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Urna eletrônica não combina com disquete

O Brasil deu uma aula ao mundo em termos de processo eleitoral, graças às urnas eletrônicas, que atuam em nosso país há 10 anos. Poucas horas depois do fechamentos das urnas já tínhamos os vencedores.

Curitiba foi a primeira capital a terminar a apuração dos votos, cujos resultados mostraram a sucessão estadual mais acirrada do país. Na capital do estado, Osmar venceu por uma pequena margem. O estado do Paraná só não foi o primeiro a terminar a apuração porque em muitas cidades de baixo IDH (índice de desenvolvimento humano) o envio dos dados para apuração não é feito via internet. Parece inacreditável, mas é tudo transportado em disquetes, que seguiram de carro até a capital.

Aliás, foram justamente essas cidades com o menor IDH as responsáveis pela "virada" de Requião sobre Osmar. Vale lembrar que o atual governador é pródigo na implantação de programas assistencialistas. Por outro lado, Requião contribuiu para que o Paraná ficasse bem atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul nos índices de desenvolvimento, demonstrando queda progressiva a cada ano.

Políticos assistencialistas não têm vez nas regiões do país com melhor índice de desenvolvimento humano. Basta ver os resultados de Lula no sul do país, onde mais do que nunca se sabe: ninguém quer esmola. Quer desenvolvimento. Quer oportunidade. Quer investimento no campo, na cidade, na educação, nas pessoas, nas empresas...

Será que o povo de Doutor Ulysses, município paranaense de baixo IDH que votou massivamente em Requião e Lula, não preferiria viver num local em não fosse preciso salvar os dados da apuração em disquete e levar até a capital pela estrada? Lá eles não tem internet, mal têm linhas telefônicas, aliás. Por outro lado, têm vale-luz, vale-leite... E eles votam em Requião porque, além de não ter luz e linha telefônica, ainda têm medo de perder o vale-leite.

O que acontece com Lula e seu bolsa-família é mais ou menos a mesma coisa. E é triste saber que alguns políticos fizeram "terrorismo" nos rincões mais pobres do país, dizendo que o bolsa-família seria suspenso em caso de derrota de Lula. Muito triste. E esse "terrorismo" não é exclusivo do nordeste brasileiro: na capital do Paraná, dois deputados tiveram suas candidaturas impugnadas por caracterização de compra de voto - pessoas pobres recebiam de graça óculos, dentaduras e cadeiras de rodas desde que trouxessem seus títulos de eleitor e comprovante de residência. Após a impugnação, seus comitês passaram a espalhar boatos de os auxílios seriam suspensos.

Isso está correto? É de se refletir...

Discrepâncias tecnológicas à parte, independente de quem vencesse, não será fácil administrar um estado (e um país) tão divididos ideologicamente, graças a um processo eleitoral que começou morno e terminou pegando fogo.

Quanto a nós, eleitores, nosso dever cívico não terminou hoje, com o voto na urna. Caberá a nós, de agora em diante, questionar, discutir e até fazer barulho quando preciso. Cobrar as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, tão necessárias em nosso país. Precisamos de menos assistencialismo e menos demagogia travestidos de políticas sociais, e mais investimentos. E, acima de tudo, não devemos deixar a impunidade prevalecer. Há muita irregularidade sendo investigada, ainda. Espera-se que, com o fim da corrida eleitoral, não sejam colocados panos quentes em cima.

Desejamos boa sorte (e juízo) a todos os deputados, senadores, governadores e presidente eleitos.

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