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January 28, 2005
Meu Tio Matou Um Cara
Enfim, Jorge Furtado acertou em cheio com seu novo filme.
Os 2 longas anteriores de Jorge Furtado, já haviam chamado a atenção - "Houve uma Vez Dois Verões" e "O Homem Que Copiava". Com esse terceiro, enfim ele atinge a maturidade.

O roteiro mostra uma história simples, contudo bem escrita e muito bem transportada para o audiovisual. Não tem os excessos de "O Homem Que Copiava" como as animações desnecessárias e histórias paralelas que se perdiam. Desta vez, o resultado é objetivo, conciso, eficiente.
Duca, um garoto negro de classe média, conta com a ajuda de seus dois melhores amigos, Isa e Kid, para descobrir se seu tio matou ou não o ex-marido na namorada. Nesse ínterim, descobre-se apaixonado pela amiga, que por sua vez, está apaixonada por Kid.
O eficiência já começa na abertura, em formato de jogo de computador. Muito bem feita, enfatiza a personalidade de Duca, o protagonista, garoto observador e de raciocínio rápido, que volta e meia está no computador. Seu objetivo é matar sua dúvida, se o título do filme se realizou de fato ou não. Para tal, ele raciocina como nos videogames de detetive os quais está acostumado. Enquanto procura solucionar o caso, ele tenta também conquistar o coração de sua melhor amiga.
Além do roteiro, a trilha sonora está em perfeito sincronismo com a atmosfera do filme e o trio de protagonistas capricha nas atuações. Darlan Cunha (Duca), Sofia Reis (Isa), filha do Titã Nando Reis) e Renan Gioelli (Kid), que formam um triângulo amoroso, carregam seus papéis com segurança. Um competente cast de "codjuvantes" garante o êxito do filme, como Dira Paes, Aílton Graça, Lázaro Ramos e até Deborah Secco, num papel que não difere do seu habitual.

Humor simples, romances adolescentes, costumes dos jovens urbanos de classe média. Meu Tio Matou um Cara é um filme que foge do habitual, que fala a língua do publico o qual pretende atingir. Prova-se que nem só de bebida, sexo e baladas os jovens vivem, como a mídia gosta de alardear. Há jovens antenados, inteligentes e que fogem do clichê de alienação dos filmes hollywoodianos.
Meu Tio Matou um Cara (Brasil, 2004)
Gênero: comédia
Direção: Jorge Furtado
Elenco: Darlan Cunha, Lázaro Ramos, Sophia Reis, Renan Gioelli, Aílton Graça, Dira Paes, Deborah Secco
Duração: 87 min
Escrito por Bia Kunze em 28/01/2005
January 27, 2005
O Grito
Um bom filme, que só peca por deixar várias lacunas abertas ao final da exibição.

A refilmagem de clássicos do terror japonês pelo cinema norte-americano já está virando praxe. Ainda mais ao se descobrir que trata-se de uma fonte barata que traz muito lucro. Esse é o caso de “O Grito”, em cartaz nos cinemas brasileiros. Para se ter uma idéia, o custo de produção do filme foi de apenas $10.000.000. Contudo, para alegria da Sony, o longa já contabilizou $154.159.362 em todo o mundo. Claro que não se trata de nenhum sucesso arrebatador, mas há de se convir que a relação custo/benefício chama a atenção.
Em Tóquio, uma casa comum costuma ocultar o pavor que nela há, pois quando alguém morre nasce uma maldição, que faz as pessoas morrerem vitimadas por uma poderosa ira. É nesse contexto que surge a estudante americana Karen Davis (Sarah Michelle Gellar), que está no Japão num intercâmbio cultural. Voluntária do Centro Social de Apoio, ela inocentemente concorda em substituir uma assistente social que cuidava de Emma Williams (Grace Zabriskie), que tem uma letargia grave associada a leve demência. Ao chegar, vê Emma num estado catatônico, enquanto o resto da casa parece estar abandonado e desordenado.
O diretor de “O Grito”, Takeshi Shimizu, também esteve à frente da versão original do filme. Isso certamente lhe deu base para construir todo o clima de tensão e pavor que pede a história, dessa vez tendo a seu dispor toda a parafernália de produção hollywoodiana. O segredo do filme está justamente em toda a teia que o diretor vai tecendo, a cada minuto colocando informações novas para deleite e confusão do espectador.

O grande problema é que, apesar de estar bem amarrado, o roteiro parece ficar em aberto. Será a deixa para uma continuação de “O Grito”? Por mais que seja, é injusto deixar o público na expectativa e frustrá-lo ao final do filme. Enquanto sobem os créditos, muitas dúvidas ficam pairadas no ar, pois a simples justificativa da “maldição japonesa” não basta para convencer o espectador de tudo que ele acabou de vivenciar na tela. Falta algo mais plausível, mais verossímil, mesmo em se tratando de um filme de horror.
Uma das estratégicas utilizadas pelo diretor para pregar sustos na platéia é aquela que vem ganhando cada vez mais espaço em filmes do gênero: movimentos inesperados de câmera e um uso permanente de trilha e efeitos sonoros assombrosos e impactantes. Funciona, já que por várias vezes você se deixa levar pelo que está acompanhando e esquece que está no meio de uma sala de cinema, entre várias outras pessoas.
“O Grito” é um bom filme, mas peca, como já foi ressaltado, por deixar várias lacunas abertas ao final da exibição. Um roteiro elaborado com mais propriedade poderia dar à história um final muito mais convincente e menos ambíguo. De qualquer forma, vale seu ingresso pelo envolvimento que estabelece com o espectador, deixando-o com vontade de, a certo momento, colocar em prática o que diz o título do filme.
Ficha técnica:
The Grudge, EUA, 2004. Direção: Takashi Shimizu. Com: Sarah Michelle Gellar, Jason Behr, William Mapother, Clea DuVall, KaDee Strickland, Grace Zabriskie. 1h36. Horror.
Escrito por Cleverson Uliana em 27/01/2005
January 21, 2005
A Lenda do Tesouro Perdido

A Buena Vista já começou bem 2005. “A Lenda do Tesouro Perdido” é o primeiro blockbuster da Disney no ano. Com produção orçada em $100.000.000, o filme já rendeu $284.715.339 em todo o mundo.
Claro que, até pela própria história, grande parte da bilheteria veio dos Estados Unidos, que contribuiu com nada menos que 58% desse montante. O fato é que o filme faz jus ao sucesso alcançado, colocando na tela uma típica aventura que mescla um tesouro clássico com a modernidade dos filmes do gênero.
Benjamin Gates (Nicolas Cage) é um caçador de tesouros, função que já atravessou gerações em sua família. Durante toda sua vida, ele procurou um tesouro que ninguém acredita existir, tendo sido acumulado durante séculos e transportado por vários continentes para evitar que fosse roubado. As investigações de Benjamin sobre a localização deste tesouro fazem com que ele descubra que existe um mapa codificado escondido na Declaração de Independência dos Estados Unidos. Só que, para conseguir lê-lo, ele terá que enganar o FBI e roubar um dos documentos mais vigiados do país.

Não estranhe se, no decorrer de “A Lenda do Tesouro Perdido”, você encontrar alguma semelhança com “O Código da Vinci”, de Dan Brown. O best-seller, que desde abril do ano passado está liderando vendas em todo o mundo, certamente serviu de inspiração para a sinopse. Afinal de contas, a decifração de códigos, mapas e obras de arte é a febre do momento.
Também é provável que Benjamin Gates faça você lembrar, de imediato, de Indiana Jones. Pode-se dizer que o caçador de tesouros é a versão moderna e urbanizada do clássico arqueólogo. Mas sem o mesmo glamour e o tom aventureiro.
No entanto, tais referências não menosprezam “A Lenda do Tesouro Perdido” ou o tornam menos original. Até porque a trama do filme é bastante engenhosa, não se prendendo exclusivamente a um mapa que leva a um tesouro que precisa ser encontrado. Há um contexto que, apesar de exagerado, é bem elaborado, dando espaço a enigmas que exigem curiosas interpretações e, feito isso, cenas de ação bem realizadas.

Com a “A Lenda do Tesouro Perdido”, o diretor Jon Turteltaub chega ao seu primeiro grande sucesso. Antes, seu cartão de visita era a comédia romântica “Enquanto Você Dormia”. Em seu currículo também constam “Jamaica Abaixo de Zero” e “Fenômeno”. Claro que por trás do sucesso do filme está o produtor Jerry Bruckheimer (“Piratas do Caribe”, “Armageddon” e “Pearl Harbor”). Com seu toque de Midas, praticamente todos os projetos em que ele se envolve tornam-se bem-sucedidos.
“A Lenda do Tesouro Perdido” ainda vem ancorado por Nicolas Cage (“A Rocha”, “A Outra Face” e “60 Segundos”), ator que, nos últimos anos, tornou-se chamariz de público. Na realidade, sua atuação não traz nada de especial. No restante do elenco, também não há ninguém que chame a atenção. Mas nem é preciso, uma vez que a força do filme está no roteiro bem amarrado e na boa produção, que dá ao filme visual e estilo bacanas.
Não vá ao cinema esperando um filme espetacular. “A Lenda do Tesouro Perdido” compromete-se apenas a ser uma boa aventura. E isso o faz! Entretenimento puro que pincelou várias referências para elaborar seu próprio roteiro. De qualquer forma, chega a um resultado satisfatório.
National Treasure, EUA, 2004. Direção: Jon Turteltaub. Com: Nicolas Cage, Diane Kruger, Justin Bartha, Sean Bean, Jon Voight, Harvey Keitel. Aventura. 2h11.
Escrito por Cleverson Uliana em 21/01/2005
January 20, 2005
Os Incríveis

2004 foi um ano e tanto para os filmes de animação. Depois do sucesso arrebatador de “Shrek 2” e do bem-sucedido “O Espanta Tubarões”, desembarcou nos cinemas toda a trupe de “Os Incríveis”.
Com orçamento de $152.000.000 entre produção e divulgação, o filme já arrematou até agora $592.358.021 em todo o mundo. E promete render ainda mais, pois continua entre as maiores bilheterias de vários países. Só no Brasil, em cinco semanas de exibição, o filme levou aos cinemas 3.663.200 espectadores.
Na história, após salvar um suicida que acabou se saltar de um prédio, Senhor Incrível é processado e condenado, fazendo com que a opinião pública se volte contra sua família de super-heróis. O governo faz então uma oferta para que eles passem a levar suas vidas como pessoas normais, sem demonstrar que possuem poderes, recebendo em troca uma pensão anual. Passam-se 15 anos e Bob Parr leva uma vida pacata ao lado da esposa e seus três filhos. Ele agora trabalha numa seguradora e luta para combater o tédio e a mediocridade do dia-a-dia. Com vontade de retomar a vida de herói, tem a grande chance quando surge um comunicado misterioso, que o convida para uma missão secreta em uma ilha remota.

Não é segredo para ninguém que a Pixar foi responsável pela definição do conceito de animação digital. Tudo começou com os bonequinhos vivos de “Toy Story”, passando pelos insetos inteligentes de “Vida de Inseto” e os monstrinhos de “Monstros S.A.”, até os peixinhos falantes de “Procurando Nemo”.
Superando-se a cada filme, a empresa rema para outros mares com “Os Incríveis”. Dessa vez, não se trata de uma comédia com bichinhos fofinhos, nem de uma sátira aos super-heróis. Trata-se de filme de ação, que se utilizou da tecnologia digital para ganhar vida. Aliás, “Os Incríveis” vem para mostrar que animação não é um gênero, mas sim uma forma de contar qualquer história, seja ela de suspense, drama ou comédia.
A criação digital de um mundo muito semelhante ao nosso (com direito a metrópole e até uma ilha vulcânica), surpreende pela verossimilhança. Em determinados momentos, pode-se jurar que não se trata de animação, mas da reprodução de imagens reais, inclusive nas cenas que envolvem água e fogo (as mais difíceis de serem realizadas digitalmente).

Se os cenários já impressionam, o que dizer então dos encantadores personagens de “Os Incríveis”? A família de super-heróis é sensacional, com Senhor Incrível (o pai superforte), Helen (a mãe com corpo elástico), Violet (a filha que projeta campos de força e tem o poder da invisibilidade), Dash (o filho superveloz) e Jack-Jack (o bebê, até certo ponto, normal). Além da admirável composição visual, vale uma ressalva para o cuidado no que diz respeito à delineação da personalidade de cada um deles.
Mas quem rouba a cena de “Os Incríveis” é a estilista Edna Mode, uma perua toda estilosa responsável pela confecção dos uniformes dos super-heróis. Uma figura impagável, inspirada em Edith Head, que trabalhou como figurinista de centenas de filmes produzidos em Hollywood por mais de 50 anos.
Elogiar os recursos visuais de qualquer filme da Pixar é chover no molhado. Com “Os Incríveis” não é diferente. O reconhecimento já começou com a indicação ao Globo de Ouro de melhor filme de comédia, sendo também um forte concorrente a levar o Oscar de melhor animação. Trata-se de um filme ágil, eletrizante e engraçado para todas as idades, com atrativos específicos para cada parcela do público, o que certamente explica o grande sucesso que vem fazendo pelo mundo afora.
The Incredibles, EUA, 2004. Direção: Brad Bird. 1h55. Animação.
Escrito por Cleverson Uliana em 20/01/2005
January 18, 2005
Por que "Alexandre" fracassou?

Quem quer agradar a todos, não agrada ninguém. Esse é o motivo do fracasso de Alexandre. Ainda assim, o trabalho de Oliver Stone rende uma boa sessão-pipoca.
Quanto mais se assiste aos épicos de hoje, mais sente-se saudade dos épicos de antigamente - como Spartacus, Ben-Hur ou Os Dez Mandamentos. Não deveria haver motivos para isso, já que os orçamentos dos filmes são cada vez mais generosos e a atual tecnologia gráfica facilita a criação de cenas de encher os olhos.
Oliver Stone é um diretor famoso por ser linha dura, polêmico, teimoso e com mania de grandeza. Surpreende que ele tenha se deixado levar tanto pela opinião pública na concepção de seu Alexandre. Esse foi o grande erro, o responsável pelo fracasso de crítica e público do longa. Deu-se importância demais à polêmica da homossexualidade , o que prejudicou totalmente a montagem do filme. Não importa se os aspectos históricos são fiéis, polêmicos, ou mesmo fantasiosos. Se Stone tivesse se restringido à sua idéia original (ele assina tanto a direção como o roteiro), o resultado teria sido melhor.
Na ânsia de aplacar a ira dos críticos e da opinião pública, que fez um verdadeiro circo durante a pós-produção, Stone cortou trechos inteiros de cenas e reduziu as cenas de sexo ao mínimo. Para consertar tantos buracos na montagem, apelou-se à narrativas enormes e cansativas de Anthony Hopkins, intercalados por mapas e obras artísticas sem fim.
O resultado final na tela é uma biografia que enfatiza mais o lado humano e inseguro do grande Alexandre. Se por um lado ele dominou todo o território conhecido na antiguidade, seu verdadeiro conflito era íntimo. Dominado pela mãe Olímpia, que tinha fama de feiticeira ambiciosa, ele era constantemente instigado por ela a desafiar o pai, o rei Filipe. Os pais de Alexandre se odiavam, e ele passou sua vida num fogo cruzado entre ambos. No fundo, o que Alexandre desejava era conquistar a aprovação e admiração do genitor. Aos 15 anos, quando domou Bucéfalo, um cavalo selvagem, o pai passa a olhá-lo com maior respeito e admiração. O assassinato de Filipe enche a mãe de alegria e alça Alexandre ao trono. E, até o fim da vida, Alexandre lutará para ser o maior conquistador da antiguidade e fugir de vez às insistentes comparações ao falecido rei, feitas por seus generais e soldados. Aos 25 anos, Alexandre já havia conquistado 90% do mundo conhecido, venceu o temido exército persa comandado por Dario e passou a liderar exércitos de macedônios, gregos e orientais. Desposou uma asiática selvagem, de temperamento forte e impressionantemente parecida com sua mãe, tanto no gênio como no físico. Ainda assim, seu grande amor e amigo de infância Hefestion é quem será leal a ele até o fim.

Quanto ao elenco, Val Kilmer é o principal destaque no papel do pai de Alexandre, Filipe. Angelina Jolie ganhou o pior papel de sua carreira, uma Olímpia de sotaque esquisito, sempre às voltas com cobras. Some-se a isso a estranheza de vê-la tão jovem ao lado do filho Alexandre já adulto. Não houve nenhum cuidado em envelhecê-la. E quanto ao próprio Alexandre, certamente não é personagem para Colin Farrell, que não tem cacife para dar o devido brilho e grandiosidade ao maior conquistador da História de todos os tempos.
Felizmente nem tudo são tropeços. A bela direção de arte, trilha sonora (assinada por Vangelis) e fotografia primorosa salvam o filme e o ajudam no saldo final como uma interessante sessão-pipoca. Atente para as cenas de guerra, em especial onde a água sobrevoa o deserto, numa sequência com uma imensa abertura de câmera. É de arrepiar. Surpreende também a sangrenta batalha onde Alexandre é ferido até quase a morte, onde as árvores ganham um tom avermelhado e a câmera percorre nervosamente os feridos em batalha. Nem mesmo em Tróia elas foram tão bem produzidas e dirigidas. Não é um filme memorável como podia ter sido, mas são quase 3 horas que passam num piscar de olhos para fãs do gênero.
Leia também:
Alexander - O primeiro teaser (detalhes da produção publicados aqui no MidiaMulti em setembro de 2004)
Ficha técnica:
Alexander (EUA, 2004)
Gênero: Épico
Distribuidora: Warner
Diretor e Roteirista: Oliver Stone
Elenco: Colin Farrell, Val Kilmer, Anthony Hopkins, Angelina Jolie, Jared Leto, Rosario Dawson
Duração: 175 min.
Escrito por Bia Kunze em 18/01/2005
January 09, 2005
Doze Homens e Outro Segredo

Não tão empolgante quanto o primeiro filme, a história tem uma conduta completamente diferente. Ainda assim, um filme razoável, com destaque para Catherine Zeta-Jones.
Se você não assistiu o primeiro filme, Doze Homens e um Segredo, assista-o. É imprescindível estar a par da história para compreender o desenrolar dos fatos nessa continuação.
O elenco estelar continua o mesmo, contudo o diretor conduz a história de uma maneira diferente do primeiro filme. Se de um modo de vista isso pode surpreender alguns pela ousadia nas tomadas de câmera, nos cortes e na fotografia (que explora todo o glamour da Europa clássica), pode desagradar a outros pelo roteiro entrecortado, em estilo quebra-cabeça, e pela ausência da ação que foi a tônica do primeiro filme.

Recapitulando os fatos: Danny Ocean (George Clooney) e seu bando roubaram US$ 160 milhões do hotel-cassino de Terry Benedict (Andy Garcia) num golpe perfeito. Repartido o dinheiro, cada um segue sua vida. Três anos depois o bando se reencontra, ameaçados de morte por Benedict, que rastreou e localizou um a um e quer de volta os milhões, mesmo ressarcido pelo seguro. Resultado: o bando precisa fazer novos assaltos para levantar a quantia. Desta vez, contudo, tudo dá errado: a polícia os localiza, o bando se separa e ainda por cima têm que agüentar um ladrão francês, playboy e orgulhoso, que quer acabar com fama de "melhores do mundo" do bando de Ocean.
Ou seja, não há um novo golpe, não há ação, conspiração ou jogo de nervos. Dessa vez, o diretor Soderbergh joga ao público uma charada que deve ser desvendada aos poucos, contando com a perspicácia do público. Quem não ficar atento durante o filme todo, perde o fio da meada e se irrita com a história.
A fotografia amarelada, escurecida, tem o objetivo de ajudar o espectador a se situar na história, que não é linear. Assim, sabe-se o que está efetvamente ocorrendo e o que é flashback.
Embora o foco principal do filme não seja a investigadora Isabel, é ela quem brilha no filme, maravilhosa na pele de Catherine Zeta-Jones. Já o astro europeu Vincent Cassel, no papel do ladrão orgulhoso Raposa da Noite, é chato e apático. E quanto ao líder do bando, Danny Ocean, e sua recém-reconquistada esposa Tess (Julia Roberts), desta vez eles eles perdem um pouco de espaço para Rusty Ryan (Brad Pitt), talvez por causa de seu passado amoroso com Isabel, que chama a atenção.
Não há melhor ou pior entre o filme de 2001 e essa continuação. São estilos diferentes. Por isso mesmo, pode decepcionar quem gostou da primeira parte da história.
Mas numa coisa todos haverão de concordar: a história original de 1960, com Frank Sinatra como Danny Ocean, é muito mais charmosa e sofisticada. Essa sim, uma diversão de primeira, disponível em DVD nas locadoras.
Doze Homens e Outro Segredo (Ocean's twelve, EUA, 2004, 120 min)
Direção: Steven Soderbergh.
Elenco: George Clooney, Brad Pitt, Catherine Zeta Jones, Vincent Cassell, Matt Damon, Julia Roberts, Andy Garcia, Don Cheadle.
Escrito por Bia Kunze em 09/01/2005
January 02, 2005
Vale tudo para vender cerveja
Não bastam mais mulheres nuas. Atropelando qualquer ética, agência de propaganda aposta na discriminação aos idosos para vender cerveja.

O Grupo Schincariol iniciou em dezembro uma agressiva campanha de marketing criada pela Fisher America, para a temporada de verão 2005.
Segundo a agência, a campanha tem dois objetivos: renovar a marca Nova Schin, lançada em setembro de 2003, e reconquistar mercado. "Nossa meta é chegar a março exibindo pelo menos 16,5% de participação", diz o gerente de Marketing do Grupo Schincariol, Luiz Cláudio Taya de Araújo. Hoje, a Nova Schin tem participação de 11%, que chega a 12,6% somando a Primus e a Glacial, duas outras marcas do grupo.
Buscando incessantemente incomodar as líderes de mercado, aposta-se em qualquer coisa para vender seu produto. Inclusive discriminar idosos.
Apresentadores globais aboradam na praia pessoas que bebem a cerveja concorrente, comparando a cerveja "nova" com a cerveja "velha" como se fossem pessoas. A nova é a boa, a gostosa; a velha não presta, está passada, gagá, já deu o que tinha que dar. "Cuidado que essa aí deve até ter dentadura!" alerta o famoso galã de novelas, que atua na campanha.
Sabe-se que a mídia é a maior propagadora do mito da juventude, onde apenas o belo, o jovem e o fisicamente perfeito são aceitos e exaltados pela sociedade. Contudo, numa época em que se busca cada vez mais a qualidade de vida dos idosos, onde o Presidente da República promulgou o Estatuto do Idoso, onde se defende tanto uma urgente reforma previdenciária, é paradoxal ver uma atitude tão sem ética.
Há dois domingos ocorreu uma sucessão de eventos no mínimo curiosa. Durante a exibição do Fantástico, o comercial onde velhinhas beijoqueiras correm atrás de dois rapazes apavorados foi exibido logo após um bloco onde Regina Casé mostrou que o Brasil é um país que está envelhecendo. Foi constrangedor ver aquele comercial logo após uma matéria que prega a valorização do idoso. A Globo devia estar mais atenta a esse tipo de coisa, ou será que seu tão defendido padrão de qualidade está indo para o ralo?
Escrito por Bia Kunze em 02/01/2005
Novas minisséries globais em DVD
Fãs de dramaturgia, preparem-se: vêm aí novos DVDs de minisséries globais consagradas.
Esse ano de 2005 é o ano do centenário de nascimento de Erico Verissimo e dos 40 anos da Rede Globo. Assim, a emissora resolveu homenagear o escritor com o lançamento em DVD de duas minisséries baseadas em suas obras: "Incidente em Antares" e "O Tempo e o Vento". Além disso, dentro da comemoração de seu quadragésimo aniversário, vários títulos de séries e comédias serão lançados em edição especial de DVD pela Globo.
"O Tempo e o Vento" foi ao ar em 1985 e marcou época. Numa adaptadação caprichadíssima de Doc Comparato e dirigida por Paulo José (que inclui as obras literárias "Um Certo Capitão Rodrigo", além da própria saga "O tempo e o Vento", a minissérie de 25 capítulos tinha como protagonistas Glória Pires (Ana Terra), Tarcísio Meira (Capitão Rodrigo) e Lélia Abramo (Bibiana Cambará). Contando ainda com a trilha
inesquecível de Tom Jobim, a história trata da colonização do Rio Grande do Sul nos séculos XVIII e XIX.
"Incidente em Antares", minissérie de 1994, teve adaptação da obra homônima de Verissimo por Nelson Nadotti e Charles Peixoto, direção-geral de Paulo José e artística de Carlos Manga.
A série conta a história de sete defuntos que não podem ser enterrados em razão de uma greve no cemitério da pequena Antares, no RS. Os sete "mortos" foram interpretados por Fernanda Montenegro, Elias Gleizer, Diogo Vilela, Paulo Betti, Gianfrancesco Guarnieri, Rui Rezende e Marília Pêra, com direito a uma participação especial de Regina Duarte no papel de uma telefonista.
Outro clássico da teledramaturgia a ser transformado em DVD pela emissora no próximo ano é "O Bem Amado", de Dias Gomes. Ainda não se sabe se será uma reedição da novela, exibida em 1973 (a primeira em cores da TV brasileira), do seriado, levado ao ar de 1980 a 84, ou as duas coisas.
Na categoria de comédias, em 2005 será lançado "TV Pirata" (primeira fase de 1988 a 1990; segunda, em 1992) e "Viva o Gordo", comandado por Jô Soares de 1981 a 1987.
Escrito por Bia Kunze em 02/01/2005
Bridget Jones - No limite da chatice
Se você acha que a continuação do bem-sucedido filme da jornalista é tão bom quanto o primeiro, esqueça. Fuja dessa bomba.

O melhor motivo para ir ao cinema ver Bridget Jones - No Limite da Razão é o primeiro filme, de 3 anos atrás, que narra as aventuras amorosas e inseguranças da simpática jornalista gordinha. O Diário de Bridget Jones é um filme ao mesmo tempo cômico e doce que deu a Renée Zellweger uma indicação ao Oscar de melhor atriz. A comédia romântica é baseada na obra autobiográfica da inglesa Helen Fielding, hoje um sucesso editorial.
Ao assistir No Limite da Razão , que recém estreou, a impressão que se tem é que não temos em cena a mesma Bridget de antes. A sensível, engraçada e rechonchuda repórter deu lugar a uma chata. A essência da saga de Bridget é que devemos aceitar as pessoas pelo seu interior e não pelas aparências. Mas o filme quer que a aceitemos na marra. O problema é que, pneuzinhos à parte, ninguém é obrigado a gostar de uma pessoa enjoada, fofoqueira e enxerida a ponto de invadir a casa do namorado para ouvir escondido os recados da secretária eletrônica dele.

A Bridget original, tão dentro da realidade, deu espaço a uma mulher cujas atitudes idiotas dificilmente levam a crer que se trata de uma pessoa factível. A heroína, que tenta manter o namoro com o sensível Darcy (Colin Firth) do primeiro filme, insulta as mulheres "normais" que, como ela, não são um padrão de beleza.
Tudo om direito a cenas contrangedoras, como a de Bridget na prisão, entre moças asiáticas que apanham de seus homens e são servis sexuais. Entre piadas de muitíssimo mau-gosto, a pobre protagonista é salva por seu namorado europeu, de volta para seu mundinho fútil de namoros, cosméticos e dietas.
Fuja dessa bomba e evite constrangimentos. Ainda mais se você for mulher.
Bridget Jones: No Limite da Razão (Bridget Jones: The Edge of Reason, Inglaterra, 2004, 108 min)
Direção: Beeban Kidron.
Elenco: Renée Zellweger, Jacinda Barrett, Jim Broadbent, Colin Firth, Hugh Grant, Gemma Jones, Shirley Henderson.
Escrito por Bia Kunze em 02/01/2005