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May 21, 2004

Tróia

por Cleverson Uliana

Troy, EUA, 2004. Direção: Wolfgang Petersen. Com: Brad Pitt, Eric Bana, Orlando Bloom, Diane Kruger, Sean Bean, Brian Cox. 2h45. Aventura.

A mera quantia de 200 milhões de dólares foi o valor investido na difícil transposição de “A Ilíada”, de Homero, para o cinema. A tragédia serviu de base para a criação de “Tróia”, grande estréia da semana nos cinemas de todo o mundo. A história não foi seguida à risca, mas deu origem a um filme grandioso em todos os aspectos. Elenco, produção, cenários, figurinos, locações... Tudo é muito bem cuidado, deixando claro todo o requinte dedicado à obra.

O filme se passa em 1193 a.C. e mostra como a paixão de Páris (Orlando Bloom), príncipe de Tróia, e Helena (Diane Kruger), rainha de Esparta, desencadeou a guerra entre as duas cidades-estado. Ela é casada com Menelau (Brendan Gleeson) e dá início ao conflito ao aceitar a insensata idéia de fugir com seu grande amor. Os exércitos gregos são então convocados para a sangrenta batalha de resgate e vingança. Contam com o apoio do habilidoso Aquiles, filho dos deuses, que entra no combate junto com Ulisses (Sean Benn) mais pela vontade de derrubar os invencíveis muros que protegem a cidade de Tróia que por apoio à aparente causa do conflito. Na verdade, o que parecia uma guerra pela honra da família de Menelau acaba tomando proporções de uma guerra por território, por meio de seu irmão, rei de Mecenas, o ambicioso Agamenon (Brian Cox), que deseja agregar Tróia ao seu império. A esperança de Príamo (Peter O’Toole), rei de Tróia, está nas mãos de seu filho, o valente Heitor (Eric Bana).

À frente do afiado elenco estão Brad Pitt, Eric Bana e Orlando Bloom. É visível a preparação física dos atores para dar vida aos personagens mitológicos. Mas não são apenas os músculos que ficam em evidência. Os três estão muito à vontade em seus respectivos papéis, mostrando competência cada qual dentro do que seu personagem exige. Brad Pitt suou a camisa para compor Aquiles, o arrogante e imbatível herói grego. Tem seu corpo explorado em diversos momentos do filme, uma ressalva a todo o erotismo inerente à época. Eric Bana mostra eficácia ao interpretar o valente Heitor, aquele que corajosamente bate de frente com o temido Aquiles. Os dois atores passaram por um exaustivo treinamento, principalmente para a realização da cena do duelo mortal entre seus personagens. Orlando Bloom, por sua vez, vive o personagem masculino mais contraditório da história. A coragem e o vigor inicialmente mostrados no filme dão dando lugar a um Páris covarde e inconseqüente, o grande culpado por detonar o estopim da guerra. Os três atores podem ser considerados protagonistas temporários, já que revezam o posto de personagem principal no decorrer da história. Cada um tem seu grande momento em “Tróia”. O filme começa centrado em Páris, que depois vira coadjuvante para dar espaço a Heitor. Na reta final, finalmente as atenções se voltam a Aquiles.

Para viver Helena, a causadora de todo o conflito, o diretor Wolfgang Petersen queria um rosto desconhecido do grande público. A busca de seis meses chegou ao fim ao encontrar a modelo alemã Diane Kruger. Mas o resultado fica aquém do esperado, uma vez que sobram beleza e ingenuidade naquela onde deveriam reinar a sensualidade e a atitude. É pouco para a grande causadora da maior guerra da Grécia.

Problemas não faltaram para a produção de Tróia, que começou a ser rodada na costa do Marrocos, sendo depois transferida para a ilha mediterrânea de Malta. Os conflitos no Oriente Médio acabaram mandando toda a equipe para o Cabo San Lucas, um balneário mexicano. Pode-se ter uma idéia da dificuldade de transportar três cenários distintos e transpô-los em três locações diferentes. O resultado é primoroso, sendo imperceptível qualquer mudança mesmo para o espectador mais atento. O grande problema foi o aumento de 30 milhões de dólares no já ambicioso orçamento.

O mais curioso é o fato de um filme retratar a tão bem a Grécia antiga, mesmo sem ter sido rodado lá. A grandiosidade dos cenários impressiona, especialmente a reconstrução da cidade de Tróia e do templo de Apolo, além da réplica do lendário cavalo responsável pela famosa virada da história. Tudo isso, aliado às locações paradisíacas, resulta num visual belíssimo, que enche os olhos do espectador. Também fica clara a precisão dos figurinos, todos muito condizentes com a época e o lugar em questão.

Os efeitos especiais, apesar de funcionais e competentes, não mostram nenhuma inovação. Tanto que o ponto alto está no tão ultimamente usado milagre da multiplicação, especialmente na cena dos navios de guerra gregos em direção a Tróia. Outros grandes momentos são reservados quando entram em cena os mais de 500 figurantes com seus arcos, escudos e armaduras, dando vida ao mitológico conflito que durou mais de uma década. Enfim, tudo muito coerente e verossímil com o que sempre se ouviu sobre a Guerra de Tróia. Uma boa idéia, bem desenvolvida e produzida com excelência. Resultado? O melhor filme do ano até o presente momento.

Escrito por em May 21, 2004 12:36 AM

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