« Eleições e mídia | Principal | O expresso polar »

December 02, 2004

Capitão Sky e o Mundo de Amanhã

O primeiro filme com ambientação 100% virtual tinha tudo para ser um sucesso. Todavia, revelou-se um fracasso fragoroso e não é difícil entender o porquê.

Quem acompanhou os detalhes da produção do filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã certamente aguardou com expectativa a estréia do mesmo. Além dos protagonistas estelares (Jude Law, Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie), o grande chamariz da produção foi a nova roupagem tecnológica. Os atores contracenaram em frente a uma tela azul e os cenários foram adicionados com o uso de computadores. Além do cenário, naves, dirigíveis e até alguns personagens são virtuais. E como apelo final, uma história ambientada na década de 1930-40 e não futurística, como todo esse caráter tecnológico faria crer.

O resultado é de fato surpreendente, e a interação dos atores nesse ambiente é perfeita, graças à fotografia amarelada que visa maquiar a defasagem entre atores reais e cenários virtuais.

Contudo, Capitão Sky e o Dia de Amanhã é a prova cabal que uma produção desse nível não deve se segurar apenas na inovação tecnológica. Falta roteiro, falta carisma aos protagonistas, falta uma história no mínimo crível, ainda que numa fantasia extraordinária.

A cor sépia, em conjunto com os enquadramentos inclinados e os destaques para bilhetes e manchetes de jornais também têm a função de simular os anos 40 com uma aura de história em quadrinhos. Porém, depois de alguns minutos, o amarelo excessivo cansa o expectador.

O diretor estreante Kerry Conran não segura a história. Os diálogos idiotas e a falta de identificação dos personagens com um objetivo em comum afundam toda a película e botam o espectador para dormir - isso se ele tiver paciência de assistir até o fim, já que o desfecho de uma história tão boba não desperta o interesse de ninguém.

Jude Law está apenas mediano como Capitão Sky, e nem mesmo seus belos olhos são o suficiente para cativar o espectador, ou fazer com que se torça por ele, já que o herói tem uma empáfia injustificada. Gwyneth Paltrow é por padrão sem sal e inexpressiva, contudo, transformou sua jornalista Polly Perkins numa pentelha de doer. Suas ceninhas de ciúme e seus trejeitos não convencem, ainda mais saltando por penhascos de salto agulha e fugindo de robôs sem que um fio de cabelo saia do lugar, além do batom sempre bem passadinho na selva mais distante. Detalhes de figurino à parte, Polly é chata demais e não tem metade do charme que uma heroína deveria ter. Angelina Jolie é a melhor em cena, surpreendentemente sexy mesmo como uma militar durona e de tapa-olho. Mas a superestimação de suas habilidades, como ejetar de uma nave dentro do mar e cruzar os céus fazem a platéia gargalhar de incredulidade.

Incredulidade, aliás, é o sentimento comum da platéia até o fim da história. Naves cruzam o céu de Nova York, robôs gigantes destroem o que vêem pela frente, máquinas tecnologicamente avançadíssimas planejam alterar o curso da humanidade para sempre. E o corajoso Capitão Sky sempre consegue driblar as naves inimigas e derrotar os terríveis robôs com seu aviãozinho teco-teco!

Por melhor que seja dos pontos de vista estético e tecnológico, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã justifica seu fracasso de público e crítica. Mesmo a piadinha final do filme faz o espectador sorrir mais de alívio pelo fim da projeção do que pela piada por si só...

Escrito por Bia Kunze em December 2, 2004 10:53 PM

Citações(0)