrevem não têm mais mesa, cadeira, terminal — em suma, não têm redação para onde voltar após as tarefas de apuração.
Eles não vão a campo; eles vivem em campo. São, por isso mesmo, chamados de “mobile journalists”, ou “mojos” (a palavra “mojo” em inglês também é gíria para “feitiço”). Os “mojos” praticamente ficam na rua o dia inteiro, em seus carros, como aqueles tiras que vemos nos seriados policiais, correndo atrás das notícias.
Carregam consigo uma parafernália tecnológica: notebook com acesso wireless à internet, mais gravador, câmera fotográfica e filmadora (tudo digital). Apuram várias histórias por dia, tiram fotos (ou filmam) e, ato contínuo, publicam tudo no site do jornal. O recorte do “Post” acompanha um desses repórteres móveis numa de suas tarefas típicas: o lançamento de uma agenda comemorativa beneficente com fotos de atletas de uma cidadezinha.
O leitor há de perguntar: mas isso é notícia? Na era da globalização, o mote, por incrível que pareça, é ser online, mas cada vez mais local.
Pelo menos é nisso que acreditam os editores da tal cadeia de jornais.
Apurada a “reportagem”, o “mojo” mostrado pelo recorte entra no seu carro, abre o notebook e escreve a matéria ali mesmo, enquanto fala ao celular e toma uns goles da Coca-Cola instalada no vão entre a caixa de marcha e o painel de controle. A única luz é a do notebook. As costas devem doer...
Os diretores do jornal planejam ter pelo menos 14 repórteres móveis free-lance em breve, e a equipe permanente (de 30 repórteres) também vai começar a se deslocar para o novo esquema de trabalho. Além disso, aproveitando o esquema “faça-você-mesmo” que blogs, fotologs, videologs e a facilidade de acesso instantâneo da web permitem, a publicação investirá em matérias investigativas... investigadas pelos próprios internautas, acreditando que na prática seriam gerados “milhares de repórteres investigativos em vez de só três”, como disse um executivo ouvido pelo “Post”.
E também haverá um editor especializado em “construir audiências”, para garantir que as histórias de maior apelo fiquem sempre no alto da página. Os comentários dos leitores serão estimulados em “message boards” (alguém aí se lembra do BBS?). E, claro, o ritmo da publicação online não pode parar. A pergunta é: deve-se publicar qualquer coisa, notícia genuína ou não? A turma da redação já está chiando: os textos dos “mojos” não passam pelos editores e acabam enfocando coisas desinteressantes (cadê a pauta?, dizem eles), e a pressão por alimentação ininterrupta do site já gerou pelo menos um constrangimento, quando um editor passou pela redação reclamando que o site não era atualizado há algum tempo e que era preciso publicar alguma coisa, fosse o que fosse.
Não é assim que se faz jornalismo, tenham certeza.
Mas isso não é o pior — entre as mudanças previstas pelos “gênios” da cadeia de jornais, está a idéia de fazer repórteres acompanharem contatos de publicidade a clientes, para explicar melhor como seriam determinadas matérias de interesse...
O que viola a condição básica e sagrada de qualquer imprensa livre: a redação aqui, o comercial lá longe.
Ler o recorte me causou calafrios. Alguém precisa dizer a esses caras que eles estão completamente malucos.
De qualquer modo, acho que seria meio impossível ver um “mojo” aqui no Rio.
Imagine. Carregar notebook, celular, filmadora e câmera digital para a rua. O título da primeira matéria do sujeito ia ser “Perdeu, tio!”. E ela seria escrita à mão...
* * * * *
Pois é, tio, o mundo mudou. O telégrafo morreu, as Remingtons foram aposentadas. Que pena, não?
Pequenas revoluções digitais surgem todos os dias, com o intuito de melhorar a vida de todos. Eu acho que se o jornalismo está tão ruim hoje, certamente não é por causa das novas tecnologias. É por causa das pessoas que estão nas redações dos jornais e revistas, passivos a tudo.
Hoje, o leitor é ao mesmo tempo gerador de notícia. Hoje, o leitor filtra o que quer ler, e não mais o editor dos jornais. Não interessa se o assunto são as contas do PT ou o bambu do Silvio Santos. Quem diz o que é notícia, meu caro, não são mais os jornalistas nem os editores! Em tempos de Digg, aquela teoria do editor de jornal ser o todo-poderoso por determinar o que ganha ou não ganha destaque MORREU!
Eu estudo jornalismo mas não tenho o intuito de ser "jornalista" no sentido ortodoxo. Eu quero ser participante ativa de uma revolução que já se iniciou. Quero apenas melhorar o que já faço: trazer a tecnologia para a vida dos profissionais liberais, estudantes e pequenos empresários de uma forma livre, simples, descomplicada. Quero escrever, ensinar, dar palestras, chegar em todas as mídias possíveis explicando o que sei fazer melhor. A idéia de dar plantão numa redação de jornal de me dá calafrios... eu preciso estar solta, por aí, pois ambientes fechados destroem minha criatividade.
O texto deixou claro que o Sr. André Machado acha o fim da picada os jornalistas atuarem "em campo", escrevendo em seus notebooks no carro, com dor nas costas. Eu sou uma "dentista móvel", atuo em campo. E volta e meia tenho dor nas costas, quando arrumo um dentinho de alguém que teve derrame e mal pode se mexer.
E continuarei sendo uma dentista móvel. Tenho muito orgulho em ter "reinventado" minha profissão e estar fazendo a diferença na vida de muita gente, atendendo idosos e portadores de necessidades especiais. Ainda há colegas que olham torto para mim, já que os ambientes onde atendo não são 100% assépticos como um consultório convencional. Tudo bem, melhor deixar os velhinhos com dor, né? Já estão moribundos mesmo...
A tecnologia móvel abriu um leque de novas oportunidades na minha carreira. Hoje vejo advogados, engenheiros, vendedores, médicos, arquitetos, cientistas... todos móveis. Uma pena que, segundo esse artigo d'O Globo, a tecnologia móvel esteja atrapalhando tanto o jornalismo, não? E só o jornalismo...
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 10:48 PM | Comentários (10) | Citações
novembro 17, 2006
As arvres somos o bambu do Silvio Santos
Continuando a reflexão em cima do post anterior... quando falamos na velocidade com que as coisas se propagam na internet, esqueci de incluir a velocidade de ascensão e derrocada também.
No dia de ontem, o assunto foi a briga do João Gordo com o Dado Dolabella. Mas 15 dias atrás, era aquele vídeo infame do "As Arveres Somos Nozes". E amanhã, o que será?
Ah, já sei. Amanhã será o bambu do Silvio Santos. Perdi as contas de quantos links recebi hoje sobre o tal vídeo.
E dando de cara com "acompanhamento de novela em tempo real" num blog, com direito a chamada na home do UOL, a gente conclui: o modo de se ver TV mudou. Comparem o modo como é abordado o último capítulo de "Cobras e Lagartos" e como foi o de "Vale Tudo".
O modo das pessoas interagir mudou. E definitivamente, farei um empréstimo e darei um lance na compra da TIM!
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 08:05 PM | Comentários (2) | Citações
João Gordo, Dado Dolabella e espirros na farofa
Não é o escopo desse blog tratar de picuinhas pessoais, ainda mais entre pseudo-celebridades, mas o assunto subitamente me levou a refletir sobre o que podemos esperar sobre vídeos, TVs e entretenimento em dispositivos móveis daqui um tempo. Um assunto que me fascina cada dia mais.
Como comentou o Glacial, o incidente entre o apresentador da MTV e o ator (?) e cantor (??) Dado Dollabela ocorreu em 2003. Naquela época um YouTube jamais faria o sucesso que faz hoje, pois ele é um produto direto da banda larga. Resultado: Bastou a MTV liberar as imagens dos bastidores da briga para a história tornar a ser assunto em qualquer rodinha.
Daqui algum tempo, não muito tempo, quando alguém "ouvir" um burburinho que a Cicarelli faz sei lá o que na praia, que a Piovani xingou alguém ou que houve um barraco qualquer por aí, bastará sacar o celular para assistir tudo. E enviar aos amigos, espalhando a nova onda, será praticamente instantâneo.
Minha dúvida não é quem teve razão na briga. Minha dúvida é: como há uma curiosidade natural em cima do que os outros fazem, já que sse tipo de notícia se espalha mais rápido que notícia "de verdade" (?), por que não usar essa onda para alavancar o uso dos celulares? Tenho certeza que as operadoras já pensaram nisso. Chegou a hora de arregaçar as manguinhas.
(Corta para a mente maligna da Bia, CEO da Kunze Mobile Inc. Consulta ao Banco de Dados. Procurando celulares de usuários entre 10 e 18 anos. Milhares de SMS disparados: "Assista o vídeo da briga na MTV! Baixe agora no seu celular! Apenas R$ 1,99 + impostos, custos de conexão cobrados separadamente")
Você acha que hoje, com a internet, tudo é muito rápido? Imagina quando a internet móvel estourar de verdade. Se o Lula espirrar em cima da farofa (TM-Analista de Bagé), em cinco minutos o mundo todo saberá. Reforçando: "5 minutos", nesse caso, não é hipérbole!
Será esse o futuro do entretenimento? Uma espécie de Big Brother on demand e on-the-go?
"I’ll give you a couple clues. I always think of mobile computing as personal computing. This long-term vision has led us through everything — first the organizers and now through the smart phone space. It’s like everything a personal computer is. Continue down that path. What are the implications of a world where everyone has a super high-speed Internet connection in their pocket and many gigabytes of storage, super-fast processors, audio, visual and multimedia? What are the consequences of that? How will that change computing when you have all that stuff available to you all the time? I try to think into the future. That’s how we come up with new products. So I’m not going to tell you what it is, but it’s following the consequences of mobile computing." (Jeff Hawkins)
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 11:29 AM | Comentários (7) | Citações
novembro 14, 2006
Jornal de Uberaba publica pegadinha de internet como se fosse real
Impressionante como uma simples pegadinha de internet pode colocar em xeque a credibilidade de toda uma categoria profissional. No caso, a dos jornalistas.
Um jornalista do Jornal de Uberaba publicou uma pegadinha de internet como se fosse verdade. Quando li, não conseguia mais parar de rir.
Quem criou a pegadinha o Cardoso. O Paulo G. Muller do texto, vulgo PG, é um amigo nosso. Bruna e Beatriz somos eu e uma amiga nossa também. Nós quatro rimos muito com a história, quando o Cardoso criou e publicou no site dele.
Mas ela se espalhou tanto que saiu no Terra, na Folha e no Ancelmo Góis, além de centenas de blogs. Virou corrente em e-mails e alguns safados se aproveitaram até para criar vírus e cavalo de tróia em cima.
A idéia da pegadinha era justamente testar os internautas, que acreditam em tudo o que lêem, e testar a fragilidade dos veículos "tradicionais" de comunicação.
Os referidos veículos acima publicaram o texto como pegadinha mesmo. As supostas fotos do acidente da Gol são na verdade do seriado de TV Lost. O "Major Nelson" da FAB (qua qua qua) é uma referência a outra série, Jeannie é um Gênio. Aí aparece esse tal jornal de Uberaba (notem o slogan "credibilidade total") e publica tudo como se fosse verdade.
Lamentável o nível dos colegas de profissão. Se o tal jornalista fizesse uma busca no Google (ferramenta que os nossos colegas gostam tanto, alguns só usam ela, aliás), o *primeiro* link de "Paulo G. Muller" tem até o telefone desse nosso amigo, que se divertiu pra caramba com a história. Algum jornalista por acaso ligou pra ele...?
É cômico e trágico ao mesmo tempo. Por um lado, eu, Cardoso, PG e Bruna nos matamos de rir com a história. Por outro lado, fico triste aqui com meus botões, por ver em que nível as escolas de jornalismo estão caindo...
Uma pena que a matéria do Jornal de Uberaba não é assinada. Alertaria os demais jornais da região para quando o referido jornalista fosse pedir emprego. O que deve acontecer logo, logo...
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 01:42 PM | Comentários (17) | Citações
novembro 02, 2006
Teorizando os teóricos
Estou lendo uma pilha de livros solicitados pelos professores da faculdade. Muitos são bons, outros nem tanto, outros nem direi que não ruins, pois ao menos me dão espasmos de riso. Claro que livros de teóricos da comunicação são a base para a formação de qualquer estudante, mas fazer a prova do bimestre sobre um livro de 1976, de um dinossauro da USP discutindo a "velocidade da informação", só pode ser piada de mau gosto.
Eu corro o risco passar por pseudo-sabichona e arrogante falando isso na sala de aula, e como não quero encrenca, fico com o bico calado. Eu não sei mais que os outros. Mas me revolto. O que me cansa é ver como os super-doutores de comunicação adoram teorizar em cima problemas que já têm 200 anos e a web tratou de consertar. Sem contar o número expressivo que insiste em separar web das "mídias tradicionais", como se fazia com leprosos na época que tais dinossauros da comunicação nasceram...
Não sou sabichona. Só quero dizer que falta visão para os grandes "papas" do jornalismo. Aproveitar as oportunidades que a web oferece, suprir as necessidades criadas de uma hora para outra por um público globalizado... parar de teorizar tanto em cima dos problemas e oferecer soluções REAIS!
Mas não. É mais fácil sentar o bundão na frente de uma Olivetti e escrever livros e artigos criticando tudo e todos. Quando um âncora de telejornal comparou seu público ao Homer Simpson, por exemplo, foi um prato cheio. Botar a mão na massa, que é bom, nem pensar.
Os mestres, tradicionalistas e cheios de empáfia, continuam pensando de forma linear. Acham que um jornal online nada mais é que o jornal impresso "jogado" no meio eletrônico. Não têm os MÍNIMOS conceitos sobre informação on demand, distribuição de conteúdo, RSS, convergência de mídias, pesquisas de histórico, ranking de notícias... Meu Deus, em tempos de Digg, ainda tenho que ler que "quem determina a importância de uma notícia, assim como quem determina o que deve ser mais lido pelo público, é o editor" (sic).
E ainda tem o desafio dos direitos autorais. A pirataria corre solta, e ninguém se coça para a profundidade cultural disso. Criou-se novas necessidades no consumidor de entretenimento e ninguém supre. Como têm preguiça de pensar, os grandes executivos tentam resolver os problemas processando, ameaçando e, mais recentemente, tirando sites de LEGENDAS do ar. A lei está certa, mas pensem no quão sem sentido é proibir sites de LEGENDAS. Aliás, essa caça às bruxas, ops, legendas, só mostra como os executivos de mídia são incompetentes. Se um seriado como Lost faz tanto sucesso, por que eles não se aproveitam disso, oferecendo tudo de forma legal para o planeta? Meu Deus, um público ENORME, ávido por um determinado conteúdo, não é o sonho de qualquer produtor de TV? Ninguém quer ver a segunda temporada de Lost pela Globo em janeiro de 2007 enquanto a terceira corre pela web, globalizada, como todo mundo comentando. Até o Santoro já disse que baixa os episódios de Lost pela web!
A repressão pura e simples não vai resolver nada. Produtores, publicitários, marqueteiros... mestres, doutores e acadêmicos... MEXAM-SE! Botem a cachola para funcionar!
Minha teoria sobre os teóricos é que eles merecem um estudo à parte sobre eles mesmos. Não entendeu? Nem eu. Deixa pra lá.
Enquanto isso, lá vou eu pegar mais um livrinho de comunicação, pois as provas começam semana que vem. Paradoxalmente, quanto mais eu leio, menos respostas tenho para minhas dúvidas e anseios em cima do mundo contemporâneo do entretenimento.
P.S.: Daqui a pouco subo o podcast, que está pronto desde ontem. Tenho que resolver um probleminha no computador da minha mãe. Murphy é o senhor do universo, essas coisas só acontecem em feriado mesmo...
escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 10:12 AM | Comentários (20) | Citações
outubro 29, 2006
Urna eletrônica combina com disquete?
O Brasil deu uma aula ao mundo em termos de processo eleitoral, graças às urnas eletrônicas, que atuam em nosso país há 10 anos. Poucas horas depois do fechamentos das urnas, temos os vencedores! Mas nosso papel cívico não terminou hoje. Na verdade, ele começa amanhã...
Curitiba foi a primeira capital a terminar a apuração dos votos, cujos resultados mostraram a sucessão estadual mais acirrada do país. Aqui na Capital, Osmar venceu por uma pequena margem. O estado do Paraná só não foi o primeiro a terminar a apuração porque em muitas cidades de baixo IDH (índice de desenvolvimento humano) o envio dos dados para apuração não é feito via internet. Pasmem, é tudo transportado em disquetes, que seguiram de carro até a capital...
Aliás, foram justamente essas cidades com o menor IDH as responsáveis pela "virada" de Requião sobre Osmar. Vale lembrar que o atual governador é pródigo na implantação de programas assistencialistas. Por outro lado, Requião contribuiu para que o Paraná ficasse bem atrás de SC e RS nos índices de desenvolvimento, numa queda progressiva ano após ano.
Políticos assistencialistas não têm vez nas regiões do país com melhor índice de desenvolvimento humano. Basta ver os resultados de Lula no sul do país. Aqui no sul, mais do que nunca se sabe: ninguém quer esmola. Quer desenvolvimento. Quer oportunidade. Quer investimento no campo, na cidade, na educação, nas pessoas, nas empresas...
Será que o povo de Doutor Ulysses, município de baixo IDH e que votou massivamente em Requião (e Lula), não preferiria viver num local em não fosse preciso salvar os dados da apuração em disquete e levar até a capital pela estrada? Lá eles não tem internet, mal têm linhas telefônicas, aliás... Por outro lado, têm vale-luz, vale-leite... E eles votam em Requião porque, além de não ter luz e linha telefônica, ainda têm medo de perder o vale-leite...
O que acontece com Lula e seu bolsa-família é mais ou menos a mesma coisa. E é triste saber que alguns políticos fizeram "terrorismo" nos rincões mais pobres do país, dizendo que o bolsa-família seria suspenso em caso de derrota de Lula. Muito triste.
Isso está correto? É de se refletir...
Discrepâncias tecnológicas à parte, independente de quem vencesse, não será fácil administrar um estado (e um país) tão divididos ideologicamente, num processo eleitoral que começou morno e terminou pegando fogo.
Quanto a nós, eleitores, nosso dever cívico não terminou hoje, com o voto na urna. Caberá a nós, de agora em diante, questionar, discutir e até fazer barulho quando preciso. Cobrar as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, tão necessárias em nosso país. Precisamos de menos assistencialismo e menos demagogia travestidos de políticas sociais, e mais investimentos. E, acima de tudo, não devemos deixar a gatarada impune... há muita coisa sendo investigada, ainda. Espero que, com o fim da corrida eleitoral, não sejam colocados panos quentes em cima.
Desejo boa sorte (e juízo) a todos os deputados, senadores, governadores e presidente eleitos.
E vamos tocar o barco, que a vida continua!
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 08:03 PM | Comentários (29) | Citações
outubro 25, 2006
O futuro do cinema
Recém-comprado pelo Google, o YouTube fez com que os mais conservadores perdessem o receio de ver futuro no serviço. Ainda mais com as declarações de George Lucas de que o futuro do cinema está na web. Grandes empresas, como a Fox, Apple e Warner, parecem finalmente ter concluído que Lucas está certo.
Mas não é só isso. Pessoas que sempre sonharam em participar da indústria do cinema finalmente vêem isso hoje como algo não mais utópico. Mesmo para abrir uma produtora de vídeo, hoje, o investimento em dinheiro é mínimo. Com um mínimo de equipamento e muita criatividade e suor, novos talentos estão despontando no setor audiovisual.
O YouTube se transformou na principal vitrine dos cineastas amadores. E poderá ser o responsável, daqui alguns anos, pelos futuros mentores do cinema e TV.
A United Talent Agency (UTA), badalada agência de Hollywood que representa os maiores nomes do cinema hoje - e aí entram, atores, diretores e roteiristas - recrutou um time específico para descobrir novos talentos na web. A equipe vasculha sites como YouTube, MySpace e outras comunidades virtuais em busca de materiais interessantes idealizados por amadores criativos. Segundo o NYT, há duas semanas, por exemplo, um "recrutador" da UTA achou no YouTube um vídeo que havia sido colocado no ar apenas uma hora antes, intitulado "Paxilback", uma paródia ao videoclipe "Sexyback" de Justin Timberlake. Os autores foram contatados e já têm contrato com a agência.
O site da agência, http://www.utaonline.net, também aceita o envio de links de materiais publicados na web. Se você é músico, ator ou videomaker e sempre sonhou com um lugar ao sol, essa pode ser a sua grande chnace. Basta talento e persistência.
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 05:05 PM | Comentários (2) | Citações
outubro 15, 2006
Terremoto no Hawaii, Flickr e o Treo da Fox News
Não basta estar na hora certa e no lugar exato. Tem que ter presença de espírito. Foi o que presenciamos alguns dias atrás, quando um cameraman da Fox News filmou o prédio atingido por um avião em NY, momentos após o acidente.
Há poucas horas, um terrível terremoto assolou o Hawaii e os usuários do Flickr postaram as primeiras imagens antes mesmo dos portais de notícias. Uma prova cabal que o novo jornalismo hoje depende da mobilidade e da participação direta das pessoas comuns!
"O avião! O avião!"
Scott Wilder andava pelas ruas de NY quando viu o incidente com o avião. Seria um novo atentado terrorista? Um acidente comum? Correu até lá, filmou tudo em seu Treo 700w e enviou em tempo real para a redação, através da conexão do celular. Em tempo: o Treo 700w é um smartphone da Palm que roda Windows Mobile 5 e funciona em rede CDMA nos EUA, usando a tecnologia EV-DO como conexão móvel de alta velocidade.

Screenshot do vídeo de Scott Wilder
A qualidade da câmera não é aquela maravilha. Mas isso nem importa. O vídeo feito e enviado em tempo real através de uma solução chamada CometVision saiu em primeira mão na TV e na internet e fez os olhos do mundo se voltarem para a Fox News. Sites noticiosos de todo o planeta deixaram o acidente em segundo plano e noticiaram o "feito" da emissora, graças ao Treozinho. Esse é o novo jornalismo! Claro que câmeras de celulares não substituirão os equipamentos tradicionais nunca. Mas a instantaneidade da notícia hoje está intimamente ligada à mobilidade. E espero que, depois dessa, Wilder tenha ao menos ganhado um aumento de salário...
O povo faz a notícia
Não foi só Scott Wilder que teve presença de espírito. Assim que o incidente ocorreu, dezenas de fotos passaram a pipocar no Flickr, mostrando o ocorrido. Bastava acessar a homepage do site e procurar pelas tags corretas. Alguns shots estão a seguir, postados imediatamente após capturados:
Os veículos tradicionais de mídia perceberam o potencial dos leitores conectados e passaram a investir neles. Grandes desastres como as tsunamis na ásia e os atentados em Londres foram cobertos por centenas de repórteres-amadores munidos de celulares com câmeras. A CNN tem um projeto chamado Exchange, em que qualquer um pode mandar um iReport.
Ontem um terremoto de alta intensidade atingiu o Hawaii. Antes de eu procurar imagens nos sites de notícias, mais uma vez apelei ao Flickr. Buscando pelas tags Hawaii e earthquake, achei as primeiras imagens da devastação, feitas por celulares:
Uma das imagens capturadas virou "foto de capa" do Yahoo! News. A turma do Flickr vence mais uma:
Aqui no Brasil existe o Foto Repórter do Estadão. Eu até tenho cadastro lá, mas ainda não habituei a levar comigo minha câmera fotográfica para tudo quanto é canto. Por uma questão de comodidade mesmo, já que carrego muita tralha. Pessoalmente, ainda acho um smartphone mais prático para ocorridos instantâneos, por causa da conectividade. Afinal, não basta registrar, é preciso compartilhar, e em tempo real. A câmera VGA do Qtek 9090 nunca foi muito usada pois eu achava a resolução péssima. Mas agora os 2 MP do Qtek S200 me entusiasmaram bastante:
Que a força esteja com os smartphones :)
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escrito por Bia Kunze em Treo às 11:52 PM | Comentários (11) | Citações
outubro 01, 2006
Eleições e internet
O ano de 2006 é histórico em termos eleitorais. Mais rigor nas fiscalizações de caixas de campanha, nada de showmícios pompos... mas principalmente, o fim da parcialidade e do domínio da grande mídia no processo de decisão das pessoas.
Tanto governo quanto oposição continuam com suas artimanhas eleitorais sujas: um lado tenta comprar um misterioso dossiê que prejudicaria o outro; este, por sua vez, usa artifícios ilegais para exibir, com alarde, o dinheiro que faria a compra do tal dossiê.
A diferença é que agora as pessoas podem fugir das coberturas jornalísticas parcialistas, ou das campanhas publicitárias milionárias que fazem lavagem cerebral. Os eleitores podem, graças à web e aos blogs, analisar os dois lados da questão e decidir por elas mesmas quem está certo ou errado. Isso é fundamental para a consolidação da verdadeira democracia!
Pena que infelizmente essa democratização saudável da informação e da liberdade de expressão ainda é inacessível para a maioria do povo. Nos rincões mais pobres desse Brasilzão, as notícias sobre corrupção, lavagem de dinheiro e chantagens diversas não chegam. Só chegam as bolsas-alimentícias...
Não é à toa que Lula tem essa vantagem tão grande nas pesquisas: a base de seu eleitorado é o povo menos esclarecido, o que depende diretamente de assistencialismo. Basta ver as pesquisas nos sites, portais e blogs sobre eleição: a hegemonia de Lula depenca. Os votos estão mais bem-distribuídos entre Alckmin, Heloísa e Cristóvão - esse último principalmente entre os estudantes.
Apenas 1 hora antes de ir ao ar, o líder das pesquisas deixou de ir a um debate na TV. Aliás, deixou de ir a todos. Graças ao YouTube, pudemos rememorar que era justamente ele o primeiro a descer lenha nos faltosos, nos tempos remotos que era 'eterno candidato'. Pena que o YouTube é só para alguns privilegiados.
Embora eu acredite que Lula será reeleito, espero que haja pelo menos um segundo turno. Quem sabe assim teremos um mandato mais zeloso por parte do governo e mais participativo por parte dos cidadãos!
postado via gprs, do ônibus, rumo à SP
escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 06:20 PM | Comentários (22) | Citações
setembro 25, 2006
A História se repete
Internet, novas mídias, convergência entre jornal, rádio e TV... Enquanto de um lado se discute a regulamentação dessa forma tão democrática de mídia, do outro ainda vejo os mais tradicionalistas torcendo o nariz e VETANDO a possibilidade do "leitor", "ouvinte" ou "espectador", até então passivo, passar a interagir e até mesmo criar seu próprio conteúdo e compartilhá-lo com todos.
Se eu pudesse resumir o que vejo para o futuro, traduzindo como serão as comunicações a médio prazo, eu usaria uma frase pequena: todos serão produtores de conteúdo e todos serão móveis. Sei que isso parece simples para os leitores desse blog, mas acreditem: "lá fora" não é bem assim. Aliás, está muito longe disso. Para quem respira internet tudo é muito óbvio. Mas quando eu, particularmente, vou tratar disso com "velhos dinossauros", sou recebida como uma criança empolgada com um brinquedo novo. Muitos veículos tradicionais de mídia sabem disso, mas parecem perdidos.
Felizmente a renovação natural vinda das novas gerações sepultará de uma vez por todas os que não estão atentos ao mundo em que vivem.
Podemos fazer uma analogia rápida com uma pequena volta ao tempo.
Em 1904, na Grã-Bretanha, de acordo com os termos da "Lei da Telegrafia Sem Fio", todos os transmissores ou receptores de sinais emitidos sem fio deveriam ter uma licença. A Companhia Marconi tinha uma "licença geral" em 1920 para "fazer experiências com a telefonia". A radiodifusão engatinhava. Os primeiros radioamadores despontavam. No entanto, a "Comissão da Telegrafia Sem Fio" opôs as tentativas de Marconi de democratizar o rádio e o telégrafo, alegando que estavam transformando "um serviço para a humanidade" em "brinquedo para divertir crianças."
Eu andei ouvindo coisas nesses últimos dias que me fizeram refletir e compreender *exatamente* o que Guglielmo Marconi sentia...
Os políticos parecem os mais temerosos acerca dessa democratização. Sarney já sentiu na pele a fúria dos blogueiros. Agora, sugiro que complementem a leitura desse post lendo a notícia "Em Goioerê, Orkut vira assunto de Estado".
Isso dá muito pano para manga e pode gerar altas discussões filosóficas...
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 11:24 AM | Comentários (6) | Citações
setembro 03, 2006
O DOPS da música (II)
Antes de ler esse artigo, recomendo que se leia a primeira parte: O DOPS da música (I). Agora falo um pouco de DRM e da minha experiência com sites de venda de música online.
Foi o maior fuzuê na web quando o Fairuse4wm, que crackeia a tecnologia DRM (Digital Rights Management) da Microsoft, caiu na rede. Agora a Apple foi vítima de um software que faz o mesmo com sua tecnologia, o QTFairUse6, que apareceu em redes de BitTorrent. Os dois aplicativos eliminam as proteções, permitindo o livre uso e compartilhamento dos arquivos de áudio protegidos.
Minha experiência com esse tipo de proteção faz com que eu seja terminantemente contra tal política. Que saudades dos tempos em que se comprava vinis e se fazia o que bem entendesse com eles! Ouvia em qualquer aparelho, emprestava... depois vieram as fitas K7 e todo mundo começou a copiar seus discos para ouvir no walkman. Lembram disso?
Pois hoje, na era digital, onde se trocam arquivos de músicas com uma facilidade imensa, as gravadoras entraram em desepero e colocaram em prática bloqueios absurdos. Não sou nenhuma santa, uso muito a rede BitTorrent, mas gosto de pagar pelo trabalho de um artista que admiro. Desde que eu possa fazer o que eu bem entender com as músicas que compro!
Há cerca de 2 anos comprei algumas músicas raras em sites internacionais de música online. Todas em WMA com a proteção da Microsoft, com 2 licenças de uso, ou seja, podia-se ouvi-las em 2 aparelhos distintos. Ouvia numa boa no WMP no PC e no Dell Axim x30. Depois troquei de PDA e perdi a licença, depois me desfiz do PC por um notebook e perdi a outra licença. Achei desaforo ter que pagar pelas músicas de novo e não o fiz. Não conseguia nem criar CDs de áudio. Logo depois entrei para o mundo maravilhoso do iPod, que sequer aceitaria WMA e o DRM da Microsoft... aí que desisti de uma vez. Minhas músicas ficaram sem ter como serem ouvidas e entraram num ostracismo digital. E como a Apple só vende via iTunes Music Store, indisponível no país, não tenho como adquirir música legalmente.
Então começaram a surgir alternativas.
Caçando músicas para o LostCast, eu e o Gui Leite encontramos faixas raras no www.allofmp3.com, disponíveis em uma grande variedade de formatos e sem proteção alguma. E com preços muito convidativos. Há faixas por 8, 15, 20 centavos de dólar, e álbuns inteiros por 3 dólares. Discutimos o receio de se comprar num site russo. Mas ele resolveu arriscar e se deu bem. Logo depois embarquei nessa também e posso dizer hoje que estou bem satisfeita com o serviço.
Em busca de mais opções de músicas brasileiras, fui conferir o UOL Megastore. O que me chamou a atenção foi o fato deles anunciarem com destaque que é possível ouvir em iPod as músicas lá vendidas. Checando a história, vi que não há nenhum segredo: eles recomendam que se grave as faixas adquiridas num CD de áudio e depois o ripe de volta no iTunes. Dá um pouco de trabalho, mas já é uma opção.
Comprei alguns créditos para experimentar o serviço. Cada música adquirida dá direito a 5 licenças e você deve obrigatoriamente ouvi-las no Windows Media Player. Transferi-as para o WMP do Pocket PC e rodaram direitinho. Só me frustrei com o acervo. Não encontrei os últimos álbuns de bandas como Paralamas e Titãs. Outra coisa estranha é o critério de tarifação das músicas e álbuns. Há faixas de diversos preços, mas não há desconto na compra do álbum inteiro. Graças a isso, o Acústico MTV do Ultraje a Rigor sai por absurdos R$ 79,60, pois cada faixa sai por R$ 1,99 - seja separada ou no álbum todo.
E para finalizar esse post, quero agradecer ao Edinho, leitor desse blog, que se ofereceu para "dar um jeito" nas minhas músicas antigas que não consegui mais ouvir por causa do maldito bloqueio. A história é mais ou menos a seguinte: há cerca de 2 anos comprei várias músicas em sites por aí, todas em WMA, com o DRM da Microsoft. No início tudo bem, mesmo achando um saco ouvi-las no WMP obrigatoriamente. Logo em seguida comprei um Dell Axim x30 e me decepcionei. Várias músicas não aceitavam o dispositivo, pois só tinham permissão para tocar em um dispositivo. Algumas não deixavam nem queimar um CD de áudio! Fiquei uma arara e nunca mais comprei música online. Uma pena que muitos desses álbuns adquiridos não existiam em lugar algum à venda, e nem em redes de bitorrent eu encontrei. São álbuns do Bing Crosby da década de 40 e de metal de bandas européias praticamente desconhecidas do lado de cá do Atlântico.
O Edinho copiou minhas músicas e depois as entregou para mim de volta, aqui em casa, em MP3, limpinhas. Maravilhada, perguntei qual o segredo. E ele disse que no Linux, o DRM da Microsoft é simplesmente ignorado. Bastou um programa de conversão. Simples assim. Sou uma criminosa? Digam o que quiser, gravadoras, mas as músicas são minhas, paguei por elas e tudo o que eu quero é ouvi-las. E basta.
É por isso que as redes de BitTorrent fazem um tremendo sucesso: vai além, muito além de simplesmente serem de graça.
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 10:59 PM | Comentários (5) | Citações
agosto 18, 2006
Sony pode popularizar de vez os e-books
O Reader da Sony tem tudo para ser para os livros digitais (e-books) aquilo que o iPod é hoje para as músicas digitais. Embora não tenha sido o criador do MP3, foi o iPod quem o levou às ruas. Com o Reader, o desafio agora é fazer os e-Books saírem dos desktops e ganharam as ruas e mochilas dos estudantes e entusiastas da leitura. Algo que os PDAs jamais teriam capacidade de fazer...
A Sony ambiciona fazer com os livros o que a Apple fez com a música. O Reader está em vias de ser oficialmente lançado no mercado (foi prometido para setembro) com preço entre U$ 300 e 500. Sou uma entusiasta da nova idéia, pois amo leitura e ler lvros digitais em qualquer lugar sempre foi um desejo que os PDAs não conseguiram realizar. Talvez o software Microsoft Reader é o que mais se aproxima de uma leitura agradável, mesmo assim, muito longe do papel.
Sim, eu leio ebooks no meu PDA, mas não com a mesma velocidade e prazer com que leio um livro de papel. A telinha dos PDAs é pequena, a luz incomoda, a vista cansa rápido. Por isso eu uso mais para consultar guias e referências. Um dispositivo digital que dê a mesma sensação de leitura de um livro normal sem dúvida será a fonte do sucesso desse produto.
Em 2001 alguns leitores de e-books surgiram timidamente no mercado, mas tiveram vida curta. A praticidade não foi suficiente, afinal, qualquer PDA hoje faz isso, mas a iniciativa não vingou justamente por não proporcionar a sensação de leitura de um livro de papel.
O usuário poderá armazenar e ler livros digitais. Sua tecnologia de "e-tinta" é a chave do sucesso do Reader. A tecnologia foi desenvolvida pela E-Ink, de Cambridge, Massachussets. O texto é eletronicamente com composto na tela do Reader ativando seletivamente milhares de minúsculas cápsulas pretas e brancas e criando uma experiência similar à leitura de uma página impressa. Isso geral conforto visual (nada de luzes fortes fatigando rapidamente a visão), além de uma autonomia de bateria invejável. Livros, manuais, tabelas, páginas da web, tudo pode ser lido no aparelho. Numa infinidade de formatos. A Sony firmou contratos com várias grandes editoras para vender e-books em sua loja virtual "Sony Connect" - que será algo como uma iTunes Music Store. Somada à tecnologia de ponta, temos gigantes como Google, Microsoft e Harper Collins digitalizando mais e mais livros.

Não basta isso. É preciso saber qual estratégia a Sony adotará para popularizar sua idéia. Idéias idiotas podem fazer tudo naufragar. O Librie, lançado no Japão em 2004, foi um fracasso retumbante apesar do belo design, mas o preço alto e as tecnologias idiotas antipirataria fizeram os consumidores sair correndo. Os usuários podiam "alugar" livros da Sony por 60 dias, depois, eles apagavam-se automaticamente. Sem comentários...
É bom a Sony correr e se esforçar para acertar dessa vez. Ela perdeu muito terreno nos útimos anos não por seus produtos serem ruins, mas por adotar estratégias equivocadas de distribuição de mídia. A concorrência está no calcanhar e várias empresas já licenciaram o e-Ink para seus produtos. A briga pode ser boa. Os leitores compulsivos agradecem.
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escrito por Bia Kunze em Gadgets às 09:39 AM | Comentários (15) | Citações
agosto 15, 2006
Ainda a tinta de impressora
Caramba, a história das tintas de impressora repercutiu mesmo, heim? Até o portal Terra comentou o assunto. Inclusive citou o blog Garota Sem Fio, linkando para cá. Espero que arrombadores de carro não costumem ler o Terra...
O Podsemfio n.15 foi pro saco. Microfone horrível, gravação pior ainda. Tomei vergonha na cara e providenciarei um microfone novo hoje mesmo. Aliás, hoje passarei o dia no II Fórum de Marketing de Curitiba, na Unicenp. Ao longo do dia darei as caras no Flickr. Se o dia permitir, regravarei e subirei tudo hoje mesmo.
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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 04:59 AM | Comentários (1)
agosto 12, 2006
Meus 25 anos de PC
Após passar a semana pesquisando sobre os 25 anos do PC (completados hoje, aliás), enfim sento-me para escrever a matéria que o professor pediu. E contar minha história pessoal com o PC.
Achei umas pérolas no YouTube que adoraria compartilhar com vocês. Primeiro, um comercial do TRS-80. Segundo, um vídeo mostrando o Windows 1.04, SEM mouse! E por fim, o melhor de todos, um crash do Windows 98 ao vivo na CNN, numa demonstração da própria Microsoft... hilário. E recomendo ainda o ótimo filme Piratas do Vale do Silício.
Minha história com os PCs
Meu primeiro contato com um IBM-PC foi quando eu tinha uns 15 anos, usando MS-DOS, e jogava PacMan com colegas no trabalho da minha mãe. Contudo, nem eram os joguinhos que eu gostava mais, passei mais tempo escrevendo textos no Wordstar. As pessoas torciam o nariz para aquela máquina de escrever sofisticada, e as Remingtons e Olivettis ainda eram preferência entre os mais velhos. Menos minha mãe, creio que ser filha de uma Engenheira Eletricista "precursora" ajudou muito. Ela se formou na Mauá, em SP, numa época em que a presença de mulheres na engenharia era quase nula.
Nessa época eu tinha uma Olivetti ultraportátil, que cabia numa maletinha. Mas de repente passei a ver tudo com outros olhos, mesmo sem entender direito a "revolução" que estava acontecendo no mundo digital. Achava promissora a "desvinculação" com a impressora. Eu podia digitar longos textos e guardar naqueles disquetões e só botar no papel quando e quantas vezes eu quisesse. Mas acabava por aí, pena que eu não podia carregar o PC comigo que nem a Olivetti.
Nossa família só adquiriu um computador pessoal no início dos anos 90. Era um 386 que rodava Windows 3.1, tinha mouse e uma impressora matricial. Era da minha mãe. O uso em casa ainda era muito restrito, pois essas máquinas eram muito caras. Mas eu cheguei até a fazer desenhos legais no Paint. Pena que estão todos naqueles disquetões e não tenho como acessá-los. Mas estão aqui guardadinhos.
Em 1999 tive meu primeiro e-mail. No finado Zipmail. Meu primeiro PC, meu mesmo, comprado com meu dinheiro, foi em janeiro de 2000. Era um AMD K6II, tenho "restos" dele pela casa até hoje. Comprei-o numa loja aqui em Curitiba, veio com Windows Nojentaeoito (pirata!), vivia travando e me irritava muito. Me encantava com o recém-lançado iG e com o Napster, mas não me empolgava com nada mais. Usava mais para pesquisar artigos científicos, eu tinha recém-terminado minha especialização. No ano seguinte, entrei no mundo Palm. Aí sim me empolguei DE VERDADE e não parei mais :)
Por incrível que pareça, eu sou da era pré-PC. Antes de "datilografar" no Wordstar meu único contato com um computador foi quando eu tinha uns 9 ou 10 anos e













![Museu Oscar Niemayer [1]](http://static.flickr.com/114/269654023_ec6e0d2732_m.jpg)
![Museu Oscar Niemayer [2]](http://static.flickr.com/86/269653884_c95f79b71b_m.jpg)


