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April 22, 2004

MAR DE FOGO

por Cleverson Uliana

Hidalgo, EUA, 2004. Direção: Joe Johnston. Com: Viggo Mortensen, Zuleikha Robinson, Omar Sharif, Louise Lombard, Adam Alexi-Malle, Saïd Taghmaoui. 2h16. Aventura.

Uma aventura às arábias, com bom roteiro, bela fotografia e cenas de ação frenéticas. Estes são os ingredientes de “Mar de Fogo”, novo filme da Disney em cartaz nos cinemas brasileiros. Outro destaque é a participação de Viggo Mortensen, que depois de três anos deixa de lado o Aragorn de “O Senhor dos Anéis” para dar vida à história real do caubói Frank Hopkins.

Ele é um conhecido campeão de corridas a cavalo que, a convite do xeique Riyash (Omar Sharif), deixa os Estados Unidos para participar de uma lendária corrida pelo deserto, competindo com os melhores cavalos árabes. Desafio aceito, Frank e seu cavalo Hidalgo passam a enfrentar os perigos do chamado “mar de fogo” (como é conhecido o deserto árabe) e as trapaças de seus opositores de competição. A disputa não é das mais justas, pois o povo árabe, em sua maioria, não admite que um “estrangeiro” vença a corrida, ainda mais com um cavalo que resulta da miscigenação de outras raças. Não é puro como aqueles que são cultuados inclusive como animais sagrados na região.

O filme literalmente dá a largada a partir do começo da corrida, quando começa a ser explorada toda a grandiosidade dos desertos árabes. Uma locação exótica que por si só já produz uma bela fotografia, sem a necessidade de acrescentar qualquer outro recurso complementar. O problema é que foi adotado para o filme um visual escuro, talvez propositadamente para criar um aspecto de filme antigo e, principalmente, engrandecer o contraste do azul do céu e do pôr-do-sol com as areias do deserto durante toda a competição. O resultado é belíssimo. No entanto, em certos momentos a falta de uma iluminação mais precisa atrapalha o desenrolar da cena e incomoda o espectador.

Como toda boa aventura, “Mar de Fogo” peca por certo exagero nas seqüências de ação, o que não compromete o filme. A cena da tempestade de areia, por exemplo, soa como exagerada até para o espectador mais desatento. Apesar disso, tem um resultado espetacular. O mesmo não se pode dizer da seqüência da nuvem de gafanhotos, que sai prejudicada justamente pela iluminação soturna.

Viggo Mortensen tem um bom desempenho, mas a grande atração é mesmo o cavalo mustangue T.J., que deve ter passado por um exaustivo treinamento para realizar as proezas de seu “personagem”. O restante do elenco não tem destaque, uma vez que toda a ação está centrada em Hopkins e seu companheiro de corrida. Talvez por isso os outros personagens pareçam excessivos, chegando até mesmo a confundir o espectador sobre sua real função dentro da história. Mas este é mais um aspecto que não chega a atrapalhar o bom andamento do filme, que possui elementos suficientes para agradar.

Escrito por em April 22, 2004 01:01 AM

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