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April 14, 2004
ROUBANDO VIDAS
por Cleverson Uliana
Taking Lives, 2004, EUA. Direção: D.J. Caruso. Com: Angelina Jolie, Ethan Hawke, Kiefer Sutherland, Gena Rowlands, Olivier Martinez, Tchéky Karyo. 1h43. Suspense.

Deve ser difícil falar de um filme de suspense sem cortar o barato de quem ainda não assistiu. Ainda mais quando trata-se de um bom filme, como é o caso de "Roubando Vidas", estréia da semana nos cinemas brasileiros. Portanto, vou tentar não me estender e falar o menos possível dos permenores da trama.
Illeana Scott (Angelina Jolie) é uma agente do FBI, perita em perfil criminal, convocada pela polícia canadense para trabalhar na captura de um serial killer que age há 20 anos, assumindo a identidade de cada uma de suas vítimas. Pelo fato de seus métodos de trabalho serem desprezados pelo FBI, ela acaba trabalhando sem parceiros da polícia. O único a ajudá-la é Costa (Ethan Hawke), funcionário de um museu, encarregado de colaborar na busca de um professor de artes que está desaparecido.
Não é uma história original. Ainda mais por ter novamente a belíssima Angelina Jolie envolvida com o submundo do crime, como quando deu vida à policial de rua Amelia Donaghy, que ajuda a desvendar os mistérios de "O Colecionador de Ossos". Nos dois casos, contudo, a trama é contada de uma maneira que transforma o previsível em surpreendente.
Em "Roubando Vidas", durante a investigação, Scott começa a sentir uma forte atração por aquele que ela mesma identifica como o grande suspeito. Sem o discernimento que sua profissão exige, acaba se envolvendo com o criminoso e deixando com ele as rédeas da situação.
Tem início então uma interessante relação de atração e desejo entre os dois. De um lado Scott, que de tão ligada à sua profissão, não se importa com a morbidez de comer ou tomar banho rodeada por fotos de cadáveres esmiuçados. É isso que de certa forma estimula sua atração pelo assassino. De outro lado está ele, sempre acostumado a fazer as pessoas acreditarem no que quisesse, que começa a gostar da situação quando percebe que, até certo ponto, tem a investigadora em suas mãos.
Tecnicamente falando, um dos destaques do filme são os enquadramentos diferenciados, além do trabalho de edição, que dá a algumas seqüências tratamento de videoclipe, deixando-as frenéticas, característica não muito comum no suspense tradicional.
Enfim, é um bom filme que ganha pontos por envolver e inebriar o telespectador. Por mais que você ache que matou a charada e que aquele era mais um filme de mistério, vem mais uma reviravolta que culmina com um final senão surpreendente, no mínimo, interessante.
Escrito por em April 14, 2004 11:55 PM