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dezembro 26, 2006

Crise no céu e na terra

Esse foi um Natal cheio de sustos.

Ontem tive um almoço frugal em família, e no fim da tarde, lá pelas 18h, aproveitando o sol fraco, saí para pedalar - como já virou hábito desde que passei a morar num bairro deliciosamente calmo. Cheguei cansadona em casa, capotei.

Porém ontem, às 7 da manhã, toca meu celular, e eu levo um susto. Um colega se acidentou na estrada, teve politraumatismo e entrou em choque hipovolêmico. A família, em pânico, passou a recrutar o mundo em busca de doadores de sangue para que ele pudesse ser operado. O que tinham em estoque havia sido usado assim que ele foi socorrido.

O pânico não era só pelo susto do acidente, mas em não encontrar doadores numa manhã de Natal. Corri para doar o meu, já que sou O+, a mesma tipagem dele, mas na hora me explicaram que por causa da medicação que estou tomando como profilática para meu problema, eu não poderia doar.

Para vocês terem uma idéia da gravidade da situação, só conseguiram 2 doadores dos 15 necessários, e, no desespero, tiveram que aceitar o meu sangue mesmo assim. Se usaram não sei, mas em seguida acionei dezenas de amigos e conhecidos por celular, a maioria das vezes dando de cara com caixa postal. Deixei o pedido de socorro no meu MSN. Ligamos para algumas rádios e pedimos que notificassem os ouvintes no ar.

Deu certo. Lá pela hora do almoço ele entrou em cirurgia. Temos certeza que ele vai se salvar. A cirurgia acabou de noite, colocaram mil pinos em tudo quanto é lugar. Agora é rezar.

Causa do acidente: alta velocidade. Mas quando eu soube da história completa, me indignei.

Ele saiu de SP rumo ao aeroporto. Ficou lá algumas horas. Ligou para a família dizendo que tinha até mulher puxando o cabelo de funcionária da TAM. Talvez perdesse a noite de Natal e a ceia.

A mãe choramingou. A mulher também. A filhinha protestou. Ele desistiu de esperar e resolveu vir de carro, no maior stress. Deu no que deu.

A crise aérea é mais que uma mera crise institucional. É um desmantelador de famílias. Vimos pessoas em desespero, férias frustradas, compromissos perdidos e até o caso de um transplante de órgãos cancelado. E agora, uma vida quase perdida.

Todo dia alguém da Infraero ou mesmo o Lula se pronuncia dizendo que a situação 'agora está sob controle'. Alguém saberia me dizer, argumentando coerentemente, por que ainda não está?

dezembro 22, 2006

Anestésico do mal

A Vigilância Sanitária proibiu, no dia 27 de novembro de 2006, a venda em todo o território nacional do anestésico Lidostesim (cujo sal é o cloridrato de lidocaína a 3%, com norepinefrina 1:50 000 como vasoconstritor) e da Lidostesina (Cloridrato de Lidocaína a 2% + Norepinefrina 1:100000). O motivo foi uma série de notificações sobre a ocorrência de eventos adversos relacionados ao uso deles. O fabricante do anestésico é o laboratório Probem.

Aqui no Paraná, pelo menos, o Conselho Regional de Odontologia comunicou oficialmente que certos lotes do anestésico, distribuídos no estado, continham problemas. No resto do país, não sei.

Na mesma época eu soube da suspensão através de sites e periódicos odontológicos da internet, que acompanho regularmente. Inclusive acompanhei, através de um portal leigo, o G1, que a fabricante do anestésico contestou a proibição, entrando até com medida judicial para suspendê-la.

De repente, no dia 19 de dezembro último, vem à imprensa o caso da garotinha Milena, que entrou em coma durante um procedimento odontológico, após a injeção do referido anestésico. Alguns dias depois, ela faleceu. E a imprensa imediatamente desceu a lenha na dentista responsável.

Complicado responsabilizar o profissional que executava o procedimento. Tão logo eu soube que a menina entrou em coma, contatei alguns colegas via MSN e Gtalk para discutir o assunto. Nenhum sabia do ocorrido em São Bernardo, e pior, não sabiam da suspensão da venda do Lidostesim e da Lidostesina. Esses anestésicos são amplamente utilizado pelos cirurgiões-dentistas de todo o país.

Eu, particularmente, já havia notado problemas com produtos fabricados pelo laboratório Probem (posteriormente adquirido pela Dentsply), que costumam ter preços bem inferiores que os concorrentes. Na época em que cursava especialização, em 1999, em Ponta Grossa, meus colegas notaram, através dos tubetes, que o anestésico Lidostesim era estranhamente turvo. Nossa turma, desde então, nunca mais o usou. Aliás, um colega brincalhão costumava chamar a Probem de "Promal".

O que assusta mesmo é a atitude do laboratório, que pecou em não só omitir deliberadamente a proibição junto à classe odontológica, como contestou a suspensão e tentou revertê-la judicialmente.

Contudo, lamento que jornalistas da grande mídia prestem um desserviço à odontologia, tecendo suas próprias conclusões sem apurar os fatos adequadamente. Para piorar, alguns veículos generalizaram um problema específico com um lote de anestésico ligando-o ao medo de dentista, a uma extração dentária ou ao fato da criança não querer ir às consultas... isso é muito triste. É a imprensa marrom:

"Ela conta ainda que pensou em desistir de levar a filha para tratamento por causa do seu pavor de ir ao dentista. 'Toda vez que a gente saía de casa ela falava: 'mãe, a gente não vai para o dentista não né?', afirma Amanda, mãe de outras duas meninas, de 2 e 13 anos." (Fonte: G1)

Lembram do caso da Escola Base? É preciso aguardar o resultado da necrópsia da garota e da análise do anestésico apreendido na clínica. Também é preciso averigüar porque o laboratório Dentsply - Probem não notificou os profissionais dentistas que certos lotes de seus produtos continham problemas. E aí sim, tomar as medidas cabíveis.

dezembro 20, 2006

Facada

Ao deixar o hospital após ser esfaqueado por uma dona revoltada, ACM Neto é abordado por um repórter:

- Deputado, depois desse susto, tá tudo bem?
- Estou quase 100%.

dezembro 18, 2006

Mídia esquisita

Quando se trata de jornalismo de celebridades, a gente vê cada aberração...

1. Quando abri a home do UOL hoje cedo, me deparei com essa chamadinha:

Confesso que levei um susto. INCESTO? Minha nossa senhora! Entrei no link, que caiu na coluna da Fabíola Reipert. O texto não esclarece nada. Não é possível que seja incesto, dada a naturalidade da nota. Quem é esse Flávio-sem-sobrenome e o que ele faz da vida? De quem ele é gêmeo, afinal? Da Karina é que não é, não pode... Fala sério, que chamada mais mal-feita...

2. Na mesma coluna, uma nota curiosa: "Na novela 'Pé na Jaca', Último (Fúlvio Stefanini) se aproximou da filha Elisabeth (Deborah Secco) porque precisava de um transplante de rim e não tinha doador compatível. Na primeira temporada de 'Lost', o pai do personagem Locke fez exatamente igual." Que falta de criatividade, heim? Agora só falta o pai dar o pé na bunda da filha depois do transplante...

3. Luis Miguel paparica enfermeiras que cuidaram de sua namorada. Eu juro por Deus, se eu tivesse que escrever isso para viver, preferiria pedir esmola... mas se isso existe, é porque tem gente que lê...

4. Já faz algum tempinho que um desses sites também publicou a seguinte notinha: "Escândalo com drogas faz bem à carreira de Kate Moss". Parece piada de mau-gosto, mas tudo leva a crer que escreveram isso sem cair na real. Acreditei que logo se dariam conta da gafe, botando a culpa no estagiário, lógico. Para minha surpresa, achei a "notícia" por acaso quando fiz uma busca. Não acreditei, a nota está lá até hoje!

5. E agora, fugindo da bizarrice... O melhor filme (ou série) de animação de todos os tempos, IMHO (fora Branca de Neve) chega à 3ª edição. O trailer Shrek The Third já está disponível da web. Adoro ver as princesinhas da Disney em situações politicamente incorretas: na primeira edição, elas se estapearam na hora de pegar o buquê da noiva Fiona. Sensacional. Aguardarei ansiosamente o novo filme, ainda mais porque eles mantiveram o Gato de Botas no "elenco"!

dezembro 17, 2006

Aumento imoral

Pois bem, nossos espertos palamentares conseguiram equiparar seus salários com o do pessoal do STF. Não apenas o tesouro perderá com o desembolso do aumento como também deixará de arrecadar, já que na folha de pagamento a patota continuará recebendo os 12 mil. O restante virá na forma de “extras”. Assim eles não pagam mais imposto de renda.

Os parlamentares alegam que sua reinvidicação é "barata": custaria meros R$ 100 milhões aos cofres públicos. Por outro lado, um aumento de R$ 20 no salário resultaria num rombo de R$ 800 milhões. Na matemática eles têm razão. Mas que isso é imoral, não há dúvida.

Vamos deixar os clichês de lado, reclamando da vida (e de nós mesmos por sermos tão passivos), e efetivamente arregaçar as manguinhas? Sim, a gente pode fazer alguma coisa: ABRIR O BICO! Aqui estão os e-mails da cambada que votou a favor do aumento:

Aldo Rebelo (PC do B-SP):
dep.aldorebelo@camara.gov.br

Renan Calheiros (PMDB-AL):
renan.calheiros@senador.gov.br

Ciro Nogueira (PP-PI):
dep.cironogueira@camara.gov.br

Jorge Alberto (PMDB-SE):
dep.jorgealberto@camara.gov.br

Luciano Castro (PL-RR):
dep.lucianocastro@camara.gov. br

José Múcio (PTB-PE):
dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br

Wilson Santiago (PMDB-PB):
dep.wilsonsantiago@camara.gov.br

Miro Teixeira (PDT-RJ):
dep.miroteixeira@camara.gov.br

Sandra Rosado (PSB-RN):
dep.sandrarosado@camara.gov.br

Colbert Martins (PPS-BA):
colbertmartins@camara.gov.br

Bismarck Maia (PSDB-CE):
dep.bismarckmaia@camara.gov.br

Rodrigo Maia (PFL-RJ):
dep.rodrigomaia@camara.gov.br

José Carlos Aleluia (PFL-BA):
dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br

Sandro Mabel (PL-GO):
dep.sandromabel@camara.gov.br

Givaldo Carimbão (PSB-AL):
dep.givaldocarimbao@camara.gov.br

Arlindo Chinaglia (PT-SP):
dep.arlindochinaglia@camara.gov.br

Inácio Arruda (PC do B-CE):
dep.inacioarruda@camara.gov.br

Carlos Willian (PTC-MG):
dep.carloswillian@camara.gov.br

Mário Heringer (PDT-MG):
dep.marioheringer@camara.gov.br

Inocêncio Oliveira (PL-PE):
dep.inocenciooliveira@camara.gov.br

Demóstenes Torres (PFL-GO):
demostenes.torres@senador.gov.br

Efraim Moraes (PFL-PB):
efraim.morais@senador.gov.br

Tião Viana (PT-AC):
tiao.viana@senador.gov.br

Ney Suassuna (PMDB-PB):
neysuassun@senador.gov.br

Benedito de Lira (PL-AL):
dep.beneditodelira@camara.gov.br

Ideli Salvatti (PT-SC):
ideli.salvatti@senadora.gov.br

Só 3 votaram contra o reajuste: os deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Chico Alencar (PSOL-RJ), e a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL). Mas cadê a lista dos ausentes?

Sim, a gente tem que questionar PRINCIPALMENTE o pessoal que se ausentou da votação, e não foram poucos. O Osmar Dias (senador do meu estado, o PR) é um dos que se abstiveram, e estou furiosa porque votei nele para governador. Me sinto enganada.

Quem conseguir a lista dos ausentes, por favor, poste aqui no blog. Acho que esses sim são os mais perigosos. Os que votaram a favor são meros caras-de-pau. Os ausentes são hipócritas: daqui a pouco estarão derramando mil desculpas justificando a abtenção. E no momento oportuno (leia-se eleições) com certeza são os primeiros a jogar pedras nos colegas…

Já estou mandando meu e-mail para os digníssimos parlamentares. E como eu disse no começo do post, deixemos a lamentação de lado. Façam o mesmo.

dezembro 13, 2006

Quem será o próximo Pinochet?

Eu não acredito em céu nem em inferno. Mas de uma forma ou outra, todos receberão um dia o pagamento por todas as suas realizações na Terra.

Conheci bem de perto uma família que foi desmantelada durante o "período negro" no Chile. Acompanhei por anos os sofrimentos, as lutas e os traumas deles. Não há indenização financeira que compense tudo isso. Muitos chilenos comemoraram a morte de Pinochet como um início de "acerto de contas divino".

Mas não quero discutir a morte de Pinochet sob o ponto de vista religioso. O fato é que me assustei ao ler, em alguns lugares, artigos comentando que foi graças à ditadura de Pinochet que o Chile estabilizou sua economia e resolveu um grande pepino em termos previdenciários.

Isso sim me assustou. Achei leviana demais tal colocação. Nada justifica uma ditadura sangrenta e opressora, nada.

E eu fico aqui pensando em nossa situação, como brasileiros. Com tanta injustiça e impunidade, com tantos governantes trabalhando em prol de si mesmos, tenho medo que surja a qualquer momento uma revolta armada que tome o poder e estabeleça um novo regime ditatorial, com a desculpa de fazer a "limpa" que os brasileiros tanto desejam. Já cheguei a ter pesadelos assim há 10 anos, época em que namorava um chileno, de tanto ouvir as histórias que a família dele contava.

Hoje, porém, a situação é mais séria que há 10 anos. Há alguns braços radiciais do PT com uma sede de poder tão grande que não hesitariam em implementar uma ditadura com a desculpa de buscar justiça social. E o que é pior: os injustiçados, em sua ingenuidade, com certeza aplaudiriam e dariam grande apoio ao novo regime.

Assustador.

dezembro 02, 2006

"Turistas"

Estreou no último dia 1º de dezembro, nos EUA, "Turistas", um filme da Fox que detona o Brasil de todos os modos possíveis e imagináveis.

O cinema norte-americano é pródigo em esteriotipar o resto do mundo. Japoneses são todos traidores, alemães são racistas, russos são espiões, franceses são frescos, chineses e italianos são mafiosos e sul-americanos são traficantes.

No filme "Turistas" (assim mesmo, em português, veja o trailer aqui) uma grupo de mocinhos e mocinhas sarados deixam seu país, os EUA, em busca de aventuras e farra nas férias no Brasil. "Um país onde vale tudo", anuncia o trailer. Vale tudo mesmo. Os protagoniastas são embebedados, dopados, têm seus pertences roubados e, como desgraça pouca é bobagem, vão parar no meio de mato até se descobrirem alvo de uma quadrilha de traficantes de órgãos.

E haja clichês... no filme tem caipirinha e maconha à vontade, muito axé e funk, nativas seminuas, a floresta Amazônica do lado do Rio de Janeiro, índios perambulando pra lá e pra cá e brasileiros falando em sua língua-mãe: o espanhol, é claro! :-)

Obviamente muitos brasileiros se indignarão com o filme e até lançarão mão igualmente de esteriótipos para se justificar: americanos são todos arrogantes, dominadores e exploram os pobres do terceiro mundo. Mas não há o que fazer. Dizem que o filme, inclusive artisticamente falando, é tão ruim que condena a si mesmo. E o site que promove o filme, dando um "tom realista" sobre "as verdades acerca desse belo país", é uma piada tão malfeita que é impossível ser levado a sério.

Meu PIB não cresce, e o seu?

O fim de ano chegou com a triste constatação que o PIB brasileiro não cresceu dentro das expectativas do governo.

Não há mistério: um país só cresce com investimentos. O governo não investe em educação e infra-estrutura. Suas medidas sociais só trazem benefícios imediatos, de curta duração. Além disso não trazer emprego e aumento de riqueza, ainda cria uma legião de dependentes de assistencialismo.

No setor privado e produtivo, a coisa fica ainda pior. Por mais que se queira investir, quem seria louco de fazê-lo com essa carga tributária e juros insanos?

Mesmo entre países emergentes, nosso crescimento foi ridículo. Enquanto amargamos esse pífio PIB de 3%, somos obrigados a assistir, com inveja, nosso quase-vizinho Chile ostentar 8% - um valor de países de primeiro mundo. Ou alguém aí se orgulha de termos uma taxa de crescimento maior que a do Haiti?

O que falta para retomarmos o tão desejado crescimento? Postura política, e só. Enquento nosso presidente se mantiver em cima do muro, almoçando com liberais-democratas e dormindo com os cumpanhêros stalinistas de partido, nós não vamos a lugar nenhum.