Crise no céu e na terra
Esse foi um Natal cheio de sustos.
Ontem tive um almoço frugal em família, e no fim da tarde, lá pelas 18h, aproveitando o sol fraco, saí para pedalar - como já virou hábito desde que passei a morar num bairro deliciosamente calmo. Cheguei cansadona em casa, capotei.
Porém ontem, às 7 da manhã, toca meu celular, e eu levo um susto. Um colega se acidentou na estrada, teve politraumatismo e entrou em choque hipovolêmico. A família, em pânico, passou a recrutar o mundo em busca de doadores de sangue para que ele pudesse ser operado. O que tinham em estoque havia sido usado assim que ele foi socorrido.
O pânico não era só pelo susto do acidente, mas em não encontrar doadores numa manhã de Natal. Corri para doar o meu, já que sou O+, a mesma tipagem dele, mas na hora me explicaram que por causa da medicação que estou tomando como profilática para meu problema, eu não poderia doar.
Para vocês terem uma idéia da gravidade da situação, só conseguiram 2 doadores dos 15 necessários, e, no desespero, tiveram que aceitar o meu sangue mesmo assim. Se usaram não sei, mas em seguida acionei dezenas de amigos e conhecidos por celular, a maioria das vezes dando de cara com caixa postal. Deixei o pedido de socorro no meu MSN. Ligamos para algumas rádios e pedimos que notificassem os ouvintes no ar.
Deu certo. Lá pela hora do almoço ele entrou em cirurgia. Temos certeza que ele vai se salvar. A cirurgia acabou de noite, colocaram mil pinos em tudo quanto é lugar. Agora é rezar.
Causa do acidente: alta velocidade. Mas quando eu soube da história completa, me indignei.
Ele saiu de SP rumo ao aeroporto. Ficou lá algumas horas. Ligou para a família dizendo que tinha até mulher puxando o cabelo de funcionária da TAM. Talvez perdesse a noite de Natal e a ceia.
A mãe choramingou. A mulher também. A filhinha protestou. Ele desistiu de esperar e resolveu vir de carro, no maior stress. Deu no que deu.
A crise aérea é mais que uma mera crise institucional. É um desmantelador de famílias. Vimos pessoas em desespero, férias frustradas, compromissos perdidos e até o caso de um transplante de órgãos cancelado. E agora, uma vida quase perdida.
Todo dia alguém da Infraero ou mesmo o Lula se pronuncia dizendo que a situação 'agora está sob controle'. Alguém saberia me dizer, argumentando coerentemente, por que ainda não está?

