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June 24, 2004

Shrek 2

por Cleverson Uliana

Shrek II, EUA, 2004. Direção: Andrew Adamson, Kelly Asbury, Conrad Vernon. Desenho Animado. 1h45.

Finalmente estreou no Brasil "Shrek 2", a continuação da saga do ogro verde que já é o desenho animado de maior bilheteria em todos os tempos no mercado americano, tirando o posto conquistado no ano passado por "Procurando Nemo". Imagino que nem a própria Dreamworks esperava tamanho sucesso da seqüência. Mesmo o original, de 2001, já havia sido muito bem-sucedido, alcançando a boa marca de $455,100,000 em todo o mundo. A continuação, até agora, já acumula $382,784,000 somente nos Estados Unidos, onde já é a sexta maior bilheteria de todos os tempos. Ou seja, provavelmente "Shrek 2" ainda tem recordes para quebrar agora que ganhou as salas do restante do globo.

Dessa vez, após se casar com a princesa Fiona, Shrek vive feliz em seu pântano. Ao retornar de sua lua-de-mel, ela recebe uma carta de seus pais, que não sabem que a princesa agora é um ogro, convidando-a para um jantar juntamente com seu grande amor, na intenção de conhecê-lo. A muito custo, Fiona consegue convencer Shrek a ir visitá-los, tendo ainda a companhia do Burro. Porém, os problemas começam quando os pais de Fiona descobrem que ela não se casou com o príncipe, a quem havia sido prometida, e enviam o Gato de Botas para separá-los.

A partir dessa espinha dorsal foi desenvolvida a segunda aventura de Shrek no cinema. A essência continua a mesma, com personagens de outras histórias e referências a outros filmes aparecendo a todo o momento. A grande novidade fica por conta da inclusão de dois novos personagens que têm muito a acrescentar à história: o Gato de Botas e a fada-madrinha Dama Fortuna. Ambos roubam as cenas em que aparecem, engrandecendo ainda mais o já seleto "cast" do filme. Mas claro que a parceria entre Shrek e seu inseparável Burro continua rendendo excelentes cenas. Aqui, por sinal, tem-se uma grata surpresa ao ver ambos se transformando, respectivamente, em homem e alazão. Independente da forma que tomem, a dupla continua impagável.

Se no primeiro "Shrek" a qualidade da animação já impressionava, a seqüência deixa os espectadores ainda mais boquiabertos com a precisão dos traços e movimentos dos personagens e da constituição dos cenários. Tamanha é a eficiência que, em determinados ângulos, tem-se a nítida impressão de se tratarem de atores e não simples criações digitais. Houve a preocupação, inclusive, de evidenciar as marcas do tempo no rosto da fada-madrinha, dando à personagem ainda mais veracidade. Aliás, assistindo a "Shrek 2" fica muito fácil entender porque as animações tradicionais perderam tanto espaço com a entrada das técnicas digitais e já deixaram de ser um filão cinematográfico. Salvo o caso de "Irmão Urso", que surpreendeu, no ano passado, ao render $226,029,248 em todo o mundo.

Mas, voltando à "Shrek 2", vou de desencontro a grande parte da crítica e afirmo ter gostado mais do primeiro filme. Realmente a qualidade técnica da seqüência é superior e a história é muito bacana. Mas senti um pouco falta do tom sarcástico e anárquico do primeiro, que brincava o tempo com clássicos dos contos-de-fada e era mais incisivo na hora de zoar com todos eles. No segundo as referências deixam as historinhas um pouco de lado e se dirigem para sucessos de bilheteria como "O Senhor de Anéis" e "Missão Impossível", por exemplo. Por sinal, a seqüência que faz os amiguinhos de Shrek (os ratinhos, os porquinhos, Pinóquio e Biscoito) incorporarem o agente Ethan Hunt, ao som de "Mission: Impossible" é simplesmente fantástica.

Merecem citação também outros personagens que rendem ótimos momentos no filme. O Gato de Botas, que ora banca o valente, ora faz cara de gatinho manhoso (fazendo um suspiro coletivo tomar conta do cinema), é uma atração à parte. A idéia do sotaque latino também foi muito bem sacada. Tanto que a dublagem original é de Antonio Banderas. Depois de ser cortada na versão final do primeiro "Shrek", agora a fada-madrinha Dama Fortuna finalmente dá o ar de sua graça. Entre os muitos bons momentos da personagem, vale destacar a hora em que ela solta o gogó em pleno baile de Fiona e incorpora a legítima cantora de cabaré. Seu filho, o príncipe, de tão brega chega a ser divertido. O chacoalhar das longas madeixas loiras, o batom de cereja nos lábios carnudos e a dança com a rosa na boca garantem cenas engraçadíssimas.

Enfim, gostaria de salientar mais uma vez que, embora eu ainda prefira o primeiro "Shrek" pelas piadas irônicas e provocativas, a seqüência é muito boa e com qualidade suficiente para merecer todo o sucesso que vem fazendo. Resta saber agora se também terá o reconhecimento da academia, já que o original fez história ao ganhar o Oscar de melhor animação e ainda ter sido indicado na categoria de roteiro adaptado.

Escrito por em June 24, 2004 03:14 PM

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