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November 03, 2004
Eleições e mídia
A cobertura da sucessão presidencial norte-americana ganha um destaque muito maior na mídia brasileira que nossas próprias eleições municipais.

A mídia brasileira passou por um período agitado nesse último mês, graças à euforia das eleições municipais no Brasil e presidencial nos EUA. Pela TV tem-se a impressão que a eleição presidencial norte-americana ganha muito mais destaque se comparada à cobertura dada às nossas eleições municipais.
Não se trata de anti-patriotismo, ou supervalorização da cultura americana. Está em jogo o nome daquele que comandará a maior potência do mundo, um império cuja economia e cujas diretrizes administrativas têm o poder de afetar todas as demais nações do planeta.
Sob o posto de vista da mídia, a sucessão presidencial é muito mais apetitosa para preencher os noticiários e alavancar a audiência. Graças aos ingredientes de folhetim da briga entre Bush e Kerry: sistema eleitoral jurássico, suspeitas de fraudes, a eterna briga a respeito da invasão do Iraque. São ingredientes que fazem a corrida pegar fogo nos EUA, ao contrário do morno confronto Serra-e-Marta nesse 2º turno.
As diferenças ficam mais visíveis quando se compara a mecânica eleitoral entre o povo. No Brasil a poluição visual se faz presente em toda a cidade. Adolescentes povoam as esquinas com bandeirolas e distribuindo adesivos, felicíssimos pelo dinheirinho extra sempre bem-vindo no fim de ano. E o voto obrigatório faz com que o brasileiro nem sempre faça sua opção por convicção ou ideologia, mas por mera obrigação de "ter que escolher alguém". Um segundo turno dentro de um feriado prolongado motivou ainda mais as pessoas a abandonarem ao dever cívico para respirar um descanso.
O povo americano não tem a obrigação de votar, assim aqueles que o fazem são convictos. E lá, dia de eleição não é feriado. A rivalidade entre republicanos e democratas é histórica e segrega as pessoas como torcedores de time de futebol. Não se vê cartazes ou bandeiras nas ruas, muito menos cabos eleitorais contratados. Em contrapartida o comércio e as residências são enfeitados com bandeiras dos EUA e flâmulas de seu candidato / partido favorito. As lojas que mais faturam são as que vendem (!) camisetas, bottons, máscaras e brindes dos candidatos, lembrando muito as nossas finais de copa do mundo. Com as pesquisas apontando empate técnico, este ano o índice de comparecimento às urnas bateu seu recorde desde 1969, mostrando que o cidadão norte-americano apercebeu-se da importância de seu voto. Cada pessoa pode ser a responsável por um desempate.
Independente de quem vença as eleições, a maior campeã é a imprensa. O processo de escolha do homem o qual o mundo falará mal nos próximos 4 anos (como diz o Casseta e Planeta) está engordando os cofres não só dos EUA, mas de todos os veículos de comunicação espalhados pelo mundo.
Escrito por Bia Kunze em November 3, 2004 01:21 PM