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300

Que filme fantástico! Saí do cinema embevecida, apesar de ter que engolir umas tias chatas no corredor, que não compreenderam que aquilo são quadrinhos, e não reconstituição histórica. Fiz um esforço imenso para que aquele monte de merda que ouvi na saída não me irritasse.

O filme é uma carnificina do início ao fim, pontuada por uma exibição constante de belos torsos masculinos. Mas nada é gratuito, apelativo, ao contrário do que se pode achar.

O tema central de '"300" é a guerra, a razão de viver (e morrer) dos soldados espartanos. Aliás, no filme quase não se usa o termo war, mas slaughter, apesar das legendas não trazerem a terminologia correta, o que dá uma diferença singela ao contexto. Mesmo quem não gosta de sangue, no filme se deleita com o prazer dos guerreiros em derramá-lo. Incrível como Jack Zynder conseguiu isso.

A exibição dos músculos dos soldados não é meramente para atrair a platéia feminina, que costuma fugir de filmes violentos. Mas para ressaltar a perfeição dos guerreiros, treinados desde crianças para o campo de batalha. São os 300 melhores de um povo que atirava bebês penhasco abaixo caso elas possuíssem quaisquer defeitos físicos, como o corcunda repugnante (que irritou as tiazinhas na sala de cinema). Em "300", nada, absolutamente nada é gratuito. Mas confesso que tinha momentos em que era impossível manter a atenção na linha narrativa, diante daqueles maravilhosos tanquinhos de guerra, huahuahua...

Mas o melhor de tudo é a beleza plástica do filme, que tem uma fotografia soberba. As cores, a textura, as riquezas de detalhes, tudo proporciona prazer visual. E há cenas para ver e rever, e rever, e rever:

- Quando o filho do capitão atira a lança no rinoceronte gigante. A câmera desce por trás do rapaz, pelo seu manto vermelho, até o bichão cair morto a seus pés.

- No finzinho, quando Leônidas atira sua lança contra Xerxes, e acompanhamos sua sombra no chão até atingir o rosto do rei persa.

Teve outro detalhe que me chamou a atenção: o cuidado em exibir os detalhes e imperfeições dos rostos das pessoas, como rugas e poros. Mesmo na rainha, que nem por isso ficou menos linda! Lembrei do último Superman, em que me deu vontade de chamar o protagonista de Superpancake.

O filme é excelente, mas sugiro que você não vá com suas tias ou priminhas românticas, que só querem ver o Rodrigo Santoro. Aliás, até isso poderá decepcioná-las, caso elas sejam muito sensíveis.

Comments

Também me amarrei no filme. A melhor definição daquela fotografia usada veio de uma colega: "Se vc pegar qualquer trecho do filme e congelar sai um quadro."
Porém umas coisas me deixaram incomodado. O Leônidas do filme ficou ótimo, mas fizeram umas mudanças sutis na personalidade dele em relação à HQ. No momento em que ele encontra o Ephialtes na revista ele dá uma leve humilhada no cara ao mostrar que ele não pode fazer parte da infantaria espartana ele fica decepcionado e se joga do penhasco. Já no filme ele é bem mais condescendente com o cara e este se revolta.
Quiseram suavizar um pouco, talvez pra dar um ar mais "politicamente correto" ao Leônidas, desnecessário.

nossa...foi um dos melhores filmes que eu já vi. e o primeiro que eu saí do cinema louco de vontade de entrar na fila para a próxima sessão. realmente impressionante o trabalho que eles tiveram pra tornar todo o filme uma obra de arte.

Eu, que tinha lido a HQ anteriormente, fiquei fascinado com o filme. É perfeito e fiel aos quadrinhos. Alguns pequenos detalhes foram colocados a mais em relação à HQ, mas ficou perfeito, provavelmente porque ali deve ter o dedo do Frank Miller.
300 é o tipo de filme que no final você levanta da cadeira cansado, mas feliz, muito feliz.

You actually raise good quality points, yet It looks like all your analysis is definitely off base, tremendous piece of writing though, congrats. Kathy

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