Eu estava doida para ir na Campus Party. A viagem já estava marcada e tudo, mas com o casamento do meu irmão mês que vem e o meu daqui mais três, mais a volta às aulas, tive que setar prioridades na minha agenda.
Mas hoje, pela primeira vez, não me arrependo mais de não ter ido. Bastou eu espiar, por poucos minutos, o debate entre blogueiros e jornalistas. Sim, AINDA essa baboseira continua.
Por que certos blogueiros adoram se passar por rebeldes e injustiçados, se "revoltando" contra a chamada "mídia tradicional"? E por que certos jornalistas adoram botar lenha na fogueira e alimentar discussões que não levam a lugar nenhum, polemizando só por polemizar? Isso só desmerece ambas as categorias e enfraquece algo pelo qual deveríamos nos unir mais: a democratização da opinião, uma das melhores coisas que a internet traz.
Em qualquer profissão é assim. Se você é um advogado e quer mostrar que é bom, não vai fazer campanha "vejam como sou bom" nem atacar outras pessoas que se usam do clichê "todos os advogados são mercenários". Vai mostrar o resultado do seu trabalho e deixar as pessoas tirarem suas próprias conclusões. Assim, se você tem um blog, cria conteúdo próprio, de qualidade e é ético, precisa ficar provando isso por aí?
Webjornalismo
Além da odontologia, fiz 3 anos de rádio e TV e troquei de faculdade em busca de oportunidades para criar projetos em novas mídias. Agora faço jornalismo. Mas sempre fui blogueira. Portanto, não tomo partido de lado nenhum. Meu compromisso é unicamente com quem me lê e me ouve, com quem gosta de tecnologia móvel. O meio que eu utilizo para falar sobre tecnologia móvel - seja blog, rádio, podcast, jornal, revista - não tem a menor importância.
Ainda não comentei aqui a novidade: decidi ficar mais um ano estudando no Unicenp antes de me transferir para uma faculdade de SP. A instituição está dando a maior força em meus projetos ligados a novas mídias e pintou até um convite para ser professora substituta de webjornalismo. No começo achei que o convite era desproposital, mas depois vi que era sério. O pessoal lá bota a maior fé em mim. Pintou um medinho, mas não vou amarelar. Só que não chegarei lá arrotando sapiência, pois o que eu mais tenho na bagagem é experiência. Farei uma "pós emergencial" em docência, para me preparar melhor. Aceitei o convite quando enxerguei que teria uma oportunidade de mudar um pouco o jornalismo digital.
(Em off: Deram a faca e o queijo para mim? Azar o deles. Vou dar uma chacoalhada naquela faculdade. Farei todo mundo tirar o bundão da frente do Google nos laboratórios de informática. Vou botar os aluninhos na rua criando conteúdo com dispositivos móveis. Afinal, desde meu 1º dia na faculdade de jornalismo escuto e leio os grandes nomes da profissão dizendo que "lugar de jornalista é na rua"...)
Bem, por causa disso passarei 2008 viajando muito. Mas de modo algum isso interferirá em minha vida pessoal. Conversei com meu noivo e ele está dando a maior força, já que ele também é professor universitário. O problema é que terei dois lares para cuidar. Ai ai ai. Mesmo assim, vou encarar.
Só para concluir o assunto blogueiros versus jornalistas: ninguém precisa provar nada a ninguém. Eu me recuso a participar desse tipo de discussão. Tema mais do que over. E não tocarei mais nesse assunto em lugar algum. Aproveito para mandar um beijo para o Alexandre Sena e o Henrique Martin, que são blogueiros-e-jornalistas que admiro muito.