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July 15, 2004
Leis da Atração
por Cleverson Uliana
Laws of Attraction, 2004, EUA. Direção: Peter Howitt. Com: Pierce Brosnan, Julianne Moore, Michael Sheen, Parker Posey, Frances Fischer, Nora Dunn. Comédia Romântica. 1h30.

Como é bom assistir a uma comédia romântica com um casal bonito e talentoso. Tenho a nítida impressão de que o que arruína muitos filmes do gênero é justamente a falta de entrosamento e habilidade artística de seus protagonistas. Isso felizmente está longe de acontecer quando entram em cena Pierce Brosnan e Julianne Moore, feliz escolha para estar à frente de “Leis da Atração”, em cartaz nos cinemas brasileiros.
Na história, Daniel Rafferty (Pierce Brosnan) e Audrey Woods (Julianne Moore) são dois advogados especialistas em divórcios que sempre competem entre si, realizando verdadeiros duelos nos tribunais. Mas o acaso faz com que se apaixonem e acabem se casando. Só que eles começam a passar pelos mesmos problemas que fazem com que seus clientes se separem.
Não se trata de uma trama inovadora e promissora. No entanto, a narrativa é desenvolvida com agilidade, repleta de piadas que não necessitam de apelação para se tornarem engraçadas. Aliás, a simplicidade e o bom gosto são os ingredientes que tornam o filme tão interessante. Sua duração de 1h30 também contribui para a construção de uma história enxuta e direta.

Como já foi salientado, “Leis da Atração” tem um dos casais mais bem-sucedidos dos últimos anos. Bonitos, carismáticos e, acima de tudo, bons atores. Inevitável que, em certos momentos, tenha-se a impressão de que será proferido um “Bond... James Bond” por Pierce Brosnan. Afinal de contas, já são quatro filmes da franquia 007 nas costas, o que personifica sua imagem como a do famoso agente secreto. Julianne Moore, por sua vez, aparece grande parte do filme com os cabelos presos em um coque, deixando-a muito parecida com ninguém menos que Madonna. Mas são apenas detalhes de aparência. O importante é que ambos estão muito bem com seus respectivos personagens.
Simpática também a participação de Frances Fisher como Sara Miller, a mãe de Audrey. Uma coroa enxuta que está anos-luz à frente da filha conservadora. Suas cenas são irretocáveis, povoadas com um humor irônico e pungente. O momento em que a mãe carrega a filha para um show de rock e dá uma de tiete enlouquecida é talvez o melhor momento do filme. Um barato! Não estranhe se ficar a impressão de que Frances está bonitona demais para ser mãe de Julianne. Afinal, elas têm apenas oito anos de diferença de idade na vida real.
O que soa estranho no filme é apenas o fato de que advogados tão renomados e qualificados quanto Daniel e Audrey não tenham se dado ao trabalho de averiguar a oficialidade de seu casamento, realizado de uma forma no mínimo estranha durante a passagem do casal, a trabalho, pela Irlanda. Claro que o filme precisava desse elemento para construir o desfecho da história. De qualquer forma, é um ato que não parece muito condizente com as características que o próprio roteiro imprime aos personagens.
Mas este é apenas um detalhe de “Leis de Atração”, que vem para mostrar que nem tudo está perdido no reino das comédias românticas.
Escrito por em July 15, 2004 03:19 PM