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Venceu o eleitor brasileiro

O ano de 2006 é histórico em termos eleitorais. Houve mais rigor nas fiscalizações de caixas de campanha e nada de showmícios pomposos. Porém, o mais marcada foi ver o quanto a grande mídia já não é mais tão influente no processo decisório das pessoas.

Tanto governo quanto oposição continuam com suas artimanhas eleitorais sujas: um lado tentou comprar um misterioso dossiê que prejudicaria o outro; este, por sua vez, usou artifícios ilegais para exibir, com alarde, o dinheiro que faria a compra do dossiê. A diferença é que agora as pessoas podem fugir das coberturas jornalísticas parciais, ou das campanhas publicitárias milionárias que fazem lavagem cerebral. Os eleitores podem, graças à web e aos blogs, analisar os dois lados da questão e decidir por elas mesmas quem está certo ou errado. Isso é fundamental para a consolidação da verdadeira democracia.

Pena que essa democratização saudável da informação e da liberdade de expressão ainda seja inacessível para a maioria do povo. Nos rincões mais pobres do Brasil, as notícias sobre corrupção, lavagem de dinheiro e chantagens diversas não chegam. O "coronelismo" reluta em morrer justamente por causa disso: há um desinteresse deliberado das autoridades para a chegada dos meios de comunicação mais democráticos em determinadas regiões do país.

Defesas passionais à parte, nunca dois candidatos à presidência da república são tão iguais e tão distintos ao mesmo tempo. O governo petista ficou marcado pela continuidade da política econômica de FHC, tão rechaçada pelo próprio Lula. Tanto tucanos quanto petistas têm partidários corruptos e ambos tentam enterrar CPIs que prejudiquem a si mesmos. Privatizações são usadas como bandeira eleitoral, sem que o povo sequer saiba o que elas realmente signifiquem, sem saber o seu lado bom e o ruim. O populismo e a política retrógrada na base do toma-lá-dá-cá persistem, dos dois lados, desta vez perigosamente negligenciados por conta de um pseudo desenvolvimento social.

Enquanto isso, a informalidade corre solta, a desigualdade social continua assustadora, os impostos ainda são altíssimos. Não há políticas de investimento interno a longo prazo. Não há previsão de uma reforma tributária, tão absurdamente urgente em nosso país. Vencendo um lado ou o outro, o rumo do Brasil não deve ser diferente.

Mas os cidadãos podem contruibuir e exigir resultados de seus governantes. Isso já começou no primeiro turno dessas eleições. Independente de quem vencesse o segundo turno, foi importante a existência dele. Prova que os eleitores estão preocupados com o futuro. Quem sabe assim teremos um mandato mais zeloso por parte do governo e mais participativo por parte dos cidadãos.

No fim das contas, não importava mais quem vencesse, Lula ou Alckmin. O brasileiro venceu antes, não se deixando abater pelo óbvio ou por pesquisas duvidosas. O povo discutiu o assunto, polemizou, fez valer sua voz em blogs, comunidades virtuais, entre outros meios democráticos de comunicação. E certamente, fiscalizará e cobrará mais do seu representante maior. E ele, lá no Planalto, sabe disso.

Comments

Oi,

Dá licença moça ? ;^)

Muito bom seu texto.. Ainda hoje me deparo com blogs petistas ou tucanos falando bobagens e mais bobagens sobr e o resultado das eleições..

Bom ver alguém tendo uma visão imparcial da situação, sem o pessisismo ou o otimismo cego de quem não consegue se abster da paixão em nome da razão...

Abraço,

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