A gota d'água
O que me fez desistir do curso de docência não foi simplesmente a história de desabafada no Podsemfio n.64. Houve outro fato, a gota d'água.
Eu procurei o curso por puro interesse, e não obrigação. Por achar que, embora eu acredite que tenha condições de dar aulas (fui professora de inglês por 6 anos), eu precisava de algo mais para encarar uma turma de curso superior. Muita prática, quase nada de teoria e zero de mundo acadêmico.
As aulas começaram extremamente enfadonhas. Peguei-me distraída olhando pela janela diversas vezes, forçamdo-me a olhar de volta para os slides e tentar pegar o fio da meada da explicação. Eu lia os textos imensos nos slides e não entendia onde eles queriam chegar. Isso quando conseguia ler. Sabe aquelas cores de fundo que se chocam com as cores da fonte?
Até que uma luz se acendeu dentro de mim. O assunto discutido naquele momento era "como despertar o interesse do aluno em sala de aula". Material de suporte, atividades práticas, estímulo à participação do aluno...
Meu Deus! A professora não conseguia colocar a teoria em prática nem para ela mesma, em sua própria aula! E comecei a enumerar, mentalmente, os problemas que me faziam voltar os olhos para a janela o tempo todo: voz baixa e monótona. Leitura dos textos dos slides. Slides mal-feitos... muitos erros de digitação... imagens sem trato, escuras e pixelizadas, pegas à esmo da internet.
Depois de enumerar tudo, refleti por uns minutos, peguei minha mochila e fui embora. Simples assim.
Meu maior medo em justificar meu abandono do curso era parecer arrogante demais. Já passei da época de brigar, parecendo a dona da razão, ainda mais com doutoras em pedagogia. Não leva a nada e só dá dor-de-cabeça.
Você iria num dentista banguela? Ou num cardiologista barrigudo?
Não posso mudar as pessoas, mas posso escolher com quem convivo. Essa é minha máxima hoje.
