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dezembro 31, 2007

Virada offline, mesmo mobile

Que bom que existem os feeds RSS, para nos manter incólumes ante a sujeirada que domina a internet! Mas mesmo os feeds às vezes precisam de uns filtros, pois cerca de 80% do que leio regularmente por RSS é descartável. Em mais da metade, não vou além do título. Por isso, indo na contramão de muita gente, tenho preferido cada vez mais assinar feeds com resumos ao invés do artigo todo. Ganho muito tempo e poupo muita banda.

O bom de ser mobile é que continuo antenada com o mundo, mas sem ficar bitoladona na frente de um desktop. A maioria de minhas atividades são outdoor ou inkitchen, já que desta vez sou anfitriã aqui em casa.

Mas... quando assuntos como "previsões astrológicas" e "simpatias" para 2008 burlam meus filtros RSS, é sinal que chegou a hora de desligar a internet, móvel ou não. Já baixei meus livros, podcasts, limpei meu inbox... então, vamos para uma virada offline. Agora, o único gadget que ligarei até o dia 2 é o iPod.

Boa virada a todos!

dezembro 16, 2007

Cueca virada

Aconteceu há alguns anos, quando comentei por cima no Garota Sem Fio alguma coisa a respeito do profiterólis, minha sobremesa favorita. O post ficou nos obscuros arquivos do blog até que um personagem de uma novela das 7 da Globo resolveu usar o doce como sua marca registrada. E, 2 anos depois, passo a receber enxurradas de emails de comentários de gente pedindo a receita do dito cujo. Coisas do Google, sabem como é?

Antes que aconteça o mesmo com a cueca virada do post anterior, já que algumas pessoas vieram me perguntar, decidi me antecipar!

Cueca virada é um doce bem simples, tipo um bolinho doce frito. A receita leva poucos ingredientes e é bem barata. Na minha família, quem costumava fazer era minha falecida avó Cyrene, que nasceu e cresceu numa fazenda na região de Cruzília, sul de Minas Gerais. Lembro-me bem dela, mesmo doente e de cadeira de rodas (ela era portadora de esclerose múltipla e faleceu de câncer quando eu tinha 12 anos) fazendo muitos quitutes maravilhosos. Ela adorava cozinhar, aquilo era a vida dela.

O nome sui-generis, "cueca virada", vem porque a massa é cortada em triângulos e recebe uma fenda no meio, por onde transpassava uma das pontas torcidinha. O formato lembra mesmo uma cueca virada!

Eis a receita:

4 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de açúcar
2 ovos
2 colheres de chá de fermento em pó
leite o suficiente para dar consistência à massa
açúcar e canela para polvilhar os biscoitos depois de fritos

Mistura-se tudo numa tigela e vai se adicionando leite até a massa ganhar consistência. A massa vai sendo sovada e depois ela é aberta sobre uma superfície de mesa enfarinhada, para não grudar. Corta-se em triângulos, faz-se uma fenda no meio para passar uma das pontas e pronto, temos os bolinhos. Eles são então fritados em óleo, em fogo médio. Eles são retirdos do óleo assim que começam a ficar moreninhos e são polvilhados com generosas doses de açúcar e canela.

Minhas avó costumava fazer um grande "bacião" de cueca virada para os netos, lembro muito bem disso na minha infância em São Paulo, antes de mudar para Curitiba no início dos anos 80. A gente se empanturrava nos lanches da tarde, era o combustível de nossa infância cheia de energia para gastar.

dezembro 14, 2007

Estangeirismo sucks!

Foi com uma sensação de dèja-vu que vi essa notícia na rádio hoje: está rolando um projeto de lei que visa coibir o uso indiscriminado de estrangeirismos no Brasil.

Não é a primeira vez que a discussão vem à tona. Mas agora, na era da internet e da globalização, é hora de tomar medidas para preservar nossa língua.

Certo, há um pouco de exagero do lado dos legisladores, que querem que naveguemos em sítios na internet usando ratos, como nossos irmãos d'além mar.

Mas tem gente no comércio que abusa dos estrangeirismos. A fim de dar um ar aristocrático ao estabelecimento e aos produtos, a paciência dos consumidores acaba indo para o ralo. Por isso, sou a favor do projeto de lei.

Alguém aqui já foi na cafeteria Starbucks? Quem foi sabe que entre os quitutes expostos no balcão encontram-se wraps de frango, chocolate cookies e cinnamon muffins. Entre as bebidas, você escolhe cafés quentes ou frios nas versões tall ou venti. Tudo grafado assim mesmo.

O que, vocês nunca experimentaram cinnamon? É uma delícia! Nem sabem o que é cinnamon? Bah... Seus suburbanos...

O pedantismo da Starbucks vai além do cardápio, invadindo a língua dos atendentes. Quando escolho meu café, peço ao balconista que o prepare na caneca de porcelana - não suporto bebida quente em copo de papel, plástico ou isopor. O atendente retruca:

- Você quer no mug?

Não foi só uma vez. Sempre que eu vou lá, a cena se repete.

- Um capuccino grande, mas não quero no copo, quero na caneca, por favor.
- No mug?

Eu mudo o jeito de pedir a bebida. Mas não adianta. Os funcionários parecem aqueles robozinhos de telemarketing.

- Um expresso grande, por favor. Na caneca, ok?
- Um expresso no mug?
- Não, meu filho! No mangue não! Quero na caneca de cerâmica!

Não sei qual a penalidade proposta por esse projeto de lei. Mas se eu fosse fiscal, intimava a Starbucks a incluir no cardápio itens como sanduíche de mortadela, bolinho de chuva, pingado e cueca-virada...

dezembro 07, 2007

De novo, Lula?

Mais uma vez Lula apela para uma cisão social a fim de defender seus interesses. No caso, a continuidade da CPMF.

Sim, a CPMF é uma mierda (tm-Hugo Chavez), mas abrir mão dela a essas alturas seria um suicídio fiscal. Nem a oposição tem forças para lutar contra, pois todo mundo já notou que quem é contra a CPMF só o faz por birra.

Mas... de novo vir com esse papo de rico malvado contra pobre coitadinho? Todo mundo que tem conta corrente paga CPMF, seja empreiteiro ou balconista. Sem contar que as empresas, fonte de 90% dessa 'contribuição', repassam a despesa adiante. No fim, todos nós arcamos com tudo, não?

Santa demagogia, Batman!

Cartinha (ops, e-mail) de uma São-Paulina para o Papai Noel

Não quero mais nada. Obrigada.