março 25, 2008

Review: Asus EEE PC 701 4G (parte II)

Continuando o review do Asus EEE, seguirei falando da minha experiência com dois sistemas operacionais - o Xandros original e o Windows XP, além de complemenar com dúvidas enviadas por leitores.

Multimídia no Xandros

Eu adorei o Xandros, sistema operacional que acompanha o produto. Simples, leve, intuitivo ao extremo. Adorei mais ainda o fato dele já suportar nativamente mp3 e filmes em DivX. Pode par4ecer bobagem aos experts do mundo do Pinguim, mas para um leigo, não ter que recorrer a codecs e repositórios para algo tão básico é um alívio. Aliás, a maioria dos leigos nem sabe disso - cansei de ouvir histórias de gente que reclamou da compra de PCs populares, por eles virem "com problemas", referindos ao suporte multimídia. O mais triste ainda é ver que a solução proposta por "assistências técnicas" por aí é simplesmente instalar Windows no lugar. Nós até sabemos que as coisas variam conforme as distribuições usadas, mas quem vai avisar (ou pior, ensinar) isso à tia Maria? O Xandros não teve esse problema, ele passa com louvor nos mais rigorosos "testes de mãe". Mas ainda assim, quem quiser deixar a interface mais elaborada, com menus drop-down e área de trabalho ao invés de abas, pode usar o Xandros em desktop mode - que tem um jeitão mais KDE, que é a "base" do Xandros:

O desktop mode exige a instalação de alguns pacotes para ser ativado. Isso pode ser feito da seguinte forma:

1 - Abra uma janela de terminal, apertando simultaneamente Ctrl + Alt + T
2 - Digite sudo bash
3 - Digite apt-get update
4 - Em seguida, digite apt-get install kicker e pressione a tecla Y para confirmar, quando solicitado
5 - Digite apt-get install ksmserver e pressione Y para confirmar, quando solicitado
6 - Digite exit
7 - Digite exit novamente para sair do terminal.

Ao clicar no botão Power On / Off, pode-se escolher o ícone correspondente para acessar o Desktop Mode, bem como alternar para o Easy Mode (o modo nativo, com abas).

Tela

Além da impossibilidade de conexão com celulares Windows Mobile, o segundo problema grave do Xandros: certos menus de aplicativos simplesmente não suportam a resolução padrão de 800 x 480. Aconteceu com o Thunderbird e o Adobe Reader: simplesmente não dava para rolar as janela. Quebrei a cabeça e não teve jeito de fazer funcionar. Isso se tornou um incômodo muito grande, pois no Adobe Reader não havia mais jeito de selecionar os modos de impressão dos formulários de meus pacientes.

Depois de algum tempo fuçando muito net afora, descobri que a rolagem das janelas que ultrapassam os limites de visualização pode ser feita pressionando-se o mesmo tempo a tecla Alt, o botão esquerdo do touchpad e, junto, movimentar o cursor nele. Fiquei furiosa de não ter achado isso nos arquivos de ajuda do prõprio Xandros. O mesmo vale para abrir a tela do terminal, que, diferente de outras distribuições, é feita via Ctrl + Alt + T.

No Windows XP acontece o mesmo problema de tela, mas graças ao Asus EEE Utility, que fica na bandeja do sistema, consigo fazer a página rolar na opção de resolução 800 x 600 com um clique.

Teclado e mouse

Conforme eu falei antes, demorei um pouquinho para me adaptar ao teclado, mas hoje digito esse review com razoável destreza. O touchpad, igualmente minúsculo, também causou um pouco de estranheza no início. Cheguei a pensar em usar um mouse à parte. Aí pensei com meus botões: já carrego um pendrive e um dongle bluetooth. Transformei-os em chaveiros para não perdê-los ou esquecê-los, mas não tem jeito, são acessõrios indispensáveis. Será que realmente preciso de um mouse ou isso não seria frescura minha: Afinal, ficar carregando coisinhas para lá e para cá é querer matar a portabilidade. Lembrei também que no final de 2004, com meu primeiro notebook, estranhei o pad no lugar de anos e anos só usando mouse.

Dei mais uma chance ao micropad do Asus e não deu outra, logo estava me sentindo em casa. Não sei se meu exemplo é vãlido parta todo mundo, mas para minhas mãozinhas pequenas, trabalhar com o EEE hoje não é nenhum suplício. Ao contrário, hoje acho o teclado até macio e o touchpad com ótima resposta.

Sobre a acentuação, a Asus não tem versão do EEE com o layout de teclado usado no Brasil (ABNT2), ou seja, não existe a tecla ç e a disposição dos acentos e símbolos é diferente. Sinceramente, nem alimentem chances de ter um EEE com teclado brasileiro, mesmo que ele veja oficialmente para cá. O jeito é configurá-lo para funcionar corretamente do jeito que vem e se habituar com isso. Para mim, confesso que não é nada fácil. Meu note da Dell é ABNT e meu teclado bluetooth do PDA tem um modo próprio de acentuação a partir de combinação de teclas. Agora com o Asus, vejo-me com mais um tipo diferente.

O Asus não vem de fábrica configurado para acentuar, assim, é preciso fazer mais alguns ajustes. Na aba Settings, clique em Personalization e confira se a opção Keyboard Layout está configurada para English/International. O ideal é que se faça isso logo nas configurações iniciais, ao fazer o ligar o EEE pela primeira vez. Mas se dentro desse menu a opção English/Internacional não estiver selecionada, selecione-a e clique em Ok e Ok novamente. Vá à aba Work e clique em Documents. Em seguida, pressione as teclas Ctrl + Espaço ao mesmo tempo. Aparecerá uma barra com a informação English/European vai no canto inferior direito da tela. Feche o programa Documents (que, na verdade, é o editor de textos Writer do OpenOffice.org) e, na barra de tarefas (parte inferior da tela), localize o item Input Method. Clique com o botão da direita do touchpad sobre este ícone e, em seguida, no item SCIM Setup. Na janela que surgir, vá em Global Setup, especifique o item Keyboard Layout para Portuguese (Brazil US accents), marque a opção "Share the same input method among all applications" e clique no botão com as reticências, na frente da opção Trigger. Agora, clique em Delete e em Ok. Clique na opção GTK e, no menu Show, selecione a opção Never. Na parte inferior da janela, clique no botão Apply, em Ok e em Ok novamente. Agora, basta reiniciar o sistema.

Vale lembrar que para digitar a tecla ç, basta pressionar Alt + vírgula.

Uma super bateria

Outro item que me impressionou bastante no EEE foi a autonomia da bateria. Não sei precisar quanto ela dura exatamente, mas na faculdade, das 19 às 22.30h, dá e sobra - inclusive com o wifi ligado boa parte do tempo. Uma vez que no consultório uso o EEE na tomada, vou para a aula sempre com a bateria cheia.

Porém, quando instalei o XP, notei um decréscimo na autonomia. Prova que o sistema operacional interfere mesmo no consumo de energia de um portátil. Mesmo assim, não é nada alarmante, posso continuar dispensando a fonte quando for à faculdade. O Asus vai na minha bolsa, sem chamar a atenção nem fazer volume.

Conexão com celular

Conforme vocês estão carecas de saber, infelizmente não consegui usar meu Windows Mobile como modem. Pelo que averiguei, isso acontece só com o Windows Mobile. Conheço muita gente que foi bem sucedida com aparelhos Symbian, Motorola A1200i e aqueles modemzinhos 3G USB. O Xandros até que permite que se crie facilmente novas conexões, e testei diversos tutoriais em fóruns web afora. Curioso que cada tentativa mal-sucedida de criar uma conexão gerava um ícone diferente no meu sistema. O resultado final foi cômico...

Não acabou, não! Na terceira e última parte falarei sobre minha customização do Windows XP nos 4 GB internos e uma seleção especial de aplicativos, o novo Asus com tela maior (recetemente lançado) e minhas considerações finais.

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escrito por Bia Kunze em UMPC às 09:51 PM | Comentários (53) | Citações

novembro 09, 2007

Grandões desdenham o Android

O Android vai dominar o mundo? Não, é a resposta do vice-presidente de estratégia da Symbian, John Forsyth.

Outros executivos "grandões" também aparentam não estar nem aí para o novo OS móvel open-source do Google.

Outro executivo da Symbian, Nigel Clifford, afirmou não ver novidade em softwares gratuitos e disse que o Android é "apenas mais uma plataforma baseada em Linux".

O doidão do Steve Ballmer, CEO da Microsoft, foi mais radical nos comentários. Zombou do Android dizendo que tudo por ora não passa de um press-release.

Acho que só porque o Google é o rei da internet, isso não significa que ele vá virar também rei dos celulares. Essas coisas não acontecem de um dia para o outro.

Não vejo razão para Microsoft e Symbian temerem o Android, mesmo com 30 e tantas empresas por trás do projeto. O Windows Mobile evoluiu muito e continua recebendo investimentos pesados em seu desenvolvimento. O Symbian é o OS móvel mais difundido do mundo e os aparelhos Nokia e Sony Ericsson com esse sistema estão cada vez mais legais. Os grandões não precisam ficar com medo! Exceto a Palm, é claro...

Só que tio Ballmer aparentemente errou. Já estão aparecendo por aí algumas supostas telinhas do novo sistema!

E quanto a nós, usuários, tudo é festa. Quanto mais concorrência, melhor. A briga vai ser bonita... vou providenciar a pipoca :)

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 10:10 AM | Comentários (24) | Citações

novembro 06, 2007

O que podemos esperar do Android?

A comunidade do software livre está satisfeita. Depois do esboço de diversos aparelhos e sistemas operacionais alternativos, nada sem grande repercussão, enfim o Google toma a iniciativa a anuncia o projeto Android.

Tinha que ser o Google. A empresa anunciou ontem que desenvolverá um sistema operacional para celulares, chamado Android. O sistema nasce a partir da aquisição de uma empresa chamada Android, ocorrida há cerca de 3 anos. Mas ao invés de desenvolver um aparelho específico, uma aliança com diversas empresas será a responsável pela distribuição dos dispositivos mundo afora. Nessa "Open Handset Alliance" (OHA) estão Motorola, LG, Samsung, HTC e mais 30 outras empresas de hardware e operadoras de telefonia. Espera-se que os primeiros aparelhos rodando o novo OS saiam já no primeiro semestre de 2008, para a Sprint e a T-Mobile. Depois, Europa, Ásia e o resto do mundo.

O mais legal de tudo: a plataforma é totalmente livre. Fabricantes não precisarão pagar licenças para colocá-lo em seus aparelhos. Desenvolvedores independentes poderão criar aplicações e soluções livremente. É um Linux de verdade, é não aquele fajuto do A1200i, por exemplo.

Eu vejo com grande euforia essa novidade. O que eu espero é que teremos um sistema simples e leve, porém versátil o suficiente para equipar desde os aparelhos mais humildes. Hoje, Windows Mobile e Symbian compõem os principais smartphones do mercado, mas além do custo ser bem alto, eles exigem hardware específico, poderoso. O que eu espero do Google é um sistema simples rodando em celulares baratos, promovendo uma revolução nos meios de inclusão digital. Não estou delirando: na China, o Google tem ações bem específicas em cima de celulares, pois pretende alcançar pessoas que nunca usaram PCs antes. Um número bem considerável de pessoas, por sinal. Vejo aqui no Brasil um perfil de público bastante semelhante e um grande potencial para esse novo sistema.

Minha única dúvida é: onde o Google ganhará com isso? De onde ele gerará receita? Propaganda? A OHA ainda tem muita coisa em aberto. Teremos que aguardar para saber.

Vale lembrar que, apesar da aliança englobar mais de 30 empresas, nem toda gigante de tecnologia está envolvida. Empresas como Apple, Nokia, Microsoft e Palm não farão parte do grupo. As três primeiras, compreende-se, têm seus sistemas e aparelhos bem-sucedidos no mercado e disputam hoje a preferência dos usuários. A Nokia até tem seus tablets baseados em Linux (N800 e N810) mas misteriosamente os esconde na área de serviço, enquanto seus modelos Symbian têm grande destaque. Mas e a Palm, heim?

Pois é. E a Palm?

Nunca o clichê futebolístico "quem não faz, leva" coube tão bem ao mundo da tecnologia. Com seu Palm OS descontinuado há anos, e vivendo de promessas há outros tantos anos, o ALP (Access Linux Plataform) nunca deu as caras de verdade. Apenas umas poucas telas surgiram aqui ou ali, mas nada significativo na prática. Diz-se que o sistema operacional baseado em Linux que sucederá o Palm OS estrearia em 2008, depois, 2009... mas nunca há nada concreto. O que a Palm tem feito durante todos esses anos? Que raio de sistema tão demorado é esse? Será que existe mesmo? Lembram do prometido "Palm OS 6"? E o que dizer o do Palm Foleo, o mico do ano?

Pois bem. Com o Android, a Palm perdeu feio para o Google. Não há mais esperança. Quem por anos negou que o Palm OS tivesse morrido, e depois depositou toda sua esperança no novo sistema baseado em Linux, deve estar muito frustrado. Eu não esperaria outra coisa, para ser sincera. Não é de hoje que um sistema operacional para celulares, baseado em código aberto, com o respaldo de grandes empresas, é desejado pela comunidade de usuários. A Palm perdeu, mais uma vez, uma excelente chance de virar a mesa. Perdeu, preibói.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 09:57 AM | Comentários (28) | Citações

setembro 05, 2007

A ida dos que não vieram

Que coisa esquisita! Pelo visto a Palm reconheceu que o Foleo seria um tiro n'água antes mesmo dele nascer. E resolveu abortá-lo ainda durante a gestação!

O comunicado oficial do Ed Colligan pode ser lido na íntegra aqui.

O lançamento do produto já tinha sido adiado uma ou duas vezes, algo normal no mundo da tecnologia. Confesso que não esperava essa, mas a decisão foi sensata. O Foleo já nasceria derrotado pela leva de UMPCs baratérrimos que o mercado está trazendo. Além de custar U$ 600, o fato de trazer um Linux fechado e com licença dupla obrigatória para muitos aplicativos - por exemplo, além da versão no Treo, o usuário deveria pagar uma segunda licença para usá-lo no Foleo - foi fatal, na minha opinião.

No comunicado, Colligan dá a entender que o produto pode ser reestruturado, já que decidiu-se não comercializá-lo "com as configurações atuais" e por causa do novo sistema em desenvolvimento. Segundo ele, não há sentido em trabalhar paralelamente em duas plataformas distintas.

Mesmo assim não deixa de ser bizarro. O produto foi descontinuado antes do lançamento oficial! Um recorde! Falando nisso, parece que o Asus EEE PC 701, aquele que eu gamei, já está em pré-venda em algumas lojas asiáticas... obaaaa!

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 02:36 PM | Comentários (4) | Citações

junho 09, 2007

Ubuntu 7.04 no Frank

Enfim, um fim-de-semana em que paro quieta em casa. Hoje de manhã vou trabalhar no consultório e de tarde pretendo instalar o Ubuntu 7.04 no Frank, pelo CD que encomendei. Mas estou com algumas dúvidas.

Estou sem banda larga e telefone aqui desde fevereiro. Mesmo assim, será que eu conseguirei fazer a instalação? Será que rola um dial-up via Claro por USB, com o modem do Qtek S200, como faço no notebook?

Isso é muito importante para mim, assim como o suporte ao modem USB da Vivo que em breve receberei. Já sei que, com o Ubuntu, rola nas plaquinhas PCMCIA, mas será que conseguirei no Yiso U893 da Vivo? Mais tarde, pretendo testar em Macs também. Oficialmente a empresa fabricante e a Vivo simplesmente ignoram o suporte a Mac ou Linux, como se fosse só Windows que existisse no mundo. Mas como sou uma fuçadeira, quero que funcione nas outras plataformas também... e prometo postar os resultados aqui para todo mundo que estiver a fim de um plano de dados da Vivo.

P.S.: Buááá! Não veio Live CD, só o de instalação! É assim mesmo?

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 08:11 AM | Comentários (25) | Citações

maio 14, 2007

Nem 8, nem 80

Eu sou contra qualquer tipo de imposição. Ainda que seja para um *suposto* bem comum. Afinal, nenhuma ideologia que é imposta sem ser discutida pode resultar em bem comum.

Não sou eu quem digo isso. É a História. Por causa de um regime de governo que queria o bem comum, meus avós passaram a juventude esfregando batatas em queijos embolorados, para pegar o cheirinho, pois uma fatia de queijo não dava para alimentar a família toda.

Onde eu quero chegar com isso?

Situação 1.
A Câmara dos Deputados levanta a bola: proclamar o dia 11 de maio feriado nacional, por causa do Frei Galvão, agora santo.
A bancada evangélica chia: não reconhece os santos católicos. Dia 11 de maio não pode ser feriado nacional, afinal, vivemos num estado laico. Onde fica a liberdade de religião de cada um?
Ok, ok. A Câmara propõe uma votação popular. Santifica o dia 11 de maio ou não? A bancada evangélica protesta de volta. Não, não pode haver votação. Não pode santificar e ponto final.
Uai, quem foi que falou em liberdade?

Situação 2.
Preocupados com os índices de mortalidade no país por causa de abortos clandestinos, o governo propõe legalizá-lo.
A CNBB bate o pé. Não pode. É pecado.
O governo rebate. É pecado para quem é católico. Não estamos preocupados com a consciência religiosa de cada um. A questão é de saúde pública. E aborto continuará sendo sempre uma opção, e não uma imposição.
Os católicos não aceitam a justificativa.
O Ministério da Saúde tenta uma solução democrática. Vamos abrir um canal de discussão, fazer uma votação popular?
A CNBB protesta de volta. Não, não e não. Não pode haver votação nem discussão. Não pode legalizar e ponto final.
Então tá. Vamos deixar a mocinha que tentou aborto com agulha de tricô sangrar até morrer. Afinal, é a vontade de Deus e ela é uma pecadora.

Situação 3.
O governo Lula vai privilegiar o sistema Linux e não dará espaço para que softwares como o Windows entrem na competição nos projetos de inclusão digital nas escolas.
Que maravilha, dizem os petistas. Vamos parar de gastar milhões com licenças de software proprietário!
Alguns professores acham esquisito. Afinal, 90% do mercado de trabalho exige conhecimentos em Windows para as colocações de emprego mais básicas. Mas tudo bem, pensam eles, sobrará mais dinheiro para nosso salário e capacitação profissional.
Se o problema é dinheiro, diz a Microsoft, ofereceremos Windows de graça.
Não, não, diz o assessor da Presidência, José de Aquino. Essa possibilidade não existe. Só usaremos software livre.
Ok, então. Vamos deixar nossos jovens desempregados. O guri que recém-acabou o 2º grau não conseguirá aquela vaga de recepcionista num laboratório de análises clínicas porque não tem a qualificação básica "Windows-Word-Excel" exigida no currículo. E que 90% do mercado usa.
Ah, quer saber? Azar do laboratório, que é do mal, pois usa software proprietário. Os jovens serão livres, é o que importa! Livres inclusive para ficarem desempregados.

Duvidam? Leiam aqui.

Gente, estamos falando de educação. Inclusão digital. Eu sou radicalmente a favor que repartições públicas e entidades governamentais usem software livre, afinal, trata-se de milhões economizados dos NOSSOS bolsos em licenças.

Mas na educação não. A escola tem que preparar a meninada para tudo. Vamos ensinar Linux, Ubuntu, Windows, vamos ensinar tudo aos jovens, principalmente a serem formadores de opinião e escolherem o que querem. É errado impor só Windows, tão errado quanto impor só Linux. Imposição não funciona. Conhecendo os dois sistemas, os jovens poderão até mudar a mentalidade dos mais velhos, mostrando as vantagens do software livre em contraposição ao software proprietário. Ah, sim, mesmo que eles queiram ser advogados no futuro, sinto muito, terão que aprender matemática também.

Podem falar que Linux é a única salvação contra os altos índices de pirataria que grassam no país. Mas a meu ver, até pirataria é opção. Assim como furar sinal vermelho, bater carteira na rua, jogar água na bomba de gasolina, ou qualquer outra contravenção. Pelo menos a pirataria deixaria de ser desculpa para a falta de conhecimento.

E quem acha que, ao expor as situações 1, 2 e 3, eu exagerei ao comparar sistema operacional com religião, está muito enganado.

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escrito por Bia Kunze em Cybercultura às 08:37 PM | Comentários (81) | Citações

maio 05, 2007

Novidades "Ubunteiras"

Sábado à noite é dia de sentar no notebook e colocar a correspondência em ordem... enfim... :)

Com a minha correria pós-viagem, passei a semana colocando as pendências em dia. Pacientes, contas, trabalhos, os dois blogs... Só de leitores e ouvintes do blog / podcast, são mais de 100 e-mails toda semana. Daqui a pouco ainda vou conferir as mensagens de voz no Skype, cuja conta liberei geral para todos deixarem recados sem eu precisar autorizar.

É uma tarefa árdua mas que me realiza muito, quem não gosta de ver seu trabalho reconhecido? Sem contar que é uma delícia ver cada vez mais e mais profissionais liberais e usuários "comuns" entrando no mundo wireless e conhecendo as maravilhas da mobilidade. A mídia "tradicional" também tem me procurado bastante. São Paulo tem sido, acima de tudo, uma vitrine para meu trabalho, tanto na odontologia domiciliar como na consultoria em tecnologia móvel.

O grupo de discussão Mundo Sem Fio continua a todo vapor. Embora eu andasse um tanto ausente ultimamente, estou voltando aos poucos a participar. Convido vocês, leitores, a participarem também. Obrigada ao Ivan Prado por manter a casa sempre em ordem!

Tenho recebido muitos e-mails também de gente perguntando se abandonei o Frank. Claro que não! Só que sem banda larga as coisas complicaram um pouco. Mas já encomendei o CD da nova versão 7 e quero testar logo. Obrigada ao Ricardo Macari pelo link para fazer o pedido. Quanto aos probleminhas de conexão, resolverei isso logo também. Por enquanto a duplinha UOL Wi-Fi e Vex vão quebrando um galho.

Aliás, amigos Ubunteiros e Linuxeiros, tenho novidades! Estou com um projeto muito legal que envolve inclusão digital, educação e software livre, e deverei receber apoio de uma grande empresa para tal. Não antecipo nada por enquanto porque ainda está tudo muito cru. Mas garanto a vocês que, com esse projeto, o Linux vai sair definitivamente do gueto nerd e "ganhar as ruas". É isso o que todos nós queremos, cada vez mais pessoas comuns tendo acesso à informação, de forma democrática. E é essa bandeira que, no futuro, quero abraçar cada vez mais, conforme vou me inserindo mais na área de Comunicação. Educação, conhecimento e inclusão digital hoje precisam andar de mãos dadas, não acham?

Bom fim de semana e até segunda-feira.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 10:16 PM | Comentários (10) | Citações

fevereiro 21, 2007

Enfim, Ubuntu (quase) pronto

Ontem, em plena terça de carnaval, recebi a ilustre visita do casal Ricardo Macari e Adriana Saito, do Código Livre. O Ricardo é um defensor de longa data dos sistemas livres, e quem melhor do que ele para me ajudar com os problemas que venho tendo em configurar o Ubuntu?

Ele não só me ajudou a resolver TODOS os problemas que eu vinha tendo como sanou muitas dúvidas e deu verdadeiras aulas. Mas confesso que ver ele fazendo tudo na unha, ali, nas linhas de código, me assustou. Ele disse que está acostumado, então prefere assim, que é mais rápido que usar ambiente gráfico. Então tá.

Depois de esmiuçar o que são repositórios, explicar o motivo do Ubuntu não vir pronto para executar músicas e vídeos em padrões proprietários e mostrar que existem milhares de maneiras de se instalar programas, agora sim o Frank está quase tinindo. Ainda que não esteja "pronto para a guerra", creio que com o que aprendi poderei resolver sozinha o que falta.

O problema do áudio era o mais sério, a máquina não tocava som algum além dos do sistema. Instalei o XMMS, que resolveu parcialmente o problema. Os alarmes de mp3 do Gaim não tocavam. Deu um pouco de trabalho, foi necessário instalar os devidos codecs e ainda assim fazer algumas modificações. Agora o Amarok roda direitinho e faz algo que eu queria muito: tocar músicas direto do iPod, sem ter que copiá-las para o HD. Não pretendo usar o Frank como gerenciador de músicas, minha biblioteca no iTunes está perfeita. Para vídeos, ele recomendou o MPlayer.

Quanto aos torrents, continuo usando o programa nativo (BitTorrent), que é leve e eficiente.

A mesa digitalizadora, para nossa surpresa, plugou e funcionou. A webcam ainda está um pouco relutante e funciona quando quer.

A questão do HD externo é a mais complicada. Realmente, conforme os leitores deste blog já haviam me alertado nos comentários, a formatação dele é NTFS e terei que reformatá-lo. Já sei como fazê-lo, mas precisarei fazer backup de tudo antes e isso vai demorar.

Também deu um pouco de trabalho montar a rede entre o desktop e o meu notebook. Um já acessa os arquivos do outro, mas não copiam nem abrem nenhum, eles não deixam. Já mexi em todas as permissões possíveis e imagináveis, tudo está liberado, mas o problema continua. Verei com mais calma também outra hora.

Para encerrar, quero também agradecer (e recomendar) o Br-Linux, o Ubuntu Brasil e o Planeta Ubuntu, excelentes sites para quem quer aprender mais e se integrar com a comunidade. Sem contar a infinidade de gente que me adicionou no Gtalk e Skype e encheu minha caixa postal de dicas. Adorei!

Ainda estou engatinhando, um dia eu chego lá!

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 10:55 PM | Comentários (14) | Citações

fevereiro 19, 2007

Pergunta para a comunidade Linux

Agradeço à participação maciça da comunidade Linux ao me ajudar com o Ubuntu, seja por comentários, e-mails ou voicemails - agora deixo meu Skype e meu Gtalk sempre online no Frank, justamente para pegar recados. O negócio está andando, devagar mas indo. Logo quero começar a testá-lo com dispositivos móveis, mas antes preciso deixá-lo tinindo para as aplicações básicas, o que acho que ainda vai demorar. Sou apenas uma usuária final em processo de aprendizado... tenham paciência.

Justamente dessa troca de idéias com a comunidade, veio uma grande dúvida. Se o "openphone" Motorola A1200i é um excelente smartphone em termos de hardware, mas o sistema operacional ainda é incipiente e faltam aplicações, por que a comunidade não adota em peso esse aparelho para uso e desenvolvimento de novas soluções? Seria uma boa maneira de popularizar e aumentar a presença de dispositivos móveis rodando sistemas de código aberto...

Por que a preferência quase unânime pelo Symbian, que é um sistema fechado?

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 11:48 AM | Comentários (41) | Citações

fevereiro 16, 2007

Meu desktop Ubuntu

Gostaram da área do trabalho do Frank? Já está funcionando a mil para downloads, VoIP e mensagens instantâneas. De vez em quando uso o Evolution também, apesar de continuar gerenciando meus emails mais pelo PDAphone e pelo Outlook. Mas para quem usa o protocolo IMAP, não há dor de cabeça em acessar emails de diversas máquinas distintas.

Estou com alguns probleminhas técnicos que pretendo resolver nesse feriado. 1) por que meu HD externo é acessado pelo Ubuntu mas não consigo copiar nada para ele? A mensagem de erro diz que não tenho permissão para acessar o disco. 2) Não consigo instalar o Google Earth nem o Scrobbler do Last.fm. Aliás, instalar qualquer coisa ainda é minha maior pedra no sapato, eu me atrapalho demais. 3) Preciso de um programa que rode DivX, o nativo é medonho. 3) O Azureus é um lixo, tirei, e o downloader nativo de torrens é confuso quando se está baixando vários itens simultaneamente. Preciso de um substituto.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 03:05 PM | Comentários (52) | Citações

fevereiro 08, 2007

As aventuras de Bia e Frank

Dei uma sumida do blog essa semana graças ao Frank.

Conforme disse no post anterior, estou empenhada em colocar uma máquina Linux aqui em casa dedicada a download de conteúdo multimídia e também para funcionar como um Skypecenter, além de central de sincronismo para o Palm e o Symbian. Mas não estava previsto que eu teria tanta dor de cabeça. Achei que, por já ter tido uma experiência com instalação e configuração do Ubuntu, as coisas agora seriam mais fáceis. Que nada.

Dessa vez, catei peças que tinha guardadas em casa e mais algumas outras recentemente compradas. Processador AMD Athlon XP 1500+, dois pentes de memória, um de 128 e outro de 64 MB, uma plaquinha de vídeo básica, CD-RW, monitor de 17', um leitor de cartões interno, 4 portinhas USB extras ligadas na placa mãe na PCI, e, de peças novas, um HD de 120 GB e uma placa de rede wireless. Tenho ainda um HD de 40 GB que transformei em HD externo com uma daquelas cases próprias que existem por aí. Posso deixá-lo ligado no Frank ou levá-lo comigo em viagens para usar com o notebook.

Montado o Frankenstein, é hora de ligar e instalar o Ubuntu. A instalação foi moleza, como da última vez. Ele só implicou com a placa de vídeo, que teimava em deixar o monitor em 620 x 480, e com a placa wi-fi. Depois de algumas pentelhices, ajeitei o vídeo, mas a placa wireless nem pensar. Apelei a amigos, conhecidos, Deus e o diabo. O mais esperto de todos conseguiu driver, mas a maldita não funcionou. Desisti. Ainda bem que o PC está no meu escritório, ao lado do modem / router / hotspot. Usei um cabo de rede velho de guerra, argh.

E antes que alguém pergunte: iPod e Qtek passarão longe do Frank. Junto com o note, são meus 3 parceiros de trabalho e vão comigo onde for. Sincronismo, só entre eles.

Próximo passo: instalar e configurar aplicativos. O Azureus foi moleza, o JPilot também. Mas instalar o Skype não foi nada fácil e intuitivo. Lá fui eu de volta às famigeradas linhas de código. Céus, será que não podia haver um modo mais simples de se instalar um programa? Se comigo foi um parto, imagine como seria com minha mãe, meu pai ou qualquer pessoa que compre um PC nas Casas Bahia.

Sozinha não consegui. Apelei para o noctívago Cardoso, coitado, online às 3 da manhã que nem eu. E que nem a Kate, a única que se divertiu ontem, brincando e se enrolando em todos os cabos e fios que via pela frente.

Às 5 e meia da manhã, vitória. Ubuntu funcionando redondo. Ainda tenho que configurar a webcam, mas falta coragem. Os torrents estão baixando certinho, mas por algum motivo, só pelo gerenciador de torrents embutido no Firefox. Não consegui fazê-lo pelo Azureus, embora o programa esteja instalado certinho.

Próxima etapas:

1. Confirgurar meu multifuncional da HP e colocar Palm e Symbian para sincronizar.

2. Colocar o Frank e o notebook em rede. Pergunto aos leitores desse blog: é possível isso, cada um com um sistema operacional diferente, e com um ligado no cabo e outro no wireless?

3. Achar um skypefone *decente* que funcione em Linux. Os dois que tentei usar foram rejeitados pelo Ubuntu. Por skypefone *decente*, entenda-se um aparelho que ligue na USB mas funcione como um telefone sem fio, e que ligue também na rede telefônica normal para funcionar como um telefone comum. Pelo visto terei que abandonar essa idéia de usar PC e USB... procurarei algum aparelho estilo telefone sem fio que conecte direto no router. Aparelhos wi-fi ainda estão fora do projeto por questões de orçamento.

4. Integrar a sala de estar (TV / DVD etc.) à rede da casa para se assistir o conteúdo baixado pelo Frank e armazenado nos HDs. Como? Usando um player de DVD / DivX com entrada para rede wi-fi. Quem precisa de Apple TV? Vocês vão amá-lo. Aguardem a continuação dessa saga...

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 03:46 PM | Comentários (31) | Citações

fevereiro 06, 2007

MobileLinuxInfo.com e meu mediacenter Linux

Esse é o nome de um site recém-lançado, que vai acompanhar as novidades do mundo do Linux sob o ponto de vista das aplicações móveis. Adicionem em seus bookmarks e leitores de RSS! Cliquem aqui.

Falando nisso, estou "remontando" meu PC doméstico, aquele que fica no meu escritório ligado direto. Resolvi dar um fôlego maior no hardware, com uma memória mais generosa e bastante espaço em HD. Ainda não me decidi se ele rodará Ubuntu mesmo ou alguma outra distribuição Linux, aliás, estou aberta a sugestões. Nesse meu escritório, que fica no piso superior da minha casa, também fica o ponto de acesso wi-fi que abastece a residência toda.

A idéia é que esse PC Linux seja exclusivamente uma central de downloads, armazenamento de conteúdo audiovisual e "skypecenter", pois meu skypephone ficará ligado nele 24 horas. Nesse PC também sincronizarei meu Nokia 6260 e meu futuro Treo 680 que receberei de presente de um patrocinador. Será nesse PC que eu testarei softwares e soluções para Palm OS e Symbian.

Esse PC também se comunicará em rede wireless com a sala de estar, que fica no térreo, para assistir filmes, vídeos e seriados baixados da web direto na TV. Depois eu conto detalhes sobre meu "mediacenter sem fio" e as soluções em hardware e software que usarei.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 09:46 AM | Comentários (14) | Citações

janeiro 23, 2007

Mini-review: Motorola A1200i (MotoMing)

O smartphone Motorola A1200i é um aparelho PDA + celular que funciona com sistema operacional aberto, baseado em Linux. O aparelho hoje é promovido pela Motorola com grande hype em cima de executivos e descolados em geral: além de ter sido um dos prêmios do vencedor do reality show "O Aprendiz 3", o gadget ganhou estandes com destaque nos atuais eventos de moda no RJ e SP.

Para começar, é preciso ter em mente que há dois modelos semelhantes: o A1200 é chinês. O A1200i é o modelo internacional, vendido agora nos demais países do mundo. Em princípio o A1200 só funciona com a ROM original, não podendo funcionar com outros idiomas. Já o A1200i é mais versátil nesse sentido, e, segundo a Motorola, é esse o modelo que está sendo vendido no Brasil agora, tanto pela Claro (ver detalhes) como pela TIM . E que tem chamado muito a atenção de clientes e usuários pela beleza, tamanho reduzido sem detrimento de visibilidade de tela e leveza (pesa só 120g).

A Motorola o apresenta como MotoTask no seu site, nome de batismo dele no Brasil, mas na caixa vendida aqui, mesmo com os manuais em português, vem escrito MotoMing, nome do seu similar chinês. Estranho, não?

Falando em design, o pessoal do Fashion Rio concorda que o A1200i é um smartphone top model, mas não é anoréxico: têm tela sensível ao toque de 320 x 240 pixels, slot para cartão miniSD, câmera de 2 MP com flash, macro e OCR (falarei disso mais adiante) e o mais surpreendente: dois processadores. Um é para as tarefas de básicas de telefonia e dados, o outro é dedicado à multimídia e execução de programas. Graças a isso, dá para trabalhar em ambiente multitarefa com conforto.

A interface é muito bonita, a tela é linda, mas aos não iniciados, perambular pelos menus e configurações pode ser confuso no início. Habituar-se, porém, é questão de tempo. Há muitas opções escondidas e os ícones de serviços infelizmente são minúsculos, então às vezes é preciso dar muitos "taps" para se chegar a algum lugar.

Com as medidas 95,7 x 51,7 x 21,5 mm (comprimento, largura, espessura), vejam que ele cabe certinho na palma da minha mão. Reforçando que minhas mãozinhas são pequenas! A empunhadura é gostosa, pois as laterais são emborrachadas. Cabe num bolso de camisa e não incomoda, pois além de pequeno, ele é relativamente fino:

Ele não tem tecladinho QWERTY (aleluia!), apenas um teclado acionado virtualmente na tela sensível ao toque. Também dá para usar o sistema de reconhecimento de caracteres, mas comigo não funcionou direito.

A tela é protegida por uma tampa de acrílico transparente, bem bonita, mas que me deu a impressão que deve riscar e trincar fácil... é importante usá-lo numa capa sempre. Ele acompanha uma capinha daquelas de se prender no cinto. Ele também acompanha cabo de sincronismo USB e um cartão miniSD de 128 MB que não dá para nada, ainda mais se você for desfrutar das funções multimídia do bicho. Do outro lado tem os encaixes de fones de ouvido e mini-USB.

Na frente ele tem os tradicionais botões de "ligar" e "finalizar", além de um joystick pequeno, meio afundado, chato e difícil de manusear. Odiei. Na lateral esquerda tem 3 botões: quando o flip está aberto, eles alternam entre as funções de perfil de toques (normal, silencioso etc). Quando está fechado, abrem o MP3 player, a câmera e o log de chamadas. Com o MP3 player ativo e rodando, esses 3 botões avançam, retrocedem ou pausam o tocador. Bem legal e prático.

Entre as funções nativas do aparelho, temos e-mail, agenda, contatos, notas e tarefas, que sincronizam nativamente com o Outlook. Mas de modo geral, elas funcionam de uma maneira bem básica. São inferiores em recursos a seus similares nos Palms e Pocket PCs. Ele possui ainda um programa visualizador, que serve para fotos, PDFs e documentos Office. Não há modo de edição, e mesmo o visualizador sozinho é bem fraco.


Browser: Opera

O programa de e-mail é ridículo. Só tem o básico do básico para gerenciamento de mensagens. Quem precisa manipular uma quantidade grande de e-mails vai sofrer. Em compensação, o browser é de-li-ci-o-so.

Lamentei, e MUITO, a ausência de EDGE no aparelhinho. Depois, para minha grande surpresa, descobri fuçando os menus que o browser é uma versão do Opera para a Motorola. Só podia, né? O melhor browser para dispositivos móveis não iria me decepcionar no A1200i! Só achei engraçado o fato de colocarem um software de código fechado, e não open-source, como o sistema geral. Depois tive a mesma constatação nas aplicações multimídias: o aplicativo é o RealPlayer! A qualidade do áudio e vídeo é razoável, mas há uma limitação de formatos compatíveis. Talvez futuros firmwares resolvam essa questão, o que é uma pena um hardware tão legal com softwares tão fracos...

Mais uma coisa chata: a autonomia da bateria é pífia. Há um consenso nesse quesito entre os usuários. Prepare-se para levar o carregador junto na pasta, especialmente se você usar bastante as funções de PDA e navegação.

Outra maravilhosa surpresa no MotoMing: a câmera com OCR. Posicionada por trás do aparelho, aciona-se uma travinha para ativar a função macro, focaliza-se um cartão de visitas na área da tela delineada em vermelho, fotografa-se e... instantaneamente os dados são escaneados, os caracteres reconhecidos e salvos nos contatos.

Simplesmente impressionante: ele salva o nome no campo nome, os telefones nos campos de telefones, endereços nos campos de endereços, e-mails nos campos de e-mails... tudo de forma automática. É de cair o queixo.

As fotos são feitas na resolução de 2 MP, e, como eu disse antes, tem modo macro. Para quem gosta de brincar com as imagens, ele vem com um mini-aplicativo para edição de imagens, que faz aquelas brincadeirinhas comuns com cores, brilho, contraste etc. Tem mais: O MotoMing ainda tem Rádio FM, bluetooth, gravador de voz e chamadas, comando de voz e Java.

Agora vem o grande ponto fraco do bichinho: onde arranjar softwares para instalar nele?

Mas é aí que reside o diferencial dos sistemas open-source. Se o aparelho vingar, é bem possível que apareçam usuários e desenvolvedores incrementando as bibliotecas de software para ele. Mas por enquanto, nesse quesito, ele poderá frustrar um pouco os executivos e descolados a quem ele se destina. Um belo hardware não é nada sem software, sem utilidade prática. Já falei que o aplicativo de email é mídia são apenas medianos, uma pena, ainda mais com chip dedicado para multimídia. Estamos à mercê de atualizações de firmware e desenvolvimento de aplicativos... É esperar para ver.

Assim, leitores, proprietários de A1200i e entusiastas de plataformas abertas, deixo os comentários desse post em aberto para que vocês deixem sugestões de aplicativos, links e novidades para os usuários desse gadget. O sucesso dele dependerá da comunidade. Hoje, do jeito que ele vem, infelizmente eu não compraria um, justamente pela falta de ferramentas de produtividade essenciais para o meu ritmo de trabalho.

Mais uma vez, super obrigada ao Eduardo da Cerenatel pelo aparelho para testes.

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escrito por Bia Kunze em Reviews às 04:29 PM | Comentários (146) | Citações

janeiro 09, 2007

Tetéias da Nokia: N76, N93i e N800

A semana está agitada aqui no blog, graças às novidades da CES. As novas tetéias agora são da Nokia: o N76, o membro mais fininho da família N, o N93i, que parece mais filmadora que celular, e o N800 - esse sim não é celular, mas um internet-tablet-PDA com Linux.

N76

Todo mundo sabe que, quando se quer um smartphone, é preciso abrir mão de algumas características ligadas à espessura e leveza, presentes em celulares comuns. Era. Se o seu sonho sempre foi ter um smartphone esperto, rodando Symbian, mas morria de inveja da finurinha dos RAZR V3 da Motorola, o N76 foi feito para você. Beleza, estilo e leveza pela primeira vez aliados à poder e função!

Vamos às especificações: é GSM, roda Symbian S60 3ª edição, expansão de memória através de microSD de até 2 GB, câmera de 2 MP (mais uma outra VGA na parte frontal para videoconferências), MP3 player, push-to-talk, rádio FM, EDGE e WCDMA, estando apto a funcionar em redes 3G. E o melhor, não custará mais que 300 euros. Mais detalhes sobre essa tetéia, aqui.

N93i

De um lado, a finurinha do N76. Do outro, a parrudice do N93i. Se o N76 aposta em multimídia e aplicações em internet de altíssima velocidade, o N93i capricha na qualidade de imagens, seja foto ou vídeo, graças à câmera de 3.2 MP, com lentes Carl Zeiss, zoom ótico de 3x (uma raridade) e mais uma gama de recursos. Enfim, segue mais ou menos a linha que se iniciou com o N90.

Essa versão "i" tem poucas diferenças com relação ao N93 (que já está disponível no Brasil) e o visual da frente, meio espelhado, pode parecer estranho para alguns. O danado faz tanta coisa que eu passaria o resto do dia aqui escrevendo. Melhor checar todas as especificações aqui.

Agora, olhem mais uma vez para a foto lá em cima e me digam: parece um celular ou uma filmadora?

N800

Não se engane com a marca "Nokia" estampada nesse dispositivo: ele não é um celular. O N800 é, segundo definição da fabricante, um internet-tablet. Ou um PDA, como queiram. Não é a primeira experiência da empresa, esse é o sucessor do 770. O 770 não empolgou muito os fãs de mobilidade, nem mesmo os fãs de Linux, mas agora o N800 promete.

O danado é um senhor aparelho! Tem processador de 320 MHz, roda Linux, suporta aplicações VoIP, tem webcam VGA - sim, isso mesmo, webcam - telona de 4.13" com resolução de 800 x 480 pixels, alto-falantes, microfone, bluetooth, wi-fi, saída para fones de ouvido, mini-USB e dois slots SD, um interno e outro externo, que suportam até 2 GB cada. A justificativa para os dois slots: o externo seria exclusivamente para arquivos de mídia e documentos. Estranho, não?

O mais engraçado disso tudo é que, apesar de lançado "oficialmente" na CES, o N800 já podia ser encontrado em lojas CompUSA, por cerca de U$ 400. Vejam só o bichinho em fotos já saindo da caixa...

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escrito por Bia Kunze em Celular às 08:16 AM | Comentários (11) | Citações

novembro 24, 2006

Para o Linux Rox

Caro "Linux Rox", tudo bem como você? Acho que não, né? Tire esse ódio do seu coraçãozinho!

Você quer que eu me desanime com o universo Linux? Não conseguiu. Primeiro, sua artimanha não deu certo: eu uso Windows sim, mas eu não sou retardada como você deve pensar de todos que o usam. Eu não baixo meus e-mails com anexo integral, apenas 10 KB de cada mensagem. Assim, os 12 e-mails com 12 anexos de 12 MB tiveram seus headers baixados em poucos segundos. Meu inbox não travou. E a minha reação não foi nada além de uma gargalhada. Aliás, meu humor está excelente! Obrigada por me proporcionar tantos risos, e como sempre, misturando PT e PSDB na jogada.

Segundo, eu tenho planos para no início de 2007 dar palestras sobre ferramentas digitais para meus colegas jornalistas, desde serviços online como Bloglines e Google Docs até distribuir CDs do Ubuntu e do Open Office. Isso já foi definido, sinto muito. Você queria que eu tomasse raiva de seus colegas de software livre, é isso?

Quantos aninhos você tem? Papai não quis pagar mesada esse mês, foi isso? Sinto muito, não sou eu quem vai te dar colinho... Mas seu problema de carência e atenção já resolvi, publicando esse post. Seja feliz, querido.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 07:11 PM | Comentários (23) | Citações

novembro 23, 2006

Quem são os 73% ?

Pesquisa da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) mostrou que 73% dos compradores do "PC para Todos" trocam Linux pelo Windows em poucas semanas. E quase metade, 47%, por Windows pirata.

Surpresos? Ninguém, né? Qual seria o motivo dessa migração em massa? Pode-se cogitar várias e óbvias razões, mas o buraco é mais embaixo do que se pensa. Por que o Linux não decolou com essa iniciativa do PC popular?

Estou fazendo uma pesquisa de campo que vai deixar todos (em especial os Linuxeiros) de boca aberta. Eu já fiquei de boca aberta com o que andei ouvindo por aí. Passei a coletar dados, depoimentos e entrevistas em áudio. Ao invés de ouvirmos especialistas em software livre derramando números e acusarem o software proprietário como o responsável pelo caos da humanidade, que tal ouvirmos o POVÃO mesmo? É o que estou fazendo. O resultado será um podcast especial de fim de ano sobre o Pinguim. Aguardem...

Observação: o Podsemfio dessa semana vai atrasar um pouco porque meus 2 entrevistados furaram comigo ontem... mas hoje, até o fim da tarde, ele estará disponível.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 10:06 AM | Comentários (58) | Citações

novembro 17, 2006

Ainda o A1200

Três coisas interessantes que acabei de descobrir sobre o smart-Linux-phone. A primeira é que ele foi o prêmio dado ao vencedor do último "O Aprendiz". A segunda, ele tem apenas 8 MB de memória interna, mas respondendo à dúvida do Gustavo no post anterior, seu slot mini-SD aceita cartões de até 1 GB.

A terceira, e mais interessante, é que ele tem tecnologia OCR (Optical Character Recognition) na câmera fotográfica. Para que serve isso? Simples: a câmera fotografa cartões de visita e os escaneia, reconhecendo os caracteres e armazenando os dados nos contatos do celular. Isso ajuda a explicar o marketing tão forte do aparelho em cima de usuários corporativos. Vejam o A1200 na loja da Motorola.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 10:29 AM | Comentários (13) | Citações

novembro 16, 2006

Smartphone com Linux na Claro

Me perdoem os fãs da Palm, mas enquanto a Palm-Access-Source fica naquela lenga-lenga com relação ao futuro de seu sistema operacional (o Palm OS foi descontinuado e o ALP não tem previsão de sair), smartphone com Linux já é realidade. Inclusive no Brasil.

Afinal, quem precisa de ALP? A Motorola lançou esse ano o A1200, que agora finalmente está disponível no Brasil pela Claro.

Em breve terei uma belezura dessas em mãos, mas o que vi de cara me animou bastante. Pequeno, levíssimo, bonitinho, câmera de 2 MP, mini-USB, bluetooth, rádio FM, suporte a multimídia. É compatível com aplicativos Office e sincroniza com desktops Linux ou Windows, via Outlook. Eu sou fã da versatilidade, e nisso o A1200 agrada em cheio.

O chato é que ainda é difícil encontrar aplicações para ele. Mas por rodar uma plataforma aberta, certamente não tardará para os open-tarados inventarem mil softwares para o bichinho.

Mais fotos do aparelho e de sua bela tela, aqui. Voltarei a falar dele em breve.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 11:15 PM | Comentários (49) | Citações

outubro 05, 2006

Software livre no Programa do Jô

Essa é para ver, ouvir, gravar e divulgar. Teremos software livre na pauta de hoje do Programa do Jô.
Espero que os entrevistados vençam a barreira da linguagem técnica e mostrem aos leigos comuns o que é software livre e suas vantagens.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 04:25 PM | Comentários (19) | Citações

setembro 15, 2006

Sugunda chance para o Linux

Isso mesmo. Catei peças dos meus antigos PCs e montei no meu escritório de casa uma maquininha humilde, mas com propósito nobre: ter Linux definitivamente por aqui, para funcionar como um laboratório para experiências em mobile.

Como vocês sabem, tive uma breve experiência com o Ubuntu há pouco tempo. Decidi continuar com ele porque sinto que não o explorei bem. Quero continuar de onde parei, mas estou aberta a testar novas distribuições tão logo eu me familiarize mais com o Linux.

Estou tão empolgada que até criei uma seção nova aqui no blog, chamada Linux Sem Fio, e nela postarei análises e dicas de Linux ligado à mobile, além da futura plataforma ALP para dispositivos móveis, que irá substituir o Palm OS. Depois corrijo o template e remanejo os posts antigos a respeito para a nova seção.

Vou acompanhar mais as novidades desse mundinho, já abri uma categoria especial para Linux no meu Bloglines. Blogueiros, linuxeiros, ubunteiros, postem aqui nos comentários seus blogs e dicas de links bacanas para eu assinar!

E não pára por aí... estou em experiências avançadas com o mundo da Maçã também. A idéia é colocar uma seção Mac Sem Fio por aqui igualmente. Afinal, sou muito democrática em termos de OS e plataformas. Mas qual será minha favorita, só o tempo dirá. Maquinteiros, me aguardem!

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 11:14 AM | Comentários (31) | Citações

junho 05, 2006

Linux e wi-fi

Obrigada mais uma vez a todos a turma Linux que vêm visitando e postando no meu site.

Gostei muito do Ubuntu e, tão logo eu tenha banda larga na casa nova e consiga um outro HD, pretendo remontar o PCzinho e deixá-lo rodando o sistema. Explico melhor: quando estive em Sampa, comprei uma case USB externa para HD, formatei-o e acabei usando-o para backup dos meus dados.

Durante os testes do Ubuntu, usei cabo de rede normal para acesso web. Mas como não quero cabos ou fios na casa nova, gostaria de uma sugestão de plaquinha wi-fi para eu comprar, preferencialmente PCI, que funcione redondinho no sistema e com driver simples de se instalar. Aguardo o feedback de vocês.

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escrito por Bia Kunze em Linux Sem Fio às 01:33 PM | Comentários (15)