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fevereiro 21, 2008

Off


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Ninguém num país de língua portuguesa tem obrigação de saber inglês. Aliás, aqui mal se escreve português. Mas quando jornalistas se propõem a criar um programa de TV com um título em inglês, o mínimo que se espera é que escrevam-no corretamente.

Recebi o convite acima por email e minha primeira impressão foi tão ruim que fiquei com medo do nível do tal programa. A não ser que o título tenha outra conotação (o que eu duvido), fico com o off do meu televisor mesmo.

Pensamento Positivo

Eu já estava com a documentação pronta para me mudar de mala e cuia para Sampa, transferindo o curso de jornalismo para a Cásper ou a Metodista. Mas se eu pudesse resumir em duas palavrinhas o motivo de eu permanecer em Curitiba, me alternando na estrada por mais um ano, elas seriam Universidade Positivo.

Estudei a vida toda no colégio Positivo, até o terceiro ano do segundo grau (em 1993). Depois fiz odonto na PUC. Nos tempos de escola, vi a Positivo Informática nascer, com os primeiros softwares educacionais. Hoje ela se tornou essa gigante, nem dá para acreditar.

Não hesitei em vir fazer jornalismo no Unicenp, que em janeiro se transformou em Universidade Positivo. Estou muito orgulhosa. E nada pode ser melhor do que meu projeto "a inclusão digital como ferramenta para inclusão social" receber apoio de uma instituição que não só admiro como me faz vestir a camisa.

fevereiro 14, 2008

De novo? Blogueiros versus jornalistas, bla bla bla...

Eu estava doida para ir na Campus Party. A viagem já estava marcada e tudo, mas com o casamento do meu irmão mês que vem e o meu daqui mais três, mais a volta às aulas, tive que setar prioridades na minha agenda.

Mas hoje, pela primeira vez, não me arrependo mais de não ter ido. Bastou eu espiar, por poucos minutos, o debate entre blogueiros e jornalistas. Sim, AINDA essa baboseira continua.

Por que certos blogueiros adoram se passar por rebeldes e injustiçados, se "revoltando" contra a chamada "mídia tradicional"? E por que certos jornalistas adoram botar lenha na fogueira e alimentar discussões que não levam a lugar nenhum, polemizando só por polemizar? Isso só desmerece ambas as categorias e enfraquece algo pelo qual deveríamos nos unir mais: a democratização da opinião, uma das melhores coisas que a internet traz.

Em qualquer profissão é assim. Se você é um advogado e quer mostrar que é bom, não vai fazer campanha "vejam como sou bom" nem atacar outras pessoas que se usam do clichê "todos os advogados são mercenários". Vai mostrar o resultado do seu trabalho e deixar as pessoas tirarem suas próprias conclusões. Assim, se você tem um blog, cria conteúdo próprio, de qualidade e é ético, precisa ficar provando isso por aí?

Webjornalismo

Além da odontologia, fiz 3 anos de rádio e TV e troquei de faculdade em busca de oportunidades para criar projetos em novas mídias. Agora faço jornalismo. Mas sempre fui blogueira. Portanto, não tomo partido de lado nenhum. Meu compromisso é unicamente com quem me lê e me ouve, com quem gosta de tecnologia móvel. O meio que eu utilizo para falar sobre tecnologia móvel - seja blog, rádio, podcast, jornal, revista - não tem a menor importância.

Ainda não comentei aqui a novidade: decidi ficar mais um ano estudando no Unicenp antes de me transferir para uma faculdade de SP. A instituição está dando a maior força em meus projetos ligados a novas mídias e pintou até um convite para ser professora substituta de webjornalismo. No começo achei que o convite era desproposital, mas depois vi que era sério. O pessoal lá bota a maior fé em mim. Pintou um medinho, mas não vou amarelar. Só que não chegarei lá arrotando sapiência, pois o que eu mais tenho na bagagem é experiência. Farei uma "pós emergencial" em docência, para me preparar melhor. Aceitei o convite quando enxerguei que teria uma oportunidade de mudar um pouco o jornalismo digital.

(Em off: Deram a faca e o queijo para mim? Azar o deles. Vou dar uma chacoalhada naquela faculdade. Farei todo mundo tirar o bundão da frente do Google nos laboratórios de informática. Vou botar os aluninhos na rua criando conteúdo com dispositivos móveis. Afinal, desde meu 1º dia na faculdade de jornalismo escuto e leio os grandes nomes da profissão dizendo que "lugar de jornalista é na rua"...)

Bem, por causa disso passarei 2008 viajando muito. Mas de modo algum isso interferirá em minha vida pessoal. Conversei com meu noivo e ele está dando a maior força, já que ele também é professor universitário. O problema é que terei dois lares para cuidar. Ai ai ai. Mesmo assim, vou encarar.

Só para concluir o assunto blogueiros versus jornalistas: ninguém precisa provar nada a ninguém. Eu me recuso a participar desse tipo de discussão. Tema mais do que over. E não tocarei mais nesse assunto em lugar algum. Aproveito para mandar um beijo para o Alexandre Sena e o Henrique Martin, que são blogueiros-e-jornalistas que admiro muito.

fevereiro 03, 2008

Ora, pílulas

Uma decisão polêmica em Pernambuco: o governo disponibilizará a pílula do dia seguinte nos postos de saúde durante o carnaval.

E adivinhem quem foi a primieira entidade a levantar a voz contra tal medida? A igreja católica, claro!

A pílula do dia seguinte é abortiva e gera uma série de efeitos colaterais. Trata-se de uma solução emergencial. Por que disponibilizá-la em postos de saúde, então? Por que não incentivar o uso da camisinha, entre outros métodos preventivos?

Conversei com uma amiga que trabalha na saúde pública e perguntei o que ela achava da novidade em Pernambuco. Como resposta, ela me contou histórias assustadoras. Para resumir, muita gente bebe e se droga tanto no carnaval que não lembra com quem (ou quantos) fez sexo. Essas pessoas, em tal estado, jamais se lembram de camisinha.

Como profissional de saúde, não cabe a mim julgar as pessoas. A pílula do dia seguinte é uma medida radical? Sem dúvida. Mas cheguei à triste conclusão que sua disponibilização é coerente. Em termos de saúde pública, ela evita males maiores. Se você é uma mulher que jamais faria aborto, porque vai contra os seus princípios religiosos, use seus princípios para você. Ninguém tem o direito de interferir no livre arbítrio dos outros.

O Estado brasileiro é laico e, apesar da forte religiosidade, isso está dentro da consciência de cada um. Não somos o Afeganstão. Aqui no Brasil, igreja alguma tem o direito de meter o pitaco em questões de saúde pública.

E nem precisamos ir tão longe, discutindo apenas aborto. Que tal simplesmente fazer controle de natalidade? Até nisso a igreja católica continua sendo contra. O SUS hoje disponibiliza diversos meios contraceptivos gratuitamente, desde camisinha e pílula até laqueadura. Mas não adianta tudo isso se a igreja insistir que ter dezenas de filhos vivendo em estado de pobreza "é a vontade de Deus". A história de José e Ana é o retrato mais do que fiel de uma família católica que só cedeu à laqueadura depois de chegar ao ponto de ter que doar um 18 filhos.

Carnaval [1]

Eu não gosto de carnaval, mas não tenho nada contra quem goste. O importante é descansar, mudar de ares, se divertir. Mas sobre desfiles de escolas de samba, me desculpem. Não posso compactuar.

A gente vive num país engraçado. Nós nos engajamos numa cruzada heróica (e inglória) a fim de melhorar o país, pregamos o fim da corrupção e da violência. Mas endeusamos os desfiles das escolas de samba, algo que todo mundo sabe que é patrocinado com dinheiro da contravenção.

Todo mundo sabe, mas faz de conta que não. E não venham com esse papo que milhares de famílias dependem disso. Se for assim, vamos legalizar os bingos, o jogo do bicho e o tráfico de drogas. Afinal, isso sustenta(ria) muitas famílias também!

Para não acabar com as escolas de samba, já que elas alavancam o turismo e geram caixa para todo mundo (carnavalescos, comunidades, comércio, hotéis e governos) e, obviamente, têm sua beleza, que tal legalizar tudo? Que tal uma fiscalização com pulso-firme por parte da Polícia Federal? E que tal a Receita ficar em cima, averiguando a origem do dinheiro dessas escolas?