setembro 15, 2008

Mind-maps e tecnologia móvel

Conforme prometi, falarei um pouco de mind-maps, que volta e meia cito em posts aqui no blog. Também darei os detalhes da palestra gratuita sobre mind-mapping e tecnologia móvel semana que vem São Paulo.

Antes de mais nada, perdoem-me pela ausência prolongada no blog. As duas últimas semanas foram bastante atribuladas. Ainda estou tentando buscar um ritmo adequado para conciliar minhas atividades profissionais no consultório, com homecare e com consultoria em mobile. Cuidar de duas casas também tem exigido bastante de mim, mas tenho procurado manter a qualidade de vida, dormindo 7 horas por dia, comendo direitinho a cada 3 horas e usando bike no lugar do carro. Só preciso de um tempo para me habituar e me conformar que terei que sacrificar mais horas de consultório para dar conta de tantas viagens e palestras que têm surgido. Minha família, que não é lá muito "tecnológica", ainda não entende muito bem porque eu "ando tão importante" a ponto de ser chamada para dar tanta palestra e consultoria Brasil afora. Mas uma hora eles se acostumam - como eu me acostumei. Ou vocês acham que tanto assédio não me assustou também? Bom, pelo menos eles já não se assustam mais em ouvir minha voz rotineiramente na rádio CBN... :)

Mind-Maps

Uso mind-maps há uns 6 anos; tomei conhecimento da técnica pela Liz Kimura. Comprei livros e comecei a aplicá-los em minha rotina de trabalho e estudos, até que houvesse no calendário da Liz uma data em que eu pudesse viajar a Sampa e fazer o curso. Nossa, parece que foi há séculos!

A grande vantagem dos mapas mentais na minha rotina atribulada é o poder de agregar uma quantidade grande de informações em um único pedaço de papel. As informações, organizadas em troncos por palavras-chave, com muitas cores e desenhos, podem ser facilmente revisadas em poucos minutos. Mesmo antes de usar mind-maps, ainda na faculdade de odonto, intuitivamente eu usava esquemas de hierarquização por cores para estudar. Mais tarde, aprendendo a teoria, deslanchei na técnica e passei a utilizá-la rotineiramente em minha vida.

Tenho pilhas e mais pilhas de cadernos em casa com mind-maps. O uso da técnica trouxe alguns hábitos "estranhos" aos olhos de outras pessoas, como odiar cadernos e folhas sem pauta. Durante a faculdade de rádio e TV (que cursei por 3 anos) todas as minhas aulas eram esquematizadas em mind-maps ou anotadas no Palm através de um teclado wireless. Apesar de ser uma viciada em mobilidade, curiosamente tive alguma resistência a softwares para criar meus mind-maps. Talvez seja o lado artístico falando mais alto, já que na minha adolescência eu era cartunista e até hoje cada pedaço de papel perdido pela minha casa contém desenhos e caricaturas aleatórias.

Na faculdade de jornalismo, simplesmente me sinto "enjaulada" naquelas folhas de prova, e acabo apelando ao sulfite. Os professores achavam esquisito no começo, depois não ligavam mais. Como tenho uma letra bonita e uso canetas hidrográficas ao invés de esferográficas, a legibilidade é excelente. Um professor, certo dia, até mostrou uma das provas para a turma. A prova era um "exercício de jornalismo literário": através de uma pequena nota de jornal, deveríamos usar a criatividade e a imaginação para fazer o perfil mais completo possível da pessoa noticiada. Meu perfil transformou-se em um mind-map gigantesco, repleto de dados biográficos e desenhos.

No início, todo mundo me achava excêntrica: eu era a moça "do Palm e das canetinhas coloridas". Mas depois, quando viram minhas notas sempre altas, passaram a pedir dicas... A grande verdade é que, com os mind-maps, estou sempre estudando: uso-os para esquematizar aulas e fazer resumos de livros. Nas famigeradas "semanas de prova", eu devo ser a única que não passa noites em claro estudando. Para cada prova, levo no máximo 15 minutos revistando meus mind-maps das aulas ou lendo notas no OneNote Mobile, em meu smartphone.

Hoje, para qualquer coisa que eu precise fazer um brainstorm, puxo minha Filofax. Sempre achei as telas de Palms e Pockets insuficientes para fazer e consultar mind-maps. Porém, para o meu brainstorm semanal e para me organizar no trabalho, tenho usado serviço online como o MindMeister ou o WiseManager cada vez mais. Principalmente agora com o iPod touch. Exporto os mapas em JPG e salvo-os no "Photos". Deslizar a tela e dar zoom no iPod touch dá gosto e não preciso mais carregar papéis comigo. Mas não é tão prático, já que dependo do iTunes e de sincronismos.

Minha "memória auditiva" também é excelente. Tenho o hábito de gravar aulas e seminários desde que passei no vestibular de odonto, em 1993. Hoje, meu iPod carrega inúmeras aulas e seminários gravados pelo meu smartphone, através do Resco Audio Recorder. Posso ouvi-las em qualquer lugar.

Começou assim: o curso de odonto era puxadíssimo, em período integral (manhã e tarde) e eu dava aulas de inglês à noite. Ou seja, não sobrava muito tempo para estudar. Então, todo o tempo teoricamente "perdido" em deslocamentos de ônibus entre casa-trabalho-faculdade era aproveitado revisando matéria. Naquela época, usava um gravador portátil e fitas cassete. Ouvia as aulas no meu aparelho de som, em casa, enquanto fazia outras coisas, ou em meu walkman, na rua. Sou mobile desde sempre...

Palestra em São Paulo

Conforme o pessoal vinha pedindo há algum tempinho, consegui fechar duas datas com minha amiga Liz Kimura para uma palestra sobre mind-mapping. Sou uma das convidadas da Liz para prestar meu depoimento de uso da técnica, e falarei do papel da tecnologia móvel na organização diária. Mas vai ter mais gente dando seus depoimentos.

Conseguimos um local bem acessível, na região da Paulista, perto do metrô Consolação. No dia 23, um dos convidados é Marcos Rossi. No dia 24, O José Luiz Cunha, da OZ! Sistemas de Organização. Eu estarei nos dois dias. As palestras iniciam-se às 19h e a entrada é 1kg de alimento não-perecível. Porém, por questões de espaço, as vagas são limitadas. Na oportunidade, Liz também falará dos cursos pagos de mind-mapping para quem quiser se aprofundar. E eu, sobre meus workshops de produtividade com auxílio da tecnologia móvel.

As informações completas sobre as palestras estão nos folders abaixo. Vejo vocês lá!

Folder - Palestra do dia 23/09
Folder - Palestra do dia 24/09

Ao longo dessa semana, eu e Liz estaremos no Twitter tirando dúvidas sobre as palestras:
http://www.twitter.com/garotasemfio
http://www.twitter.com/lizkimura

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escrito por Bia Kunze em Produtividade às 10:41 AM | Comentários (28) | Citações

agosto 27, 2008

GTD prático em dispositivos móveis

Vira e mexe eu comento aqui no blog sobre o "método GTD" de gerenciar minha vida com auxílio da tecnologia móvel. Então, decidi fazer um resumão do método GTD voltado para quem usa dispositivos móveis, com dicas para quem quer se organizar melhor.

Recomendo a leitura do post "A importância do brainstorm semanal" como complementar a este.

Antes, é bom deixar claro que há várias maneiras de implementar na sua vida o GTD, ou Getting Things Done - metodologia criada a partir de um livro homônimo de David Allen, que aqui no Brasil ganhou o nome de A Arte de fazer Acontecer). O que mostrarei aqui é uma simplificação, aplicada a usuários de tecnologia móvel: PDAs, smartphones e afins. Baseio-me em meus 8 anos de experiência de uso desses dispositivos para trabalhar.

Também deixarei os aplicativos de terceiros de lado. As dicas aqui valem para todos os dispositivos móveis, incluindo o Palm mais simples, usando os aplicativos nativos de Calendário e Tarefas. Mesmo num modelo mais antigo e "pelado", dá para se organizar direitinho. A chave é saber implementar. Tire o Palm velho da gaveta e mãos à obra!

1. Crie o hábito

Sem essa de anotar compromissos e tarefas em papéizinhos e post-its para "colocar no seu dispositivo móvel depois". Minha experiência mostra que você não colocará em seu dispositivo móvel depois. Habitue-se a anotar suas tarefas no Tasks e seus compromissos no Calendar tão logo eles surjam.

2. Tarefas e projetos

Segundo o GTD, é preciso seguir uma ordem na execução de suas tarefas diárias, desde a coleta das informações até o fazer. David Allen prega que não classifiquemos nossas tarefas por prioridade. Deu muito certo quando parei de usar as opções de prioridade que vêm nativas em Palms e Pocket PCs: baixa, normal ou alta. Meu dia de trabalho começou a render de verdade. Aboli aquelas malditas exclamações vermelhas da minha vida!

Há ainda os "Projetos". "Projetos" diferem de "tarefas" por requerem um conjunto de ações. Por exemplo, "criar um blog" é um projeto (pois tem várias etapas de execução), ao passo que "levar Totó para banho" é uma tarefa. É interessante usar o campo "notas" para definir as prováveis "próximas ações" de um projeto, que futuramente se transformarão em tarefas individuais.

3. Classificando

Todo sisteminha móvel permite que você crie categorias para suas tarefas. Esqueça as categorias padrão que vêm neles, geralmente "pessoal" e "profissional", que, na minha opinião, desviam o foco do que realmente importa. Ao invés disso, use os contextos. Por exemplo, para as coisas que você tem que fazer em casa, crie a categoria @casa. Para as coisas que requerem computador, crie a categoria @computador. Para as coisas do escritório, @escritorio. Para as coisas que você precisa fazer na rua, @rua. Para as ligações, @telefone. E por aí vai, cada um cria seus contextos de acordo com sua rotina de vida. O tempo que se ganha realizando tarefas por contexto é absurdo. Antes de usar esse método, eu usava as prioridades e boa parte do meu dia ia embora com deslocamentos desnecessários. Por exemplo, marcava como importante "ir no correio" e "escrever relatório" e os fazia primeiro, junto com todos itens de alta prioridade. Quando partia para os itens de média prioridade, via que tinha que "comprar cartucho de impressora"... Coisa que já podia ter feito quando estava na @rua, a caminho do correio!

Só é bom cuidar com a quantidade de categorias criadas; em alguns sistemas de PDAs, há um limite de 14. Portanto, planeje bem.

4. Calendário

Se determinado item tem data e hora para ser feito, ele é compromisso. Caso contrário, é tarefa. Lugar de compromisso é no Calendário. Não nas tarefas!

Durante meu planejamento semanal, depois de definir as tarefas e projetos dos próximos 7 dias, eu costumo reservar um período na semana para fazer tudo que é @rua, agregando tarefas ao calendário. Por exemplo, se marquei manicure quinta às 17h, item que exige deslocamento, já reservo a tarde de quinta para as demais tarefas @rua da semana: ir ao banco, correio, comprar coisas... Claro que antes da manicure, senão detono o esmalte... :) Se na quarta eu tenho médico às 16h, e eu sei que o consultório é perto de outros lugares que preciso ir, ou, pelo menos é caminho, já marco tudo para o mesmo dia. Pois é... hoje temos que considerar até o trânsito em nosso planejmento!

Notem que um planejamento nos mínimos detalhes é imprescindível para que a semana renda. Manter calendário e tarefas em sintonia só é possível a partir de um planejamento semanal bem feito. Eu faço isso aos domingos, ou na sexta de tarde, dependendo da semana, já que viajo muito.

5. Esvaziar a mente

O planejamento semanal é o momento em que você precisa esvaziar a mente. Jogar tudo no papel, para depois organizar. Eu uso os mind-maps para "esvaziar a mente". Uma vez que tudo está numa folha de papel, tenho um panorama geral de como será minha semana. Só depois ligo meu dispositivo móvel e passo a colocar itens nas "Tarefas" e organizar quando as farei no "Calendário", conciliando com coisas previamente agendadas. Ainda uso o papel para elaborar os mapas mentais, pois muitas vezes gosto de ter tudo fixado num mural, à vista de outras pessoas envolvidas, como marido, família e assistentes de trabalho.

Estou preparando um post só sobre mind-mapping para ajudá-los a entender um pouco como funcionam. Publicarei essa semana ainda.

6. Delegando

Todas as tarefas que preciso delegar vão para a categoria @delegadas, pois assim mantenho controle na cobrança de sua execução.

7. Sincronismo

É importante não esquecer de sincronizar tudo sempre, para manter seu computador e seu dispositivo móvel sempre atualizados. Como backup nunca é demais, recomendo que se crie ao menos uma continha Exchange gratuita para ter tudo sempre disponível online, acessível de qualquer computador. Recomendo o Mail2web. Funciona com Palms, Windows Mobile, Blackberry, Symbian e iPhone. Indispensável para profissionais móveis ultra-aterefados (e quem não é?), eu simplesmente não vivo sem Exchange há pelo menos 3 anos.

5. Transforme o inbox do seu Gmail

Isso acontece muito comigo: alguns boletos de contas a pagar chegam por email, bem como matérias para ler ou revisar e propostas de projetos para elaborar. Cada email desses é uma tarefa. Que tal transformar seu inbox num gerenciador de tarefas? Se você usa o Gmail, vai gostar muito do GTD Inbox. Como ele é um plug-in para Firefox, dá para usar em computadores de quaisquer sistemas operacionais. Seu webmail ficará muito mais produtivo, organizado e interessante. Mas o assunto "gerenciamento de emails usando GTD" ficará para um próximo post. Aguardem ;)

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escrito por Bia Kunze em Produtividade às 07:01 PM | Comentários (39) | Citações

julho 15, 2008

Uma breve história do email móvel

Ah, o email. Desperta amor em alguns e ódio em outros. Há até quem pregue o seu fim, alegando que os instant messengers tomarão seu lugar. O que é uma bobagem. O email é imbatível porque seu dono pode ter perfeito controle sobre ele, ao contrário dos MSNs da vida. Tenho usado cada vez menos IMs e concentrando meus canais de comunicação apenas em email e VoIP.

O email não é apenas a minha caixinha de correio digital. Cada vez mais integro os emails do meu Outlook, seja no PC ou no Windows Mobile, às minhas tarefas, contatos e compromissos. Se um cliente entra em contato pedindo algum material ou agendando reunião, o email se transforma imediatamente numa tarefa ou compromisso, com poucos cliques.

Hoje há excelentes aplicativos de email para diversas plataformas de PDAs e smartphones. Com a popularização do protocolo IMAP, hoje dá para afirmar que dispositivos móveis e desktops são cada vez mais independentes um do outro, bem ao contrário da época dos primeiros Palms.

Comecei a usar email em 2000, e por um bom tempo usei o protocolo POP - como todo mundo. POP, aquele em que você baixa todas as mensagens do servidor no computador. Quando estava longe do PC e precisava de um email antigo para referência, eu ficava na mão.

Nos primórdios da minha vida com um Palm, lá por 2001, gerenciar e-mails nele e no desktop era um ritual. O melhor aplicativo que se tinha na época era o Eudora. Você precisava baixar seus e-mails todos no desktop (eu usava conexão discada), conectar o Palm ao computador e fazer o sincronismo. Todas as mensagens da "caixa de entrada" iam para o Palm. No computador de mão era possivel ler as mensagens e respondê-las, mas não enviá-las. Ficava tudo na 'caixa de saida', e no proximo sincronismo, elas iam para a 'caixa de saida' do programa de e-mail do desktop e, enfim, eram despachadas se ele estivesse online. E dá-lhe dial-up outra vez.

E os neandertalenses da mobilidade, como eu, achavam isso o máximo. Esse era o nosso conceito de wireless na época. Hoje não consigo me imaginar saindo cedo de casa, sincronizando o PDA, levando os e-mails no bolso, e, de noite, sincronizando de volta. Nesse mundo contemporâneo precisamos de agilidade, o nosso próprio perfil profissional exige isso.

Quando adquiri um modem infravermelho da Psion (foto acima), declarei independência. Plugava a linha telefônica no bichinho e conectava-o por infravermelho ao Palm. E baixava os emails de qualquer lugar. Bem, desde que se tivesse uma linha telefônica fixa à disposição.

Depois vieram os celulares e as gambiarras com cabos. Só quando a tecnologia GSM chegou ao país podiamos conectar nossos celulares aos Palms e Pocket PCs por infravermelho e bluetooth e ser "sem fio" de verdade.

Aí surgiu o protocolo IMAP, aquele em que seu computador sincroniza as mensagens da sua máquina com o servidor, uma evolução do padrão POP. Em pastas e subpastas organizadinhas, podia ler meus emails novos e antigos, sabendo quais estava sinalizados como respondidos, urgentes, encaminhados etc. Não importava de qual computador. Incluindo aí PDAs e smartphones.

Hoje, quem tem sua vida profissional centralizada em e-mails, não vive sem IMAP. Escrevi há algum tempo um artigo descrevendo as diferenças e vantagens para o POP.

Dá para ir um passo adiante do IMAP, usando uma conta Exchange. Não só seus emails estão lá, mas também contatos, agendas e tarefas. Usuários corporativos amam o Exchange. Mas ele é vantajoso para qualquer pessoa e um alento caso seu dispositivo móvel dê pau e você esteja longe de casa. Dá para se imaginar numa viagem a trabalho e, de repente, você perde todos os seus contatos no smartphone? Nem pensar!

Por mais sofisticada que seja sua aplicação de email no Palm, Windows Mobile ou Symbian, creio que quando o assunto é correio eletrônico móvel ninguém bate o Blackberry. Não só pela tecnologia Push (as outras plataformas já a usam também) mas principalmente pela autonomia da bateria com o Push ativado. Push é quando você recebe a notificação da chegada do email na hora que ele adentra seu inbox. Para muitos executivos, essa instantaneidade pode ser a diferença na hora de fechar um negócio. Ou motivo de estresse sem fim.

Agora a Apple também apresenta seu "Exchange", o MobileMe, indo para além de emails e agenda. Uma revolução na vida online de qualquer profissional, se seguir o caminho que promete.

Graças ao iPhone, muita gente está tomando gosto pela internet móvel, mandando emails ou navegando pelo excelente Safari. Você acha que o email vai morrer? Reveja seus conceitos, o email móvel vai simplesmente virar febre. Estamos só engatinhando...

* * * * *

Nos próximos posts, darei dicas de como gerenciar melhor seus emails sem estresse, de forma produtiva - com a lei do "inbox zero". Também darei dicas de serviços gratuitos de webmail, IMAP e Exchange, além de uma seleção dos melhores programas de email para seu smartphone.

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escrito por Bia Kunze em Produtividade às 07:30 PM | Comentários (32) | Citações

junho 18, 2008

Agenda produtiva - de verdade

Todos sabem que sou uma profissional de múltiplas atividades, e que é preciso de talento de malabarista para manejar tudo sem estresse. Mas isso não é "privilégio" meu. Nos dias de hoje, todo mundo é multitarefa, às vezes estufando o peito dizendo que "vive na correria" e que chega em casa sempre "morto de cansaço", como se isso indicasse eficiência.

Para quem tem Palm, Windows Mobile ou Symbian, sua agenda pessoal pode ser muito mais que um mero lugar para anotar compromissos e tarefas botando alarme em tudo. Há excelentes agendas à venda em lojas online de softwares, que valem cada centavo. Decidi compartilhar com vocês algumas dicas sobre meu modo "sui generis" de gerenciar minha agenda atribulada através do meu dispositivo móvel. Usei como referência meu software de escolha, o Pocket Informant (PI), mas há vários outros, como o Agendus (também disponível para Palm, que usei por muitos anos e amava), o Papyrus e o Handy Calendar (estes últimos para Symbian).


Fase 1 - Mind-map

Ser dentista móvel não é só ir na casa do paciente, mexer na boca dele e ir embora. Tem que planejar o tratamento muito bem, para poder levar os medicamentos e jogos esterilizados corretos a cada dia de atendimento, programar idas à laboratório de prótese, manter prontuários e guias de atendimento sempre em ordem e atualizados.

Se fosse só isso... hoje tenho duas profissões! Ainda tem os textos e reviews do GSF e outras publicações para escrever, palestras para montar, consultorias para realizar. E a faculdade de jornalismo. E por fim, ai ai, a célebre jornada-extra feminina de dona-de-casa. No meu caso, em dobro: para a casa de Curitiba e o apê em S. Caetano.

É fácil passar batido por detalhes quando se tem muita coisa para fazer. Assim, sigo à risca o princípio do David Allen de esvaziar a mente, deixando-a livre para a criatividade. Sem essa de confiar na memória!

No começo de toda semana, faço meu brainstorm semanal, botando tudo no papel, em mind-maps. Sim, papel. Por que? Bem, papel eu posso colocar na minha Filofax, rabiscar, desenhar e pendurar no mural (no escritório ou no consultório) para não desviar o foco das minhas metas. Até as refeições da semana eu programo: assim, as idas ao supermercado e à feira são mais rápidas e eficazes. Mais uma vez, é o papel que é afixado na geladeira. Procuro reduzir o número de refeições fora de casa, só para os dias que for inevitável. Não apenas por questões econômicas (sou autônoma, não ganho ticket hehe) mas também para evitar de cair na armadilha do fast-food.

A Filofax continua sendo uma grande companheira. Embora seja um "clássico inglês", há bons similares, como a Redfax ou a Tilifax da Tilibra. Profissionais de saúde ainda vivem às voltas com papel. Carrego nela guias de atendimento que precisam de assinatura, exames, radiografias, recibos e outros documentos importantes. E flags, muitas flags para marcar páginas de livros ou da própria Filofax.


Fase 2 - Organizando as tarefas

Depois que a mente foi "esvaziada" no papel, organizo minha lista de tarefas. Tenho uma categoria no PI chamada ações, onde sub-agrupo as atividades por contexto. Assim, tudo o que preciso fazer com conexão banda larga (@banda larga) faço de uma vez (diferente das atividades @pc, onde independo de conexão ou posso usar conexões móveis mais lentas, como EDGE). Quando preciso fazer atividades de @rua (banco, correio, mercado etc) também o faço de uma só vez. O mesmo vale para escrever artigos, fazer telefonemas... há até uma sub-categoria chamada @esperando, para monitorar as atividades que delego. E as sub-categorias @um dia e @talvez ajudam-me a fazer planos para o futuro, baseando-me nas minhas metas pessoais e profissionais.

O tempo que se ganha agregando atividades por contexto é enorme!


Fase 3 - Colocando no calendário

Organizadas as tarefas, é hora de encaixá-las no meu calendário, onde, via de regra, já constam os atendimentos da semana, seja no consultório ou em domicílio. Esse é o momento de definir horários ou períodos para fazer todas as atividades @rua, por exemplo. Para uma profissional itinerante como eu, é importante colocar TUDO no calendário, por causa do tempo perdido no trânsito e deslocamentos - até isso deve ser considerado, para evitar atrasos. Também é importante pensar no lazer e separar um tempinho para ele - cinema, esporte, ver seu seriado favorito, etc.

Não é recomendado que deixe a agenda toda preenchida. É preciso pensar nas urgências - elas sempre aparecem de supetão e exigem solução imediata. Nesses espaços em branco ao longo do dia, quando não tenho urgências a resolver, respondo emails, checo meus feeds, leio livros e estudo. O mesmo vale para os momentos irremediavelmente "perdidos", como filas de banco, correio, congestionamentos... é sempre nessas horas que leio feeds no meu smartphone.

Organizando a rotina desse jeito, chego em casa e posso descansar, cuidar de mim. Sem essa de "levar trabalho para casa"!

Para as tarefas domésticas chatas (lavar louça, passar roupa, arrumar a casa) renderem mais e não sofrer procrastinação, deixo separados meus podcasts mais leves e divertidos. Cuido da casa com o fone de ouvido na orelha. Nem vejo o tempo passar.


Fase 4 - Checando os resultados

Não adianta nada se organizar tanto e não saber, depois, de se objetivos foram alcançados. É comum que haja um desequilíbrio nos tipos de atividades, fazendo profissionais se queixarem de dedicação excessiva ao trabalho, deixando o mais importante - família e pessoas importantes - de lado. E para nós, mulheres, é comum a queixa de falta tempo para "cuidar de si mesma". Sim, pois além de ser ótimas profissionais, esposas presentes, e mães dedicadas, ainda temos que estar sempre bonitas - magras, depiladas, com cabelos brilhantes e unhas impecáveis. É muita pressão!

Inspirada nos métodos de Covey, tudo o que vai para o meu calendário é categorizado segundo meu papel (ou "roles"). Assim, há pelo menos 6 Bias dentro de uma só: a Bia dentista, a Bia Garota Sem Fio, a Bia estudante, a Bia dona-de-casa, a Bia familiar (noiva e filha) e a Bia-Bia - que também é mulher e vai ao salão, cuida da saúde, se diverte etc. O resto fica por conta do PI, que calcula para mim o quanto tenho me dedicado a cada papel.

Foi por causa dessa utilíssima checagem de "estatísticas" que constatei que minhas crises de asma se deviam a um quase absoluto esquecimento de mim mesma em prol do trabalho.

Replanejei tudo em busca do equilíbrio e acho que estou no caminho certo. Sim, porque, no meu parecer, uma vida equilibrada e produtiva é uma eterna busca...


* * *

P.S. 1: Volta e meia aparece alguém perguntando dos meus mind-maps. Uso-os há pelo menos 6 anos, tanto para me organizar como para estudar. Quem me "introduziu" aos mapas mentais foi minha grande amiga Liz Kimura. Corri atrás de livros e mais tarde fiz um excelente curso a respeito, com ela. A Liz é uma das poucas certificadas pelo Buzan Institut (criador do método) para ministrar esses cursos, que recomendo fortemente. Na próxima sexta, dia 20, haverá uma palestra gratuita em São Paulo para quem quiser se iniciar nesse mundo. Será às 14 h, no no auditório vermelho do Centro de Convenções Rebouças. Mais informações aqui.


P.S. 2: Tenho sido cada vez mais requisitada nas minhas atividades de consultora e palestrante, e uma das requisições mais comuns vêm por parte de executivos e grupos de profissionais liberais em busca da produtividade com mais liberdade, algo que só a tecnologia móvel pode proporcionar. Assim, inaugurei uma seção nova aqui no blog chamada "Produtividade" onde compartilharei, aos poucos, mais e mais dicas de gerenciamento de tempo e produtividade com o auxílio de dispositivos móveis. Para dicas de uso profissional, uso o meu outro blog, o Profissionais Móveis. Deixo meu email disponível para quem quiser mandar sugestões de textos, dicas ou mesmo palestras para usuários finais: bia arroba garotasemfio.com.br

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escrito por Bia Kunze em Aplicativos às 12:45 PM | Comentários (56) | Citações