Há quase 20 anos
Hã? Suspensão do pagamento da dívida externa?
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Hã? Suspensão do pagamento da dívida externa?
Que filme fantástico! Saí do cinema embevecida, apesar de ter que engolir umas tias chatas no corredor, que não compreenderam que aquilo são quadrinhos, e não reconstituição histórica. Fiz um esforço imenso para que aquele monte de merda que ouvi na saída não me irritasse.
O filme é uma carnificina do início ao fim, pontuada por uma exibição constante de belos torsos masculinos. Mas nada é gratuito, apelativo, ao contrário do que se pode achar.
O tema central de '"300" é a guerra, a razão de viver (e morrer) dos soldados espartanos. Aliás, no filme quase não se usa o termo war, mas slaughter, apesar das legendas não trazerem a terminologia correta, o que dá uma diferença singela ao contexto. Mesmo quem não gosta de sangue, no filme se deleita com o prazer dos guerreiros em derramá-lo. Incrível como Jack Zynder conseguiu isso.
A exibição dos músculos dos soldados não é meramente para atrair a platéia feminina, que costuma fugir de filmes violentos. Mas para ressaltar a perfeição dos guerreiros, treinados desde crianças para o campo de batalha. São os 300 melhores de um povo que atirava bebês penhasco abaixo caso elas possuíssem quaisquer defeitos físicos, como o corcunda repugnante (que irritou as tiazinhas na sala de cinema). Em "300", nada, absolutamente nada é gratuito. Mas confesso que tinha momentos em que era impossível manter a atenção na linha narrativa, diante daqueles maravilhosos tanquinhos de guerra, huahuahua...
Mas o melhor de tudo é a beleza plástica do filme, que tem uma fotografia soberba. As cores, a textura, as riquezas de detalhes, tudo proporciona prazer visual. E há cenas para ver e rever, e rever, e rever:
- Quando o filho do capitão atira a lança no rinoceronte gigante. A câmera desce por trás do rapaz, pelo seu manto vermelho, até o bichão cair morto a seus pés.
- No finzinho, quando Leônidas atira sua lança contra Xerxes, e acompanhamos sua sombra no chão até atingir o rosto do rei persa.
Teve outro detalhe que me chamou a atenção: o cuidado em exibir os detalhes e imperfeições dos rostos das pessoas, como rugas e poros. Mesmo na rainha, que nem por isso ficou menos linda! Lembrei do último Superman, em que me deu vontade de chamar o protagonista de Superpancake.
O filme é excelente, mas sugiro que você não vá com suas tias ou priminhas românticas, que só querem ver o Rodrigo Santoro. Aliás, até isso poderá decepcioná-las, caso elas sejam muito sensíveis.