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May 13, 2004
Líder do Motörhead ironiza a música do Darkness

No encontro com jornalistas brasileiros na tarde desta terça, o trio formado por Lemmy Kilmister (vocal/baixo), Phil Campbell (guitarra) e Mikkey Dee (bateria) esbanjou bom-humor e espírito rock'n'roll, com direito a incontáveis cigarros e garrafa de whisky para descontrair a entrevista. "Motörhead não é somente o meu trabalho, é a minha vida", diz o baixista, líder da banda, Lemmy Kilmister.
O homem é uma lenda. Cantando como um trator desde os anos 70, o músico teve as primeiras experiências profissionais como roadie do mítico Jimi Hendrix. "Não me lembro de muita coisa daquele período. Sei que Hendrix é o melhor guitarrista de todos os tempos, mas tomei muito ácido durante o trabalho. Não conseguiria contar grandes histórias sobre ele", diverte-se.
Lemmy acaba de participar do badalado projeto Probot, do foo fighter Dave Grohl. O álbum apresenta a faceta heavy metal do ex-baterista do Nirvana e traz importantes vocalistas do gênero interpretando canções inéditas, todas compostas por Grohl. Lemmy canta Shake Your Blood. "É um projeto paralelo do Dave Grohl, não?", despista. "É uma boa música, o clipe (repleto de garotas tatuadas e semi-nuas) também ficou bom, e é isso".
O músico parece mais animado com Inferno, disco que o Motörhead já gravou e deve ser lançado em breve. "Já fizemos umas coisas na Europa e o disco sai nos Estados Unidos em junho ou julho. Tocaremos umas composições dele nos shows pelo Brasil", conta.
"Assim como Hammerhead, gravamos Inferno em Los Angeles. Não diria que é algo que mudará a vida das pessoas, mas é um típico disco que passou pelo nosso crivo. O que significa que não é qualquer porcaria. Somos exigentes", diz o baterista Mikkey Dee. "É puro heavy metal, puro Motörhead", avisa.
Ainda no campo das produções em estúdio, Lemmy confirma a feitura de um álbum solo, o primeiro de sua carreira. "O problema é que eu gravo entre as turnês do Motörhead. Acho que ele nunca vai ficar pronto". O que se pode esperar do repertório? "Terá músicas antigas alemãs e Janet Jackson", diz, às gargalhadas.
Fora as citações de Sepultura e Soulfly, o grupo desconhece o que é feito por brasileiros, mas tem lá suas conexões com os trópicos. "Meu técnico de guitarra é paulista", diz Phil Campbell. "Tenho ouvido muito o álbum que o Rush gravou no Rio de Janeiro (Rush in Rio, gravado na edição 2001 do Rock in Rio)", diz o baterista.
Perguntado sobre o fenômeno The Darkness, que ao fazer uma certa caricatura do metal oitentista faz um sucesso incrível - faturaram três Brit Awards, inclusive - Lemmy, entre uma baforada e outra, saiu-se com um: "Eu não dou a mínima para bandas engraçadinhas como essa. O Motörhead é melhor do que tudo isso que está aí". O show desta sexta será uma boa oportunidade para confirmar, ou não, as declarações rockers do músico.
Escrito por em May 13, 2004 10:48 PM