February 28, 2005
Os vencedores do Oscar 2005
Confira como foi a festa do Oscar de 2005 e a lista completa dos premiados nesta 77ª edição da premiação da Academia.

Clint Eastwood: o grande vencedor da noite
A festa
A festa do Oscar, em si, foi surpreendentemente rápida. Antes das 2 da manhã (horário de Brasilia) todos os prêmios já haviam sido entregues. Chris Rock falou pouco e fez poucas piadas (a mais marcante foi uma alfinetada em George Bush). Os números musicais também foram reduzidos, pena que foi preciso engolir Beyoncé três vezes, sendo que numa das aparições usava um vestido que brilhava mais que refletor de discoteca. Durante os números musicais, as câmeras curiosamente mostravam diversos assentos do Kodak Theatre vazios. Parece que não são são só os espectadores da TV que aproveitam esses famigerados números para ir ao banheiro...
Não houve babação de ovo em cima de Gisele Bündchen, focalizada poucas vezes ao lado do namorado Leonardo Di Caprio. As mulheres em geral pareciam mais sóbrias e contidas em cabelo, maquiagem e vestuário. E à exceção de Hillary Swank, que só faltou dizer obrigado à tia do cafezinho, os agradecimentos foram curtos e sucintos. O melhor foi o do uruguaio Jorge Drexler, premiado pela canção "Al Otro Lado Del Río", de "Diários de Motocicleta". Ele apenas cantou um trechinho de sua música.
Globo versus TNT
Quem acompanhou a transmissão pela TV a cabo, no canal TNT, ouviu várias vezes as gafes tradutórias de sempre. Logo no começo, a tradutora lançou pérolas como 'hoje tem 4 pretos indicados' e 'ele manteu'. Tradução em tempo real é uma tarefa dificílima, felizmente a presença sempre competente de Rubens Ewald Filho foi um alento à transmissão, ajudando tanto os cinéfilos quanto os não-entndidos com seus conhecimentos "enciclopédicos" de cinema.
Todavia, quem acompanhou pela Globo, só tem a lamentar. A transmissão começou atrasada (graças à votação de paredão do BBB5), quando 2 prêmios importantes já haviam sido anunciados - direção de arte e ator coadjuvante. E contou com tropeços incríveis da dupla José Wilker e Renato Machado. Os poucos comentários vazios e óbvios de Wilker em nada enriqueceram a transmissão. Talvez tivesse sido melhor assim mesmo: quanto menos se fala, menos se corre o risco de proferir impropérios. Wilker referiu-se ao filme "Meninos não choram" duas vezes como "Garotos não choram" e diminuiu o mérito de Cate Blanchett, premiada por interpretar magnanimamente Katherine Hepburn em "O Aviador", afirmando que era quem menos merecia o prêmio. Já Renato gaguejou duas vezes ao citar o filme "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" como "Eterno Brilho da Mente Sem Lembranças". Gafes simplesmente imperdoáveis de dois pressupostamente entendidos em cinema.
Os prêmios
O melhor adjetivo para definir a premiação do Oscar de 2005 é "memorável". Em vários aspectos, paradigmas foram quebrados e tradições rompidas, acabando com a obviedade da premiação máxima do cinema americano.
Clint Eastwood foi o grande vencedor da noite, com 4 estatuetas de um total de 7 indicações, incluindo as principais: filme, diretor e ator coadjuvante (numa premiação justíssima a Morgan Freeman, ovacionado em pé pela platéia). Seu filme "Menina de Ouro" venceu o favorito "O Aviador" de Scorsese, e isso é surpreendente por dois motivos: 1. a academia é extremamente conservadora e purista; premiar um filme que trata de eutanásia é uma revolução de valores. 2. o favorito "O Aviador" é um show aos olhos da velha guarda da academia, já que retrata com glamour, precisão e saudosismo a era dourada dos estúdios nos anos 30.
Fora isso, não houve surpresas nas premiações em outras categorias. Das 11 indicações, o filme de Scorsese levou apenas 5: 4 em categorias técnicas e o de atriz coadjuvante. "Ray" e a animação "Os Incríveis", levaram 2 Oscar cada. E "Em Busca da Terra do Nunca", que concorria a sete prêmios, ficou apenas com o de trilha sonora como consolação.
Veja a relação completa dos premiados:
FILME
Menina de Ouro
Clint Eastwood, Albert S. Ruddy e Tom Rosenber
DIREÇÃO
Clint Eastwood
Menina de Ouro
ATOR
Jamie Foxx
Ray
ATOR COADJUVANTE
Morgan Freeman
Menina de Ouro
ATRIZ
Hilary Swank
Menina de Ouro
ATRIZ COADJUVANTE
Cate Blanchett
O Aviador
ANIMAÇÃO
Os Incríveis
Brad Bird
DIREÇÃO DE ARTE
O Aviador
Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo
FILME
Menina de Ouro
Clint Eastwood, Albert S. Ruddy e Tom Rosenberg
FOTOGRAFIA
O Aviador
Robert Richardson
FIGURINOS
O Aviador
Sandy Powell
DOCUMENTÁRIO
Born Into Brothels
Ross Kauffman and Zana Briski
CURTA DE DOCUMENTÁRIO
Mighty Times: The Children´s March
Robert Hudson and Bobby Houston
MONTAGEM
O Aviador
Thelma Schoonmaker
FILME ESTRANGEIRO
Mar Adentro (Espanha)
Alejandro Amenábar
MAQUIAGEM
Desventuras em Série
Valli O'Reilly e Bill Corso
TRILHA SONORA
Em Busca da Terra do Nunca
Jan A. P. Kaczmarek
CANÇÃO
"Al Otro Lado Del Río"
Diários de Motocicleta
Jorge Drexler
ROTEIRO ADAPTADO
Sideways
Alexander Payne e Jim Taylor
ROTEIRO ORIGINAL
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
Charlie Kaufman, história de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth
CURTA DE ANIMAÇÃO
Ryan
Chris Landreth
CURTA METRAGEM
Wasp
Andrea Arnold
EDIÇÃO DE SOM
Os Incríveis
Michael Silvers and Randy Thom
SOM
Ray
Scott Millan, Greg Orloff, Bob Beemer e Steve Cantamessa
EFEITOS ESPECIAIS
Homem Aranha 2
John Dykstra, Scott Stokdyk, Anthony LaMolinara e John Frazier
PRÊMIOS HONORÁRIOS
Roger Mayer
Sidney Lumet
Escrito por Bia Kunze em 28/02/2005
February 15, 2005
O Aviador
Um belíssimo filme que aposta todas as fichas para faturar o Oscar 2005.

No Brasil, o excêntrico bilionário norte-americano Howard Hughes não é idolatrado e iconizado como nos EUA. Mesmo assim, o filme "O Aviador" tem causado furor nas bilheterias de cinema brasileiras, onde foi um sucesso absoluto logo na 1ª semana de exibição.
Explica-se. Do mesmo modo que um bolo sai do forno moldado pela fôrma, "O Aviador" parece ter sido moldado como um filme para ganhar vários Oscar. O enredo de encher os olhos da velha guarda votante da Academia e o lançamento mundial perto da premiação deixam isso bem claro. E a platéia brasileira se mostra bastante interessada sabendo que o filme é o favorito ao prêmio desse ano em várias categorias.
Mas o filme o faz por merecer. Com uma Direção de Arte e fotografia impecáveis, Martin Scorsese idealizou uma obra perfeita, emocionante, empolgante, perfeita para as platéias de todo o mundo, quer as pessoas conheçam ou não Howard Hughes. A produção retrata de maneira esplendorosa a Hollywood dos anos 30, com cores fortes e brilhantes, lembrando muito o padrão Tecnicholor, ajudando o espectador a transportar-se para a tela, mais especificamente, para os bastidores de um estúdio de cinema.
E é entre estúdios de cinema e aviões que cresce a história. Leonardo DiCaprio, no grande papel de sua carreira, interpreta de forma pragmática mas competente o bilionário obcecado em ser o maior cineasta e o maior aviador do mundo. Embora no cinema essa empreitada não seja feliz, a não ser nos sucessivos relacionamentos com as divas das telas, nos hangares ele exibe todo seu talento e obstinação. Inclusive na luta por tornar sua empresa, a TWA, concorrente forte para quebrar o monopólio da toda-poderosa Pan American.
Entre as namoradas de Hughes, há altos e baixos. Se por um lado Cate Blanchett dá um magnetismo à Katherine Hepburn, com semelhança física e trejeitos impressionantemente perfeitos, Gwen Stefani (vocalista da banda No Doubt) e Kate Beckinsale nada têm a ver com a bombshell Jean Harlow ou a esfuziante Ava Gardner. Embora as atuações sejam razoáveis, as escalações é que são infelizes, causando estranheza aos cinéfilos de época.

Para aqueles que leram a biografia de Hughes, não esperam-na de modo completo nas telas. Embora retratado como excêntrico, maluco e por vezes hipocondríaco, o filme não entra em maiores detalhes, enfatizando apenas a juventude do protagonista. O filme foca a época em que Hughes estava no auge de sua atividade no cinema e sua empresa de aviação apenas engatinhando. Suas futuras esposas, as atrizes Jean Peters e Terry Moore, sequer aparecem na história. Também não há nada que mencione seu futuro de reclusão.
Em resumo, o filme tem todos os ingredentes para levar várias estatuetas: boas atuações, boa direção e uma temática de época que tem tudo para cair nas graças da Academia, que viveu tudo aquilo retratado na tela. E, acima de tudo, é o filme que merecidamente poderá agraciar Scorcesse com seu primeiro Oscar.
Ficha Técnica
O Aviador (The Aviator, EUA, 2004)
Gênero: Drama
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Jude Law, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin, Willem Dafoe, Alan Alda e Ian Holm.
Duração: 168 min.
Escrito por Bia Kunze em 15/02/2005
February 10, 2005
Entrando numa fria maior ainda
Comédia de alto nível para toda a família, com risadas garantidas sem qualquer apelação.

Não subestime o título em português para o original "Meet the Fokkers". Foi muito mal escolhido e leva a crer que se trata de uma comédia insossa e descartável.
Continuação de "Entrando Numa Fria" de 2000, com Ben Stiller e Robert de Niro, desta vez o elenco ganha o reforço de Dustin Hoffman e Barbra Streisand como os liberais pais de Ben Stiller. Este é um ator sem sal por natureza, mas o papel de Gaylord é perfeito para seu perfil de idiota. De Niro e Hoffman simplesmente arrasam em cena, principalemente quando estão juntos. O bebê superdotado que atua como coadjuvante é hilário.

Depois de conquistar a simpatia dos conservadores pais da namorada no primeiro filme, desta vez Ben Stiller, de casamento marcado, leva a noiva e os sogros para conhecerem seus próprios pais. Porém o perfil liberal destes é um choque ao tradicionalismo e rigidez da família da moça, e o noivo faz de tudo para esconder o real modo de vida de sua família. Isso gera situações de se dar risada do começo ao fim.
O filme é uma prova que, para ser engraçado, não precisa ser chulo ou escatológico. Mesmo com Barbra Streisand no papel de terapeuta sexual para a 3a idade, as piadas são de ótimo nível sem serem previsíveis. O ótimo roteiro não apela para a baixaria, mesmo com dezenas de referências a sexo.

Entrando numa fria maior ainda (Meet the Fockers, EUA, 2004)
Gênero: Comédia
Estúdio: Universal
Diretor: Jay Roach
Elenco: Robert De Niro, Ben Stiller, Dustin Hoffman, Barbra Streisand, Blythe Danner
Duração: 114 min
Escrito por Bia Kunze em 10/02/2005
February 01, 2005
Elektra
Mesmo tendo um bom roteiro, falta ação. Os fãs da Marvel vão se decepcionar.
Este filme é filhote de "O Demolidor", fracasso de crítica e bilheteria. O papel de Elektra foi tão destacado que ganhou um longa próprio.
O inteligente roteiro de Elektra privilegia a história da personagem, seu drama do passado e seu conflito interior.

Elektra usa seus poderes sobrenaturais como assassina profissional, exilada após o assassinato de seus pais. Contudo, quando é chamada para eliminar um pai e sua filha de 13 anos, a heroína entra em crise existencial. Relembrando seu próprio passado como órfã, ela não só se afeiçoa da adolescente como evita que sejam exterminados.
Jennifer Garner está adequada no papel, conferindo a frieza e obscuridade devidas à sua personagem. Contudo, mesmo com uma beleza clássica, falta-lhe sex appeal, se é que essa era a intenção do diretor, já que a marcante roupa vermelha da protagonista só aparece em pouquíssimas sequências. Há boas cenas de luta, de treinamento de artes marcais, pena que sejam restritas.
Os coadjuvantes pai e filha são muito chatos. A adolescente Abby ainda tem alguns momentos interessantes, mas no geral, são desestimulantes . O pai da garota é tão sem sal que, ao contrário do que se esperava, talvez o público preerisse que ele tivesse sido assassinado mesmo.

O fiasco de bilheteria dessa película é justificado. Apesar de ser uma boa história, ela não está adequada ao seu público-alvo. Fãs da heroína da Marvel certamente gostariam de vê-la executando mais sua paranormalidade e seus poderes em cenas de ação. Some-se a isso uma atriz de pouco apelo sensual, algo inceitável aos fãs de quadrinhos.
Seria bom que a Marvel se atentasse mais aos filmes protagonizados por seus heróis. A qualidade das produções decai cada vez mais, e em nada lembra os primeiros X-Men, por exemplo, sucesso de crítica aclamado e público.
Ficha técnica:
Elektra (EUA, 2005)
Gênero: Ação
Distribuidora:
Diretor: Rob Bowman
Elenco: Jennifer Garner, Colin Cunningham, Goran Visnjic, Hiro Kanagawa, Jason Isaacs.
Duração: 96 min
Escrito por Bia Kunze em 01/02/2005