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novembro 28, 2006

Bolsa Judiciário

O grande desafio do "Lula Reloaded" nesse novo mandato não é saúde, educação ou desemprego. É o equilíbrio das contas públicas. O gasto com funcionalismo federal é uma coisa absurda, e duas medidas em especial ameaçam desequilibrar ainda mais as contas: os aumentos reinvidicados pelo Judiciário (que gerariam um efeito cascata em toda a magistratura da União) e o 13º do Bolsa Família.

Depois de muito bafafá em cima da proposta de aumento dos membros do Judiciário, Aldo Rebelo tirou a votação da pauta. Por enquanto. Ellen Gracie bem que tentou, mas não conseguiu. Ela foi hoje pedir ao Aldo Rebelo agilidade na votação do projeto que elevaria o teto salarial dos ministros do STF de R$ 24.500 para R$ 25.725. Além desse, há um que incorporaria gratificações aos salários dos membros do Conselho Nacional de Justiça, de R$ 23.200 para R$ 28.800, com a justificativa de custeio de passagens aéreas e hospedagem.

O tema repercutiu muito mal e o prórprio ministro Thomaz Bastos criticou a iniciativa. O Orçamento de 2007 está em discussão, e os gastos com pessoal, Previdência e custeio da máquina pública são assustadores.

Esses gastos chamados "primários" representavam 16,4% do PIB em 2003 e em 2007, devem alcançar pelo menos 18,5% do PIB. Pesam mais no aumento despesas da Previdência e vinculadas ao salário mínimo. Já os gastos com pessoal, que vinham se mantendo estáveis, devem crescer R$ 11,2 bilhões!

Com relação à turma do STF, nada foi suspenso, só adiado. Alguns membros do Judiciário achavam mesmo o momento inoportuno. A discussão deve ser retomada ano que vem.

Agora há o projeto de instituir um 13º para o Bolsa Família, aprovado pela oposição (!). Se a matéria for aprovada na Câmara dos Deputados, haverá aumento de R$ 800 millhões nos gastos do Governo Federal. Ainda assim, o presidente Lula poderá vetá-lo depois. Afinal, as eleições já passaram mesmo...

Se Tarso Genro e Paulo Bernardo criticaram duramente o 13º do Bolsa Família, alegando "irresponsabilidade", tenho certeza que eles alegariam o mesmo em caso de aprovação do aumento do Judiciário... ;)

novembro 26, 2006

Pobreza de espírito

Por que é que no Brasil quem tem dinheiro é invariavelmente encarado como vilão? Sim, basta alguém ter um bom carro, ou morar uma casa elegante que todos se acham no direito de desmerecer a pessoa. Que os métodos de enriquecimento são sempre sujos. Que é um absurdo andar num carro importado "enquanto milhares de criancinhas passam fome."

Presenciei um comentário de dois rapazes por volta dos 20 anos, ao verem um outro da mesma idade descer de uma Land Rover na área VIP do Shopping Barigüi:

- Quem vem para o Shopping de Land Rover, só pode estar querendo aparecer! PQP!
- Nesse Shopping só aparece playboy, tudo bando de ladrão filhinho de papai!

Peraí... ladrão?

Na faculdade acontece a mesma coisa, quem critica o governo é automaticamente "burguesinho" ou "riquinho", adjetivos que ganham conotação pejorativa semelhante a "leproso".

P.S.: eu tenho um Palio 1998 e moro em um bairro classe média-baixa.

novembro 23, 2006

Abaixo a carteira assinada!

Para quem não sabe, eu faço odontologia domiciliar. Meu consultório me acompanha onde eu vou. E não estou falando apenas do equipamento portátil: as opções de convergência de telefonia fixa e móvel são uma mão na roda para profissionais liberais e pequenos empreendedores. A ponto de eu desistir de contratar funcionários.

O "Siga-me", por exemplo, eu ativo quando não estou no consultório. As chamadas dirigidas para o telefone fixo são automaticamente encaminhadas para o celular. Há outras facilidades, e eu resolvi colocar meus gastos com essa comodidade tecnológica na ponta do lápis:

Despesa mensal com funcionário para atender ligações e marcar consultas:
- Salário: R$ 600
- Encargos: INSS, FGTS, encargos sociais, férias, 13º, etc etc etc: R$ 600
- Vale transporte: R$ 72
Total: R$ 1.272,00

Despesa mensal com serviços móveis:
- Recarga do celular pré-pago Brasil Telecom: R$ 15
- Torpedos para confirmação ou lembrete de consultas aos pacientes: R$ 35
- Assinatura básica telefone fixo: R$ 56,92
- Assinatura do pacote de serviços: secretária virtual integrada, identificador de chamadas, chamada em espera, conferência e siga-me: R$ 13,98
- Ligações do siga-me: R$ 83,67
- Plano Corporativo da Claro: assinatura de 4 linhas, franquia de 450 minutos: R$ 216,00
- Internet via GPRS/EDGE - pacote ilimitado: R$ 100
Total: R$ 555,57

Quando meu negócio crescer (sem trocadilhos, por favor) pretendo contratar um serviço de virtual office. Tudo terceirizado. É muito melhor. Não quero saber mais das dores de cabeça e do rio de dinheiro que vai para o ralo com contratação de pessoal. Sem contar que, com menos estresse administrativo, posso me concentrar mais nos meus pacientes, que é o que interessa.

As micro e pequenas empresas são responsáveis por 60% dos empregos com carteira assinada. Mas acho que o governo Lula não liga muito para isso. É por isso que não estamos mais contratando. Prefiro investir nesse tipo de serviço convergente do que contratar um funcionário. Acham ruim? Reclamem para o Presidente!

E dá-lhe Bolsa Família para todo mundo...

novembro 19, 2006

Pelo bem da colônia

Membros de uma comunidade orkutiana petista festejam sua vitória em cima do articulista Diogo Mainardi, da Veja.

A Sul América retirou o patrocínio do podcast, supostamente graças à vários internautas que enviaram uma enorme quantidade de e-mails para a seguradora.

Embora reconheça que seu jeito reacionário fez muita coisa boa pelos deficientes físicos do Brasil, nunca fui fã de Diogo Mainardi. Mas respeito as opiniões dele, afinal, vivemos num país com liberdade de expressão.

Vejam o que a tal comunidade no Orkut diz:

Pra quem não sabe, o maior organismo vivo do planeta não é a baleia azul no mar e nem tampouco o elefante na terra: é um formigueiro, composto por milhões de pequenos seres que agem sempre de maneira organizada, solidária e envolvente, voltados sempre para um objetivo comum: a sobrevivência da colônia!

Era a confirmação do que eu já sabia. Os petistas nada mais querem que o bem de sua própria colônia. Palavras deles mesmos.

Ouça aqui o áudio onde Diogo comenta a reação dos petistas do Orkut.

novembro 17, 2006

As arveres somos o bambu do Silvio Santos

Continuando a reflexão em cima do post anterior... quando falamos na velocidade com que as coisas se propagam na internet, esqueci de incluir a velocidade de ascensão e derrocada também.

No dia de ontem, o assunto foi a briga do João Gordo com o Dado Dolabella. Mas 15 dias atrás, era aquele vídeo infame do "As Arveres Somos Nozes". E amanhã, o que será?

Ah, já sei. Amanhã será o bambu do Silvio Santos. Perdi as contas de quantos links recebi hoje sobre o tal vídeo.

E dando de cara com "acompanhamento de novela em tempo real" num blog, com direito a chamada na home do UOL, a gente conclui: o modo de se ver TV mudou. Comparem o modo como é abordado o último capítulo de "Cobras e Lagartos" e como foi o de "Vale Tudo".

O modo das pessoas interagir mudou. E definitivamente, farei um empréstimo e darei um lance na compra da TIM!

novembro 16, 2006

João Gordo, Dado Dolabella e espirros na farofa

Não é o escopo desse blog tratar de picuinhas pessoais, ainda mais entre pseudo-celebridades, mas o assunto subitamente me levou a refletir sobre o que podemos esperar sobre vídeos, TVs e entretenimento em dispositivos móveis daqui um tempo. Um assunto que me fascina cada dia mais.

Como comentou o Glacial, o incidente entre o apresentador da MTV e o ator (?) e cantor (??) Dado Dollabela ocorreu em 2003. Naquela época um YouTube jamais faria o sucesso que faz hoje, pois ele é um produto direto da banda larga. Resultado: Bastou a MTV liberar as imagens dos bastidores da briga para a história tornar a ser assunto em qualquer rodinha.

Daqui algum tempo, não muito tempo, quando alguém "ouvir" um burburinho que a Cicarelli faz sei lá o que na praia, que a Piovani xingou alguém ou que houve um barraco qualquer por aí, bastará sacar o celular para assistir tudo. E enviar aos amigos, espalhando a nova onda, será praticamente instantâneo.

Minha dúvida não é quem teve razão na briga. Minha dúvida é: como há uma curiosidade natural em cima do que os outros fazem, já que sse tipo de notícia se espalha mais rápido que notícia "de verdade" (?), por que não usar essa onda para alavancar o uso dos celulares? Tenho certeza que as operadoras já pensaram nisso. Chegou a hora de arregaçar as manguinhas.

(Corta para a mente maligna da Bia, CEO da Kunze Mobile Inc. Consulta ao Banco de Dados. Procurando celulares de usuários entre 10 e 18 anos. Milhares de SMS disparados: "Assista o vídeo da briga na MTV! Baixe agora no seu celular! Apenas R$ 1,99 + impostos, custos de conexão cobrados separadamente")

Você acha que hoje, com a internet, tudo é muito rápido? Imagina quando a internet móvel estourar de verdade. Se o Lula espirrar em cima da farofa (TM-Analista de Bagé), em cinco minutos o mundo todo saberá. Reforçando: "5 minutos", nesse caso, não é hipérbole!

Será esse o futuro do entretenimento? Uma espécie de Big Brother on demand e on-the-go?

"I’ll give you a couple clues. I always think of mobile computing as personal computing. This long-term vision has led us through everything — first the organizers and now through the smart phone space. It’s like everything a personal computer is. Continue down that path. What are the implications of a world where everyone has a super high-speed Internet connection in their pocket and many gigabytes of storage, super-fast processors, audio, visual and multimedia? What are the consequences of that? How will that change computing when you have all that stuff available to you all the time? I try to think into the future. That’s how we come up with new products. So I’m not going to tell you what it is, but it’s following the consequences of mobile computing." (Jeff Hawkins)

novembro 04, 2006

Urna eletrônica não combina com disquete

O Brasil deu uma aula ao mundo em termos de processo eleitoral, graças às urnas eletrônicas, que atuam em nosso país há 10 anos. Poucas horas depois do fechamentos das urnas já tínhamos os vencedores.

Curitiba foi a primeira capital a terminar a apuração dos votos, cujos resultados mostraram a sucessão estadual mais acirrada do país. Na capital do estado, Osmar venceu por uma pequena margem. O estado do Paraná só não foi o primeiro a terminar a apuração porque em muitas cidades de baixo IDH (índice de desenvolvimento humano) o envio dos dados para apuração não é feito via internet. Parece inacreditável, mas é tudo transportado em disquetes, que seguiram de carro até a capital.

Aliás, foram justamente essas cidades com o menor IDH as responsáveis pela "virada" de Requião sobre Osmar. Vale lembrar que o atual governador é pródigo na implantação de programas assistencialistas. Por outro lado, Requião contribuiu para que o Paraná ficasse bem atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul nos índices de desenvolvimento, demonstrando queda progressiva a cada ano.

Políticos assistencialistas não têm vez nas regiões do país com melhor índice de desenvolvimento humano. Basta ver os resultados de Lula no sul do país, onde mais do que nunca se sabe: ninguém quer esmola. Quer desenvolvimento. Quer oportunidade. Quer investimento no campo, na cidade, na educação, nas pessoas, nas empresas...

Será que o povo de Doutor Ulysses, município paranaense de baixo IDH que votou massivamente em Requião e Lula, não preferiria viver num local em não fosse preciso salvar os dados da apuração em disquete e levar até a capital pela estrada? Lá eles não tem internet, mal têm linhas telefônicas, aliás. Por outro lado, têm vale-luz, vale-leite... E eles votam em Requião porque, além de não ter luz e linha telefônica, ainda têm medo de perder o vale-leite.

O que acontece com Lula e seu bolsa-família é mais ou menos a mesma coisa. E é triste saber que alguns políticos fizeram "terrorismo" nos rincões mais pobres do país, dizendo que o bolsa-família seria suspenso em caso de derrota de Lula. Muito triste. E esse "terrorismo" não é exclusivo do nordeste brasileiro: na capital do Paraná, dois deputados tiveram suas candidaturas impugnadas por caracterização de compra de voto - pessoas pobres recebiam de graça óculos, dentaduras e cadeiras de rodas desde que trouxessem seus títulos de eleitor e comprovante de residência. Após a impugnação, seus comitês passaram a espalhar boatos de os auxílios seriam suspensos.

Isso está correto? É de se refletir...

Discrepâncias tecnológicas à parte, independente de quem vencesse, não será fácil administrar um estado (e um país) tão divididos ideologicamente, graças a um processo eleitoral que começou morno e terminou pegando fogo.

Quanto a nós, eleitores, nosso dever cívico não terminou hoje, com o voto na urna. Caberá a nós, de agora em diante, questionar, discutir e até fazer barulho quando preciso. Cobrar as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, tão necessárias em nosso país. Precisamos de menos assistencialismo e menos demagogia travestidos de políticas sociais, e mais investimentos. E, acima de tudo, não devemos deixar a impunidade prevalecer. Há muita irregularidade sendo investigada, ainda. Espera-se que, com o fim da corrida eleitoral, não sejam colocados panos quentes em cima.

Desejamos boa sorte (e juízo) a todos os deputados, senadores, governadores e presidente eleitos.

novembro 03, 2006

Venceu o eleitor brasileiro

O ano de 2006 é histórico em termos eleitorais. Houve mais rigor nas fiscalizações de caixas de campanha e nada de showmícios pomposos. Porém, o mais marcada foi ver o quanto a grande mídia já não é mais tão influente no processo decisório das pessoas.

Tanto governo quanto oposição continuam com suas artimanhas eleitorais sujas: um lado tentou comprar um misterioso dossiê que prejudicaria o outro; este, por sua vez, usou artifícios ilegais para exibir, com alarde, o dinheiro que faria a compra do dossiê. A diferença é que agora as pessoas podem fugir das coberturas jornalísticas parciais, ou das campanhas publicitárias milionárias que fazem lavagem cerebral. Os eleitores podem, graças à web e aos blogs, analisar os dois lados da questão e decidir por elas mesmas quem está certo ou errado. Isso é fundamental para a consolidação da verdadeira democracia.

Pena que essa democratização saudável da informação e da liberdade de expressão ainda seja inacessível para a maioria do povo. Nos rincões mais pobres do Brasil, as notícias sobre corrupção, lavagem de dinheiro e chantagens diversas não chegam. O "coronelismo" reluta em morrer justamente por causa disso: há um desinteresse deliberado das autoridades para a chegada dos meios de comunicação mais democráticos em determinadas regiões do país.

Defesas passionais à parte, nunca dois candidatos à presidência da república são tão iguais e tão distintos ao mesmo tempo. O governo petista ficou marcado pela continuidade da política econômica de FHC, tão rechaçada pelo próprio Lula. Tanto tucanos quanto petistas têm partidários corruptos e ambos tentam enterrar CPIs que prejudiquem a si mesmos. Privatizações são usadas como bandeira eleitoral, sem que o povo sequer saiba o que elas realmente signifiquem, sem saber o seu lado bom e o ruim. O populismo e a política retrógrada na base do toma-lá-dá-cá persistem, dos dois lados, desta vez perigosamente negligenciados por conta de um pseudo desenvolvimento social.

Enquanto isso, a informalidade corre solta, a desigualdade social continua assustadora, os impostos ainda são altíssimos. Não há políticas de investimento interno a longo prazo. Não há previsão de uma reforma tributária, tão absurdamente urgente em nosso país. Vencendo um lado ou o outro, o rumo do Brasil não deve ser diferente.

Mas os cidadãos podem contruibuir e exigir resultados de seus governantes. Isso já começou no primeiro turno dessas eleições. Independente de quem vencesse o segundo turno, foi importante a existência dele. Prova que os eleitores estão preocupados com o futuro. Quem sabe assim teremos um mandato mais zeloso por parte do governo e mais participativo por parte dos cidadãos.

No fim das contas, não importava mais quem vencesse, Lula ou Alckmin. O brasileiro venceu antes, não se deixando abater pelo óbvio ou por pesquisas duvidosas. O povo discutiu o assunto, polemizou, fez valer sua voz em blogs, comunidades virtuais, entre outros meios democráticos de comunicação. E certamente, fiscalizará e cobrará mais do seu representante maior. E ele, lá no Planalto, sabe disso.

novembro 01, 2006

Pequenas e grandes mentiras

Em muitos países, especificamente os de cultura oriental, atitudes anti-éticas são punidas da forma mais eficiente que se tem conhecimento: a própria consciência do infrator.

É comum ver adolescentes japoneses que se suicidam por não passarem de ano na escola, ou jovens que se punem pelo resto da vida por pequenos delitos, fraudes ou mentiras. Uma simples postura incorreta no ambiente de trabalho faz a pessoa pedir demissão, tamanha a vergonha. Reconhecer o erro e retirar-se humildemente é a última tentativa de preservar a honra que restou.

O espetáculo de mentiras a que assistimos semana passada, protagonizado pelo Sr. Silvio Pereira, na CPI, vai tão na contramão de qualquer virtude conscienciosa que chega a ser patético. A pilhéria talvez só não tenha sido maior do que a do deputado João Alves – aquele dos anões do orçamento – que não hesitou em dizer a toda sociedade que seu suspeitíssimo patrimônio era proveniente de sete prêmios de loteria.

Seria a palavra “patético” correta para definir esses senhores? Não seríamos nós os “patéticos”, por assistirmos impávidos a tantas mentiras, num deboche deslavado com todos os cidadãos brasileiros? Não seríamos nós os ridículos, por reagir com tamanha complascência? Afinal, se um senhor se apresenta numa CPI e diz, em frente a todas as câmeras, frases como “não sei se eu menti” e se recusa antes de depor a assinar um termo de compromisso com a verdade, não seria porque ele tem absoluta certeza que vai se livrar de tudo no final? Porque sempre haverá alguém disposto a livrá-lo de tudo?

Se deputados, dirigentes, tesoureiros e membros em geral de todos os partidos se utilizam tanto da mentira no exercício de suas funções, não seria a culpa nossa mesma, de todo o povo brasileiro? E pior, será que o povo brasileiro tem “moral” para julgar os próprios representantes que elege, de modo absolutamente espontâneo, democrático?

O brasileiro é especialista em usar pequenas mentiras a fim de obter vantagens nas mais diversas situações. Executa artimanhas que se aprende desde criança. Rasura o boletim para esconder dos pais as notas da escola, usa o avô e prima grávida para furar fila, usa areia da praia para construir prédios, inventa dor de dente para faltar no trabalho, inventa que a tia Gumercinda está no hospital para sair mais cedo do expediente e ir para o boteco. E do outro lado ainda tem o cambista, o falsificador, o médico que vende atestados, o comércio das drogas. Pior que tudo, o brasileiro é mais especialista ainda em justificar suas pequenas mentiras. Alega pobreza, filhos para criar, lei da selva, diz que precisa sobreviver, precisa espairecer, precisa beber, precisa se drogar. Talvez para esquecer suas pequenas grandes mentiras.