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April 08, 2004

SCOOBY-DOO 2: MONSTROS À SOLTA

por Cleverson Uliana

Scooby-Doo II: Monsters Unleashead, EUA, 2004. Direção: Raja Gosnell. Com: Freddie Prinze Jr., Sarah Michelle Gellar, Matthew Lillard, Linda Cardellini, Seth Green, Peter Boyle. 1h33. Aventura.

Na minha infância, sempre fui fã das aventuras de Scooby-Doo e sua turma. Adorava aquele lance de monstros e investigação. Em 2002, quando chegou aos cinemas o primeiro filme da trupe, o entusiasmo inicial deu lugar a uma certa frustração. Parecia que tudo aquilo que funcionava tão bem em desenho animado não rendeu bons frutos no cinema. Até porque as histórias de Scooby-Doo sempre foram uma grande brincadeira. E isso explica porque elas, mesmo sendo absurdas, eram tão bem-sucedidas em desenho animado.

No cinema, porém, tudo soa falso demais, com excesso de exagero e falta de um comprometimento maior com a realidade, mesmo tratando-se da realidade ficcional. Sim, porque muitos filmes com histórias descabidas e absurdas, quando têm por base um roteiro inteligente e bem desenvolvido, transportam o espectador para dentro da história, fazendo-o acreditar em tudo aquilo que ele está vendo. Esta é a lacuna que ficou vaga tanto no primeiro quanto no segundo filme, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros.

A temática continua a mesma, com a Mistério S.A. tentando desvendar os mais enfadonhos enigmas, sempre se deparando com muitos monstros e sustos, principalmente por parte de Salsicha e Scooby, os dois mais azarados da turma. Aliás, a famosa dupla passa aqui por uma crise de identidade, quando começam a questionar suas funções dentro da equipe. Ainda mais quando a trupe tem em seu caminho uma inoportuna repórter, que parece sempre querer acabar com a reputação dos heróis.

Em meio a isso acontece um roubo no Museu de Criminologia que expõe os disfarces de vários criminosos que algum dia foram capturados pelos integrantes da Mistério S.A.. Como eles estão presentes na hora do incidente e não conseguem impedir a confusão, passam de heróis idolatrados a sujeitos enxovalhados por seus antigos fãs e, principalmente, pela imprensa. Tem início então uma busca desenfreada pela solução do mistério do roubo e, acima de tudo, pela recuperação da reputação do grupo.

Fica mais evidente no segundo filme a grande moral das histórias de Scooby-Doo, que havia sido deixada um pouco de lado no primeiro. Eles mostram como é possível que quatro pessoas completamente diferentes, ainda por cima ao lado de um cachorro, conseguem alcançar bons resultados quando trabalham juntas. Estão todos lá: o garanhão (Fred), a patricinha (Daphne), a intelectual (Velma) e o bobão (Salsicha). Cada um com suas qualidades e defeitos, que podem ser supridos por alguma característica do outro. É difícil dizer se as crianças conseguem captar essa que é a essência de toda a história. De qualquer forma, o filme mostra-se bem intencionado neste sentido.

Do primeiro para o segundo filme, os efeitos digitais melhoraram bastante. Ainda mais nas expressões de Scooby-Doo, que apesar de continuar na dicotomia de parecer fiel à realidade ou ao desenho animado, mostra uma maior entrosamento nos movimentos do corpo e, principalmente, da boca. Apesar de forçarem a barra em alguns casos, os monstros continuam sendo uma atração à parte. Desta vez, há dois esqueletos malucos de um único e enorme olho que são um barato e roubam todas as cenas em que aparecem. Os atores também melhoraram, já que parecem estar mais familiarizados com seus personagens, deixando um pouco de lado a interpretação canastrona que ficou mais que evidente no primeiro filme.

Eu diria, inclusive, que este segundo filme é melhor que o anterior. Mas não muito! Os problemas de roteiro continuam e o melhor fica mesmo por parte dos efeitos digitais, que consumiram mais da metade do orçamento total do filme. Não vá ao cinema com uma grande expectativa, porque a probabilidade de sair frustrado é grande.

Escrito por em April 8, 2004 04:54 PM

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